Recife é uma cidade peculiar, uma das poucas em que o esquema social, de vivência e não apenas de convivência, é um emaranhado, uma mistura completamente desordenada. A classe rica mora ao lado da classe média que mora ao lado da classe pobre que mora ao lado da classe miserável. E mesmo sendo um dos elementos que possivelmente a tornasse uma cidade mais interessante, parece também ser o motivo de sua segregação intuitiva. Moramos próximos, mas não convivemos. Convivemos, mas não confraternizamos. E essa relação social está intrinsecamente ligada à nossa realidade urbanística, como a verticalização, o engradamento e a carrocracia. É a sociedade deixando clara a delimitação social que não conseguiu “naturalmente”. Logo, nos escondemos. Um dos outros elementos que determina a cidade do Recife é o sentimento do seu cidadão, a sua postura valorativa e seletiva, de gostar de ser único, de sofrer poucas influências externas, de criar diante das adversidades, de se posicionar como transformador do seu próprio meio. O que obviamente inicia-se como um processo interessante de autoconfiança, se deteriora através da inabilidade da autocrítica, transformando-a em arrogância.
E é através desse prisma que o filme O Som ao Redor permeia tão bem. Utilizando uma estrutura narrativa muito segura, o cineasta Kleber Mendonça Filho cria uma atmosfera de observação, onde o cotidiano e as ações mundanas – ou não – dos seus personagens tornam-se o mote principal da história. Utilizando a cidade não apenas como pano de fundo e sim como um elemento vivo e reativo, o filme cria uma dinâmica com seus personagens que difere do mosaico de Robert Altman, Paul Thomas Anderson e Iñarritu – onde os personagens desconhecidos entre si se encontram em um determinado momento –, e aposta mais na interação e comunhão entre eles naquele espaço. O filme tem uma relação mais estreita com Código Desconhecido (Code Inconnu, 2000) e Caché (Idem, 2005) do Michael Haneke, e também com O Pântano (La Cienaga, 2001) da Lucrécia Martel. Ambos possuem essa aura de observação e análise de comportamento, imersos em um ambiente cheio de tensão e suspense, como se algo ruim estivesse sempre à iminência de acontecer.
Fazendo uso de um excelente plano-sequência – em que acompanha uma garota em patins -, o filme logo de início recria um exemplar dessa composição social, onde crianças brincando no parquinho do prédio são “vigiadas” por suas babás e câmeras de seguranças diante de um imenso muro, protegendo-as de um perigo que logo cedo já faz parte do nosso cotidiano. Mas antes dessa cena, fotografias antigas são postas em tela lembrando um passado não tão distante de Pernambuco. Nossa influência colonial, de engenho, é ainda uma grande pedra nos sapatos da nossa sociedade. Essa postura Casa Grande & Senzala perpassa durante toda a projeção, mostrando nossas feridas e as consequências desse passado senhorio. Em um dos núcleos de personagens, vemos uma típica família de classe média, composta por um marido, uma esposa e dois filhos… Ah! E uma empregada doméstica. Mesmo sendo retratada como uma família liberal e intelectualizada, as atitudes perante a “secretária do lar” (termo babaca repleto de sentimento de culpa) são incoerentes com os seus “ideais”. E até a própria existência dela no lar – já que a mulher em nenhum momento aparece trabalhando OU mesmo fazendo algo – poderia ser classificada como um desses resquícios. E para não se tornar apenas uma alegoria pontuada, um dos personagens, Seu Francisco (W.J. Solha), é a representação fidedigna dessa aristocracia rural. “Aqui eu só moro, minha vida mesmo é lá nas minhas terras” diz em um momento o senhor de engenho por natureza. Proprietário de quase todos os imóveis da rua, o roteiro o apresenta como um cara sisudo e dono da situação. Sempre ditando as regras, Seu Francisco é possivelmente o melhor retrato dessa ligação passado, presente e futuro que o filme aborda.
Utilizando o som como um fio condutor da história, apresentando-o em uma atmosfera quase dantesca, mas misturado a elementos naturais e vivos do cotidiano daquelas pessoas, o filme vai construindo uma trama que diante de todo esse estudo antropológico, passava despercebida, mas que se resolve dentro do tema já proposto logo de início. O que parece, em uma primeira análise, desconexo, se torna fundamental para entendermos a intenção do artista. Mas é na observação que o filme tem o seu maior mérito. Kleber deixa a câmera contar a história, não tem pressa, aguarda, espreita, permite aos seus personagens se revelarem, contarem seus segredos. E ao final da projeção, todos aqueles personagens estão a sua volta, na sua rua, na sua esquina, na sua casa, e a reflexão proposta pelo filme se torna tão pessoal quanto à do realizador.
O V Janela Internacional de Cinema do Recife reservou espaço na grade para exibição de filmes que durante o ano de 2012 foram produzidos e veiculados no YouTube. Todos, independentes entre si, debatem o problema do crescimento desordenado da cidade.
