O coletivo The DMC Initiative criou uma série de vinhetas animadas para o canal australiano Fox Classics. As animações, aqui reunidas em um único vídeo, revisitam alguns dos maiores clássicos do cinema, como Psicose (1960), Ben-Hur (1959), Lawrence da Arábia (1962), Intriga Internacional (1959), O Bebê de Rosemary (1968), Disque M para Matar (1954), Cantando na Chuva (1952), Um Golpe à Italiana (1969) e Os Pássaros (1963). Confesso que, apesar de quase tudo parecer familiar, não reconheci todos os filmes. Alguém se arrisca aí numa lista?
Cinza não é, definitivamente, mais bonito ou excitante que azul, mas um céu nublado também tem o seu charme. Alivia a luz direta e agonizante. Traz aconchego. Limita o suor e torna infinita a capacidade de autoclemência em casos de atraso matutino. Faz pensar: por que logo eu, que sou doida por praia, gosto tanto de chuva assim?
Gosto do som da água e da resposta da terra, em forma de perfume, como se agradecesse a batucada aquática que chegou de repente. Gosto de sentir o clima mudando e ficando delicadamente mais ameno. Gosto de botar um jazz lentinho e fazer tudo no mesmo compasso das gotinhas escorrendo na janela. Gosto do conforto que vem do céu, junto com uma sensação de proteção.
Primeiro, porque me faz lembrar com saudade de Vovó Dorinha, que está cuidando de mim lá de cima. Era Dona Doralice que, quando eu era bem pequenininha, antes do primeiro trovão me chamava pra perto e me aquecia lá, entre o colo macio dela e uma colcha de chenile. Depois, porque, pense comigo: qual é o ladrão que vai querer levar um monte de eletrodomésticos na cabeça debaixo de um toró? Chuva é pra quem tem mais o que fazer.
Chuva é o convite para um abraço, um beijo, um cheiro, um dengo em forma de frio no aumentativo só pra ganhar um calorzinho do outro. É também a desculpa perfeita para puxar o cobertor do par sem piedade e sem o desprazer (ou com o prazer, pra quem é sadômasô) de levar um safanão.
A chuva atrai, a chuva acolhe, a chuva basta. É o tempero preferido dos amantes, que podem até dispensar o ar-condicionado e o som. Olha, toca, alisa, lambe, mexe, enrosca, vem pra cá, fica aqui no quentinho, meu amor. De conchinha, até nem perceber que o céu já mudou de cor.
No penúltimo dia de dezembro, foi publicado aqui no blog o Top10 Músicas 2011. No post, Duda, nosso editor, disse que achou o ano meio irregular e que pela primeira vez teve que fazer uma repescagem para eleger sua lista de melhores canções.
A FF >> discorda. E para se redimir de não ter mostrado um monte de coisa legal que rolou na música em 2011, resolveu fazer um Top Ten Alternativo, com lançamentos que não foram comentados aqui na coluna e também ficaram de fora da lista oficial do blog.
Se você está lendo essas palavras, é porque o chefe aprovou! :)
Segue a lista então, sem ordem de preferência:
Lonely Boy – Black Keys
Depois de chutar o pau da barraca em 2010 com Brothers, Dan Auerbach (guitarras) e Patrick Carney (bateria) lançaram El Camino, no final do ano passado. Como se os dois já não bastassem, ainda chamaram o produtor Danger Mouse pra dar uma força nos arranjos. Lonely Boy é o primeiro single, um rockão garageiro e pra cima. Se der vontade de dançar igual ao figura aí do clipe, fique à vontade.
Two Against One – Danger Mouse & Danielle Luppi feat. Jack White
E já que falamos no Danger Mouse, Rome, álbum em parceria com o também produtor Danielle Luppi, está em um monte de listas de melhores de 2011. Nessa faixa, o projeto que também conta com Norah Jones nos vocais e piano, tem a presença do Jack White nas seis cordas. Jack White, somente. Com um time desses, o jogo já começa ganho, meu pirraia.