Em “Velho Recife Novo”(Luiz Henrique Leal, Caio Zatti, Cristiano Borba e Lívia Nóbrega), possivelmente o filme com melhor consistência de argumentos, escuta especialistas em arquitetura e urbanismo e deixa claro desde o inicio a desfiguração que ocorreu na cidade e, o pior, a que ainda está por vir. Focado e bem estruturado, alternando entre argumentos técnicos e sociológicos, o filme se mantém em seu discurso principal, que é o debate sobre a “privatização” dos espaços públicos, e demonstra com grande eficácia as consequências desse enclausuramento das pessoas em compartimentos, como prédios, condomínios fechados e seus carros. Na cidade não há mais integração entre as pessoas, nem delas com a cidade. O filme ainda vai além e demonstra como os interesses de terceiros (corporações) buscam esse cerceamento do espaço público transfigurado de progresso.
“A Praça é pra Quem?”(Amanda Beça, Bruna Monteiro) é um exemplo de ativismo social, que, com cerca de 2 minutos, deixa clara a apropriação do público pelo privado, como foi citado acima. Utilizando de uma personagem, Juliana Duarte, estudante de jornalismo, cadeirante, moradora do bairro e cidadã, o filme é extremamente eficaz na sua essência, ser um meio de transformação social. O curta registrou o absurdo da apropriação de uma praça pública por dois estabelecimentos no intuito de torná-la estacionamento para seus clientes. A inteligência da direção do curta-denúncia foi colocar a personagem na tentativa de usufruir o bem público, o que se demonstrou um fracasso imediato. Alcançando as redes sociais, o vídeo fez barulho e, dias após sua viralização, a praça foi devolvida aos cidadãos.
“Descontrução Civil”(Felipe Peres Calheiros) é o registro da Assembleia Pública realizado no ano de 2012 sobre o “Projeto Novo Recife”, que visa a construção de complexos empresariais, novos pólos residenciais e um redesenho nas avenidas, pontes e viadutos. Diferentemente dos demais, o vídeo se torna apenas um registro do acontecido. Mas faz uma rima interessante: enquanto os argumentos das empresas e corporações são dados através de uma apresentação de vídeo – extremamente frio e falso –, o outro lado coloca seus pontos de vista através do discurso verbal, que se torna mais humano e verdadeiro.
Depois desses três vídeos que debatem a situação urbanística da cidade, a sessão Câmera Cidadã No Recife deu espaço a quatro vídeos com outra proposta. Enquanto, uns discutem, outros agem. É baseado na força da ação, da prática das ideias, em que o grupo sem nome, anônimo por natureza, busca a mudança através da ação e não apenas no campo das ideias. O primeiro, “O Diabo aplica multa cidadã em frente à Igreja”(anônimo), é o único a utilizar a estrutura cênica para suas ações, quando um Diabo aparece distribuindo adesivos em carros estacionados ilegalmente na frente de uma igreja localizada na Avenida Rosa e Silva, no bairro dos Aflitos, no Recife. Acompanhado pela trilha de Zeca Baleiro “Heavy Metal do Senhor”, o vídeo utiliza de humor para suas ações, principalmente quando abdica um pouco do seu lado marginal e entra em contato com a CTTU (Companhia e Trânsito e Transportes) denunciando os infratores em frente à “Casa do Senhor”.
Em “Ciclistas Invisíveis de Casa Amarela”(anônimo), o grupo utiliza a estrutura de documentário para ouvir ciclistas e obterem opiniões sobre o papel das ciclovias para o trânsito da cidade. As opiniões são bem homogêneas, onde se percebe que o respeito à segurança dos pedestres e dos ciclistas é sempre colocada em questão quando se pensa em restringir direitos dos usuários dos carros.
Mas é através dos vídeos “Ciclofaixa Cidadã”(anônimo) e “A Praça é do Povo”(anônimo) que vê-se a marginalização das ações do grupo, apoiado pela simples ideia do espaço público como bem inerente e inalienável do cidadão. Em ambos os vídeos, os anônimos, mascarados, realizam ações que são responsabilidades do poder público, pois o sentimento cidadão se torna tão intrínseco que a espera apenas os tornariam cúmplices desses desrespeitos. Pintam eles mesmos faixas de pedestre e ciclofaixas, no intuito de exercerem os direitos de locomoção instituídos pela Constituição Federal.
Após algumas trocas de mensagens, consegui entrar em contato com dois membros do grupo e pude fazer algumas perguntas e obter respostas esclarecedoras.
ENTREVISTA
1. Para que não haja uma superinterpretação diante destas atividades, não seria interessante deixar claro para pessoas qual o objetivo principal desse ativismo?
O principal das ações é debater, provocar e convocar.
Debater o estilo de vida que estamos adotando na sociedade, com a carrocracia como elemento intrínseco à cidade. A entrega do espaço urbano aos carros e à sociedade motorizada.
Provocar a sociedade e o poder público para que enxerguem a realidade carrocrata da cidade.
Convocar a sociedade a participar mais ativamente de sua cidade.
A reclamação tem que sair da mesa do bar e das redes sociais e ganhar o mundo. Não é possível que a cidade tenha uma péssima qualidade de vida e isso não traga respostas de insatisfação da sociedade. Há ações acontecendo nos mais diversos planos: legal, educativo, midiático e ações práticas. Às vezes são ações, mas muitas vezes são REações. Mas, o interessante é quando algumas ações têm efeitos práticos, como a pintura da faixa de pedestres que acaba sendo utilizada pelos transeuntes e respeitada pelos motoristas.
2. Por que ser anônimo?
O anonimato tem pelo menos dois viés, igualmente importantes.
O primeiro é a preservação do indivíduo que realiza a ação, protegendo contra quaisquer eventualidades que possam acontecer, e de qualquer um que se incomode com a ação. Temos um discurso de legalidade extrema, principalmente no trânsito, que infelizmente não é usado amplamente na prática. Pintar uma faixa de pedestre, por exemplo, pode ser considerado dano ao patrimônio público. Então aplica-se a legalidade extrema. Enquanto isso, o pedestre não tem prioridade de verdade nas faixas de pedestre ou mesmo onde elas não existem, e o ciclista é ameaçado constantemente no trânsito. A justiça é cega de um olho só. Infelizmente faz-se necessário o anonimato, por esta bipolaridade das autoridades na aplicação da lei.
O segundo motivo é se evitar o surgimento de heróis. Não há heróis. Não há um que vá fazer isso sempre, qualquer um pode realizar uma ação e divulgá-la ou não. A ideia é que as pessoas se instiguem com a ideia e saiam de seus sofás e venha clamar por seus direitos. Um herói só deixa as coisas mais cômodas, pois, acabamos por esperar pela ação deles.
3. Qual o alcance que o grupo, aparentemente independente entre si, busca com essas manifestações? O fato de serem anônimos atrapalha as realizações práticas perante as instituições governamentais?
Até queremos que os governantes ajam corretamente, que olhem pelos cidadãos, motorizados ou não. Mas hoje isso é um sonho, e sabemos que nossas ações vão mudar muito pouco quanto a isso. Mas se vários outros se instigam a fazer o mesmo, dezenas, centenas de pessoas, a insatisfação com gestões carrocratas se legitima como uma demanda da sociedade, e não de poucos. E mesmo que fosse de poucos, como é o caso dos portadores de necessidades especiais, é função do Estado governar também para as minorias. Tratar de forma desigual os desiguais é simplesmente trazer um equilíbrio ao direito de usar as ruas e a cidade, no caso.
4. As manifestações deixam clara a busca por espaços públicos para o público, e consequentemente atingem direta ou indiretamente o interesse privado como fator predominante. Até onde o discurso consegue ser coerente, já que possivelmente, alguns membros moram em prédios e possuem carros?
As condições de vida na cidade trazem certas deturpações quanto à esse tipo de provocação. Não há incoerência em morar em um apartamento ou possuir um carro. Não se trata de utopia querer uma cidade em que se possa transitar ou viver dignamente no espaço urbano público. Almejar um espaço urbano de melhor qualidade é uma demanda de todos. Os cidadãos querem, na medida do possível e realizável, viver suas pequenas utopias internas para possibilitar a construção de um espaço maior de convivência. Vivemos uma heterotopia e, boa parte dessas pessoas, já se entrega ao mundo não motorizado.
5. Quanto o “Novo Recife” pode ser prejudicial para o equilíbrio urbanístico da cidade?
O projeto no Cais José Estelita? Certamente será. Despejar centenas de carros no cais José Estelita não é solução urbanística. Construir alças, Via Mangue, é claramente uma tentativa – certamente sem sucesso – de resolver o problema da mobilidade para poucos. Está sendo construída uma cidade de classe média alta dentro de Recife. Vindo do Evolution, Le Parc, Via Mangue, Shopping RioMar, “Novo Recife”, Torres gêmeas até o Porto Novo. Descaradamente, a Via Mangue, obra mais cara de mobilidade das últimas gestões, é feita para carros, e não permitirá o trânsito de ônibus. Terá uma ciclovia por uma obrigação moral e legal, mas tirando o ciclista do meio da cidade, que é onde mais se vislumbra o uso da bicicleta. Uma tentativa de transformar o ciclista em alguém que não vive a cidade, mas apenas transita, vai de um ponto a outro.
Voltando ao Novo Recife – não dá pra falar neste megaprojeto sem falar na Via Mangue – teremos este novo bairro, com novos carros, e o pedestre continua sendo um ser isolado. De um lado, o Cais José Mariano, com uma grande avenida, do outro o Viaduto Capitão Temudo e a Ponte Paulo Guerra, sem estrutura para o pedestre e o ciclista. Surge a ilusão de que os não motorizados têm vez, mas o que temos é uma ilha da fantasia cercada de concreto por todos os lados.
Acho importante o uso da área com fins de ocupação mista – residencial e comercial e para diferentes classes – para que haja uma recuperação daquele espaço e a criação de uma área de convivência. O que não pode é ser repetido o mesmo modelo de ocupação com prédios segregadores dos indivíduos, que criam um espaço de arquitetura do medo, em que só se torna “possível” sair de casa em sua bolhas de vidro e metal. É preciso a criação de um espaço em que haja vida circulando, para que haja segurança e convivência.
6. A cidade do Recife possui inúmeros problemas estruturais, principalmente nas áreas periféricas, saneamento básico sendo um dos maiores. Como demonstrar que os problemas propostos por vocês não passam de “problemas da classe média”?
O problema atacado está mais voltado à mobilidade. A resposta vem com a democratização do espaço e a humanização do trânsito. O uso do espaço democraticamente já se pressupõe que haja acesso por toda a sociedade, independente de classe. A humanização do trânsito vem para possibilitar que todos transitem com segurança pelo espaço, independente do modal utilizado.
Hoje, o que vemos é uma classe dominante em cima de motores que se transformam em armas, matando indiscriminadamente, mas atingindo àqueles que não têm opção de modo de transitar, os que andam ou pedalam todos os dias. O que vemos são engarrafamentos constantes, provocados pelo excesso de automóveis e a população presa dentro de ônibus como sardinhas. Busca-se a libertação nesses dois aspectos. No mais, as velocidades motorizadas permitem que aumentemos nossas periferias e joguemos a população mais pobre para longe das cidades, obrigando estas a usar esses transportes coletivos, pois não há mais possibilidade de se chegar ao trabalho com suas próprias pernas. A imobilidade atinge a todos, mas não igualmente.
As propostas de se olhar pelo menor primeiro, inclusive, se demonstram economicamente favoráveis e viáveis às cidades. Essa economia pode ser usada para solucionar os problemas estruturais citados.
As pessoas uma vez ou outra me despejam falácias como “não se fazem mais filmes como antigamente”, ou “perdeu-se o romantismo do cinema”. Argumentos clichês, que poderiam estar na boca de Galvão Bueno, fosse ele o comentarista do Oscar. Essas pessoas nunca se atinam pelo fato de que os filmes ruins simplesmente não sobreviveram ao tempo, sobrando apenas aqueles que têm algo a falar, que possuem uma importância para o Cinema. Mas se a qualidade/conteúdo não se determina pela sua época – e claro, há também aqueles que acham que os únicos filmes são os feitos “hoje em dia” -, a forma vem sendo o grande camaleão dessa arte adolescente
que é o Cinema.
Quando o Cinématographe foi apresentado pelos irmãos Lumière, poucas pessoas tinham ideia das suas possibilidades, pouco se pensava em tratar aquele maquinário como forma de entretenimento. Mesmo que a apresentação do aparelho tivesse áurea de espetáculo, o grande foco era o simples registro de fatos e os poucos que ficaram interessados enxergavam-no apenas como um “concorrente” da fotografia. Dentre tantos homens importantes, inclusive Thomas Edison que inventara o Kinetoscopio anos antes, estava o desenhista, pintor, caricaturista, escultor, ilusionista e teatrólogo Georges Méliès.
O entusiasta das artes e grande admirador de novas tecnologias percebeu logo na primeira sessão cinematográfica que aquele invento abriria um leque de oportunidades, no qual ele via a composição ideal de todos os elementos sensíveis que sua personalidade artística possuía.
Pouco antes, Georges adquiriu o importante Teatro Robert-Houdini e, inicialmente objetivado pelas encenações teatrais, viu ali a ferramenta ideal para exibição dos seus primeiros filmes. Imediatamente enterrou de vez a curiosidade científica que o aparelho exalava e o determinou como criação pura. Ilusionista que era, Georges
Méliès soube de imediato utilizar a trucagem que o Cinema oferecia para criar um universo fantasioso e inesperado. Filmes como Viagem à Lua (Le Voyage dans La Lune, 1902), O Reino das Fadas (Le Royaume des Fées, 1903) e A Maldição de Fausto (Le Damnation de Faust, 1903) eram agraciados com louvor.
Os filmes de Méliès basicamente eram uma série de planos simples, com câmera estática e distante da ação. Para não dizer inexistente, a montagem apenas servia para fins de trucagem, e não como finalidade narrativa. O fundamental eram apenas as atuações e a história envolvente. Enquanto isso, o cinema começava a se expandir
e novos elementos eram incorporados. A luz, o posicionamento e movimento da câmera começavam a fazer parte da equação cinematográfica. Influenciado por Edwin S. Porter, o americano D.W. Griffith começava a entender a importância da organização dos planos, buscando além do dinamismo, um impacto dramático através de novos conceitos como Close-ups, inserts, travelling, etc. Assim, os filmes de Georges Méliès e seus contemporâneos se tornaram repetitivos e o público começara a desertar o Teatro Robert-Houdini, diziam eles “visto um, tinha-se visto todos”.
A história do Cinema é contada através de suas mudanças. Logo após, veio o sistema de som e, em seguida, as cores. Algumas décadas depois, tentando rivalizar com a chegada da televisão, o formato CinemaScope veio à tona, buscando uma nova experiência de entretenimento aos espectadores, consequentemente dando aos cineastas uma
nova gama de possibilidades, e que se encontra hoje evoluída no IMAX. No início da década, a tecnologia 3D retornou aos cinemas, novamente rivalizando com as TVs cada vez maiores, que rebateram quase de imediato, incorporando-a nos seus aparelhos. A busca incessante pelo novo é uma característica de uma arte que nasceu juntamente com a tecnologia e com isso é quase impossível separá-las.
Hoje nos encontramos em um momento social muito movimentado e agitado, onde somos bombardeados por informações instantaneamente em todos os lugares e a todo o momento. O cinema não é apenas vítima dessa exacerbação, como é também um dos grandes responsáveis por esse barulho, às vezes ensurdecedor. E a alma precisa de um pouco de silêncio. E é nessa busca de elementos escassos que se percebe a estrutura cíclica do Cinema. Os filmes mais aclamados do ano e que possivelmente serão agraciados pelo Oscar são exatamente aqueles que fugiram desse modelo acelerado. Um filme mudo e preto e branco, um conto de fadas que homenageia a arte cinematográfica, uma viagem temporal ao mundo das artes, e um contemplador da vida. A percepção sensorial é um importante personagem nesses filmes, onde o fundamental é embarcar na mesma Viagem à Lua que Georges Méliès propôs um século atrás.
O ano chega ao fim e claro que este colunista viciado em listas tinha que fazer a de Melhores Filmes de 2011. Diferentemente de anos anteriores (2009 e 2010), os filmes elegíveis são apenas aqueles que foram lançados no Brasil em 2011, pelo circuito comercial, por festivais, ou os diretos em home video. Então vamos a eles:
1. Árvore da Vida (The Tree Of Life, 2011)
Contemplação é a palavra de ordem ao assistir à mais nova obra do cineasta Terrence Malick. Conhecido por sempre nos entregar obras que buscam a análise e o reconhecimento dos símbolos, em que a impassividade do espectador não tem vez, Malick vai além e conta a história do universo das relações interpessoais dos seus indivíduos. Escolhendo a vida de uma família, como se um escopo da sociedade, para retratar a relação dos seres humanos diante dos elementos da natureza e da graça. A vida pré-moldada e determinista versus os caminhos naturais dessa passagem. Uma experiência inigualável onde o silêncio e visual são grande parte da estrutura narrativa do filme. O universo se iguala ao ciclo do homem na Terra, onde o nascimento e a morte se unem pela complexidade da vida.
2. Cisne Negro (Black Swan, 2010)
A obsessão sempre foi a temática principal do cineasta Darren Aronofsky, já ilustrada em obras como “Pi”, “Réquiem para um Sonho”, “Fonte da Vida” e “Um Lutador”. Em “Cisne Negro”, a busca pela perfeição é o mote a ser alcançado, e sua personagem através de uma luta obscura e psíquica nos entrega o ápice de uma obra artística, nos deixando batendo palmas de pé, inebriados por tanta beleza. Possivelmente um dos momentos cinematográficos mais sensoriais e impactantes de 2011.
3. Melancolia (Melancholia, 2011)
Lars Von Trier retrata o fim do mundo, mas revela as feridas da sociedade e nos entrega a angústia e o medo em forma de película. Mais aqui.
4. O Garoto da Bicicleta (Le Gamin au Vélo, 2011)
Os irmãos Dardenne mais uma vez retratam a sociedade francesa decadente através da infância. O garoto em questão sempre aparece trajando roupas com as cores azul, branca e vermelha, clara referência à bandeira da França e do seu lema mór: liberdade, igualdade e fraternidade. Analisando a realidade da juventude francesa e escancarando a sua falibilidade, o filme é um estudo sobre a infância e a esperança, e se conectarmos a outras obras dos cineastas, como O Filho (Le Fils, 2002) e A Criança (L’enfant, 2005), percebemos o caminho torto, mas ao mesmo tempo esperançoso de uma geração.
5. Another Earth (Another Earth, 2011)
Utilizando um recurso parecido com Melancolia de Lars Von Trier, o filme desenvolve o interesse social e também a paranóia com a possibilidade da aparição de um novo planeta. Nesse caso, o apocalipse é deixado de lado, e a novidade é que pelo planeta possuir características idênticas ao nosso, desenvolve-se a teoria da existência de uma realidade alternativa, onde neste planeta, ou melhor, na Terra 2, vivemos uma vida quase espelhada, em que existe um outro “você”. Uma ficção científica que fala de escolhas e consequências e que retrata a possibilidade de um novo começo.
6. Toda Forma de Amor (Beginners, 2010)
Um filme autobiográfico sobre a vida do cineasta Mike Mills, que após a morte de sua mãe vê seu pai se assumindo homossexual. O que poderia ser um drama sobre a vida do personagem interpretado maravilhosamente pelo ator Christopher Plummer, se torna um lindo retrato sobre a busca do amor e da nossa teimosia quase latente em boicotá-lo. Um exemplo maravilhoso que o cinema independente norte-americano ainda possui sobrevida além daqueles personagens vazios, estranhos e deslocados.
7. Inverno da Alma (Winter’s Bone, 2010)
O filme retrata uma realidade norte-americana pouco explorada, sobre uma parcela da população esquecida, marginalizada, que cria suas próprias regras e vivem a mercê do comércio local: a produção da metanfetamina. Estruturado como “walk movie” (já que passamos durante toda a projeção acompanhando a personagem andando), o filme conta a história de Ree – uma garota que teve o amadurecimento forçado pelas circunstâncias – a procura pelo seu pai e a tentativa de impedir que tomem sua casa. O filme nos leva a um mundo frio, como determina a fotografia cinzenta, onde suas ações possuem consequências imediatas.
8. Meia Noite em Paris (Midnight in Paris, 2011)
Woody Allen recria uma Paris que tanto nos encanta, mas que conhecemos apenas através dos livros e filmes, e nos entrega um filme leve, que não se esforça em ser outra coisa além de uma ode às artes. Hemingway, Fitzgerald, Buñuel, Dalí, são apenas alguns dos motivos para esse filme entrar nessa lista.
9. X-Men – Primeira Classe (X-Men – First Class, 2011)
Os mutantes são a alegoria perfeita sobre a realidade discriminatória que a sociedade vive. Nessa “prequência”, é contada a origem de Charles Xavier e Eric Lehnsherr, ou melhor, Professor Xavier e Magneto. E o filme deixa cada vez mais claro que os criadores dos personagens se influenciaram muito da dicotomia Martin Luther King e Malcom X. Mais aqui.
10. Rango (Rango, 2011)
Essa animação não é apenas uma maravilhosa homenagem aos filmes de Western, cheia de referências como a do Pistoleiro Sem Nome (personagem de Clint Eastwood em vários filmes), como se sustenta perfeitamente bem como um filme do próprio gênero. Em ano que a Pixar desaponta, é de grande felicidade termos uma obra desse porte, e tão bem realizada. Possivelmente, a melhor interpretação de Johnny Depp em anos.
Dos dias 04 a 13 de Novembro de 2011, Recife teve a oportunidade de assistir a mais de 150 filmes, entre curtas e longas metragens, através da quarta edição do Janela Internacional de Cinema do Recife. Um festival que cresce cada vez mais, contudo não deixando de lado as suas ideologias artísticas. A programação elaborada pelo jornalista e cineasta Kleber Mendonça Filho, conteve a mesma estrutura de dividir os filmes em sessões que criam laços estéticos ou temáticos parecidos. Esse ano dei uma maior atenção aos curtas-metragens nacionais. Além do presente oferecido a nós espectadores, a filmografia completa do cineasta Stanley Kubrick exibidos no belíssimo cinema São Luiz.
GRITOS PRIMAIS
De imediato, o curta-metragem Da Origem (2011), dirigido por Fabio Baldo, encanta pelo seu design de produção, retratando com muita competência o período da Pré-História, mas se tornando ao mesmo tempo atemporal no seu discurso. A análise do poder (aqui a descoberta do fogo) como elemento formador da sociedade é o mote ideal para deixá-lo atual e instigante.
Já em Avalons (2011), também trabalhado intensamente em um conceito estético, o discurso é vazio, focando claramente para o vislumbre visual. Retratando uma espécie de mundo medieval estilizado, o filme apela para gags infantis que soam na maioria das vezes idiotas e sem conteúdo. O roteiro nitidamente destoa da seriedade e compromisso da conceituação artística implantada na elaboração desse mundo fantástico.
Em Porcelana (2010), a câmera adquire, desde seus primeiros minutos, um compromisso de cumplicidade com a história. Apostando inicialmente na câmera estática, o nosso olhar é levado a procurar respostas por todo o cenário, tentando desesperadamente entender o que acontece em tela. Utilizando uma estrutura narrativa que lembra Aleksandr Sokurov, mais especificamente na sua obra O Sol (Solntse, 2005) o filme é bastante eficaz na sua proposta de sensações.
Cachoeira (2010) conta a história de jovens indígenas do alto do Rio Negro na Amazônia que praticam rituais suicidas após ingerirem a tal da “bebeiragem”, uma espécie de mistura de cachaça e fumo. O cineasta Sergio José de Andrade percebeu a importância dessa história, inspirada em fatos reais, e a contou de uma forma muita sensível, mas ao mesmo tempo bastante forte e crua. Abordando de uma forma alarmista, mas fugindo do tom assistencialista, o filme retrata a realidade dos jovens indígenas em se adaptar a novos paradigmas sociais, que consequentemente os levam aos mesmos problemas sociais do “homem branco”, como no caso em questão ao alcoolismo. As relações econômicas se misturam ao misticismo, nos levando a uma jornada sensível e ao mesmo tempo preocupante.
MEU ESPAÇO
Monja (2011) é aquele típico curta-metragem que versa sobre o minimalismo de suas imagens e o estranhismo de seus personagens. Utilizando uma câmera quase estática, o filme demonstra a inadequação de sua personagem principal em seu ambiente e a dificuldade de interagir com os mais simples dos objetos. Durante boa parte do filme comecei a idealizar uma espécie de síndrome do pânico e relacionar as ações da personagem com a doença, até que ela decide parar de agir como uma idiota que não sabe mexer no ventilador e ir ao shopping. Um filme vazio e sem propósito que tenta ser diferente, mas que consegue ser igual a todos os que propõem esse “pseudo-minimalismo”.
Os Sapos (2011) é um ótimo e bem humorado estudo de personagens. O filme é engendrado quando um casal decide passar uns dias em uma rústica casa de campo e uma amiga de infância é convidada para o final de semana. O casal possui uma dinâmica bastante realista e leve, já que ambos chamam-se carinhosamente por patentes militares (o homem como sargento e a mulher como capitão) e durante todo o filme ficamos em dúvida sobre a verdadeira densidade do relacionamento. A amiga em questão vem para colocar esse relacionamento em xeque. No final das contas, percebe-se que a hierarquia das patentes se mostrou inverso da realidade, que a capitã era submissa ao sargento e que, às vezes, as pessoas são felizes mesmo engolindo “sapos”.
A Janela (ou Vesúvio) (2010) tenta ilustrar uma crítica ao aprisionamento da família brasileira devido à violência, mas se torna óbvia e um tanto simplista utilizando a TV e seus programas policiais como motor principal de sua mensagem. O filme chega ao rasteiro quando diante de um travelling muito mal realizado, utiliza uma grade e relaciona a sensação de estar protegido com a de aprisionado. Ao final, vemos toda uma família unida e sitiada dentro de um quarto assistindo a realidade através da TV, ou “janela”.
O Hóspede (2011) conta a história de uma pousada no interior da Paraíba que recebe um “viajante” misterioso, e combinado a estranhos eventos narrados pelo rádio, o proprietário começa a investigar esse enigmático hospedeiro. Fazendo um paralelo da transmissão de Orson Welles da obra “Guerra dos Mundos” de H.G. Wells, com a filmografia dos cineastas de terror da década de 50, o curta torna-se uma verdadeira espécime de um filme de gênero. Apostando no preto e branco, realça a importância das sombras no gênero e na trilha estridente, captando o tom ideal para o suspense. O humor também está muito presente durante todo o curta, tanto do casal dono da pousada, quanto do próprio hóspede e das situações absurdas. Também deixa transparecer homenagens ao cinema da parceria Ed Wood e Bela Lugosi. Infelizmente, quando o tema foi colocado em discussão, os realizadores foram bastante defensivos sobre essa temática trash, rebatendo a comicidade do projeto e deixando claro que a intenção nunca foi fazer humor e sim um terror. Sinto informá-los, mas ao lançarem um filme, a única interpretação que conta é a do espectador.
Acercadacana (2010) é um documentário que denuncia a realidade de algumas famílias – especificamente Dona Maria Francisca – na área canavial da Zona da Mata de Pernambuco. Ao iniciar, o filme mostra-se muito inteligente em sua estrutura narrativa quando, para situar o espectador, opta por ter o motorista que levará a equipe de produção ao encontro de Dona Maria explicando toda a história envolvendo interesses do Grupo Petribu e moradores da região. Infelizmente, por causa de um problema de áudio ficamos sem metade da explicação da história. Mas o que realmente importa é que famílias foram retiradas, muitas vezes forçadas a saírem de suas casas para apropriação de seus terrenos e assim terem explorados a cana de açúcar e consequentemente o etanol. O filme retrata a obstinação de Dona Maria em permanecer na casa em que morou durante 40 anos, contra os interesses de uma empresa política e economicamente forte.
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Raimundo dos Queijos (2011), propõe uma mixagem de elementos documentais e ficcionais, retratando o tal Raimundo dos Queijos, mercearia durante a semana, e bodega aos finais de semana. Um filme bastante eficaz ao demonstrar o ambiente popular e diversificado do espaço. Busca observar a interação dos habitués do local, regado a muita cerveja, música e pessoas felizes. O filme rapidamente consegue apresentar os personagens, mesmo que de longe, como se fosse apenas uma espiada, e dar personalidade a todas aquelas pessoas tão diferentes, mas que interagem tão bem juntas. Além disso, muito acertada a escolha de incluir um personagem fictício na história, como se nós estivéssemos lá, também tomando uma gelada.
Ovos de Dinossauro na Sala de Estar (2011) é um daqueles filmes que ficam com você ao sair da sala, que nos traz uma nostalgia, mesmo de uma história que nunca vivemos. Um documentário sobre Guido Borgomanero, o maior colecionador de fósseis da America Latina, mas o que o difere de tantos outros documentários é que conhecemos sua historia através de sua esposa, Ragnhil. Carismática e bastante engraçada – mesmo que involuntariamente -, ela consegue transmitir o amor pelo marido através de imagens do passado e ao mesmo tempo combater a solidão que claramente a persegue.
La Lira de Maurilia (2011) é um filme singelo que depende exclusivamente de sua protagonista, Maurilia. Claramente um desvio de produção do verdadeiro projeto fílmico. A equipe encontrou graciosidade naquela menina recitando Cecília Meirelles, no melhor estilo trava-língua. Utilizando a repetição das imagens como rima narrativa com o próprio texto recitado da garota, o filme não passa de um segmento de história.
Calma Monga, Calma (2011) é daqueles filmes que nascem derivados de outras obras. Visivelmente uma cria de Recife Frio, curta-metragem de Kleber Mendonça Filho, o filme utiliza a mesma estrutura narrativa de mockumentary, contudo iguala-se esteticamente em qualidade. O filme narra a história de uma criatura “simiesca”, “balduína”, ou Monga, que apavora a cidade do Recife, inclusive em seus lugares mais “inóspitos”, como cinemas pornôs ou os clássicos bacurais. Utilizando o programa policial “Isto é Remoso” – referência ao “Sem Meias Palavras” – como condutor desse terror “lendoso”, o filme possui uma construção de humor regional e que não abandona a crítica social – vide a cena da mesa redonda de Samir Abou Hana e seus convidados fantásticos. Referenciando as lendas urbanas recifenses como Galeguinho do Coque e Biu do Olho Verde, o curta nos entrega momentos cômicos tão simples e bem elaborados como “foi pro cinema e acabou sendo comido pela macaca”, e “é uma mistura de Tony Ramos com Wolverine” que obrigatoriamente já virou parte da cultura recifense.
FILMADOS EM LOCAÇÃO
Com Vista para o Céu (2011), filme dirigido pelo ótimo Allan Ribeiro, retrata a realidade dos conjuntos de edifícios populosos, onde a relação entre moradores é um tanto transitória, e que consequentemente torna-se sem proximidade, mas que através de simples gestos busca-se essa interatividade entre os seus próximos. É o caso desse interessantíssimo curta que diante da incomunicabilidade utiliza-se da música para a comunhão e quem sabe deixar mais próximo os personagens e suas idiossincrasias. Ao final, o elevador é o personagem comum, os olhos de todo aquele mundo.
Dia Estrelado (2011) é uma animação em Stop Motion que preza intensamente pela qualidade técnica e narrativa. Apostando na mistura do real e do cru ao caricato, o filme toma uma densidade de conteúdo digna de palmas. Retratando a difícil realidade do sertanejo nordestino, abraça a rotina de uma família na árdua tarefa de sobreviver às diversidades. A sensação de calor está sempre presente, optando pelo céu como uma grande paleta de vermelho e amarelo, contudo o design artístico da produção também alivia essa secura através de elementos mais leves e bem humorados, como a composição característica dos personagens. Um frescor para animação brasileira.
Praça Walt Disney (2011) é mais um exemplar da atual cena cinematográfica recifense que busca retratar a realidade urbanística da nossa cidade. Sendo desde o inicio um documentário de percepção, utiliza como ponto de partida a Praça Walt Disney em Boa Viagem e com isso passeia pelos elementos que formam a nossa cidade e seus moradores. Pontual na sua critica à verticalização da cidade, o filme se beneficia pela sua graciosidade em misturar elementos do filme Fantasia (1940) com as peculiaridades dos personagens daquele bairro. Infelizmente, a crítica às vezes perde o foco, desviando a discussão na utilização de outras estruturas narrativas.
Rick Monteiro é cinemaníaco. Tem a lei como companheira exaustiva e o cinema como melhor amigo inseparável. É filho de Ingmar Bergman, irmão de Paul Thomas Anderson e queria ser o George Carlin.