You – TV On The Radio
Junto com o álbum Nine Types Of Light, os caras do TV On The Radio lançaram um documentário, dirigido pelo vocalista Tunde Adebimpe com clipes para cada uma das faixas. Em, You, a preferida da casa, ele interpreta um artista de rua, que imita Prince nas ruas da cidade e, nos momentos de solidão, lamenta saudoso o fim da sua antiga banda. #euri
I Got Rokk – DJ Shadow
O primeiro single de The Less You Know, The Better, mais novo trabalho de Josh Davis, a.k.a. DJ Shadow, é cheio de referências ao hard rock do final dos 70, início dos 80. Os riffs de guitarra, as viradas de bateria, os gritinhos. Tudo, porém, editado do jeito que Shadow bem sabe fazer. O disco em si nem é essas coisas, mas o single é instigadíssimo. Vai pra lista.
Cara Palavra – Karina Buhr
Longe de Onde, o segundo álbum de Karina, consegue ser ainda melhor que o primeiro, Eu Menti Pra Você. Na faixa de abertura, as guitarras de Edgard Scandurra e Fernando Catatau não alisam. Foda juntar dois guitarras desse naipe debaixo de um mesmo teto. A gravação do clipe, foi no Marrocos. E, pela cara, o povo lá ficou meio assustado com a fúria de Karina. Ficaaaaaa, meu amor.
NY Is Killing Me – Gil-Scott Heron & Jamie XX
I’m New Here, foi o último álbum gravado pelo poeta Gil-Scott Heron, um dos inventores do rap, falecido em maio de 2011, aos 62 anos, devido a complicações decorrentes do HIV. Antes de ir embora, contudo, ele chegou a ouvir o remix que Jamie, o cara por trás dos botões do The XX, fez do seu canto de cisne. We’re New Here é coisa fina e a tensa NY Is Killing Me é a melhor do disco.
The Look – Metronomy
O Metronomy é uma das bandas mais interessantes do universo indie nos últimos anos. E nesse terceiro álbum apuraram a receita. The English Riviera, fica melhor a cada audição. Tudo muito simples e divertido, com arranjos bem diretos, onde cada voz e cada instrumento tem seu lugar. The Look é o hit do disco e tem um clipe bem legal também.
A Long Time – Mayer Hawthorne
Ele voltou pra machucar os corações das mocinhas românticas. Em How Do You Do, Mayer Hawthorne traz mais daquele soul cheio de amor que já tinha apresentado no A Strange Arrangement, de 2010. Além de compor e arranjar a parada toda, Hawthorne também é dono de uma voz muito cool. A Long Time é a música perfeita para uma festinha em casa com poucos e bons.
Civilization – Justice
Aqui o negócio pesa. Civilization, faixa de Audio Video Disco, traz de volta o duo eletrônico francês Justice, quatro anos depois de † (Cross), seu disco de estréia. No clipe, o mundo se acaba e fica literalmente de cabeça pra baixo. Quer agressivar? Então dá play, fera. Lembrando só que eles vêm pro Sónar, em São Paulo, em maio. Guarda aí uns trocados que vale a pena.
Benediction – Thruston Moore
Pra terminar, uma baladona acústica do Thruston Moore. Benediction abre o seu ótimo disco solo, Demolished Thoughts, produzido por ninguém menos do que Beck. Música linda, indicada tanto para os que gostam quanto para os que não gostam do Sonic Youth, banda que Thruston representou durante mais de 30 anos. E a FF >> torce para que volte à ativa.
Modelos são criaturas quase étereas. Seres esguios e muito belos (alguns até “bizarros”) representam 0,00001% da população mundial e no entanto são o sonho de 10 entre 10 meninas world wide. Toda ala feminina, pelo menos uma vez na vidinha, sonhou com isso e muita gente adulta até hoje paga de “modela”.
Adequações à parte, modelos são a materialização de um esteriótipo muito divulgado e pouco abrangente. Figuras raras e de vida curta, o apogeu da carreira acontece lá pelos “velhos” 28 anos e daí pra frente é só queda. Resultado: migração das passarelas para as categorias de atriz/cantora/empresária/namorada famosa. Poucas são as que conseguem uma after-life bem sucedida. Boa parte vai fazer comercial de margarina, show-room de carros e aparecer na revista Quem tomando sol no posto 9 ao lado de um ator de malhação.
Para as que conseguem pensar outside the box ou beyond the runway, o futuro é bem promissor. Uma beldade que soube se destacar pelo talento (mais do que pela beleza) foi Karen Elson. A inglesa já começou desfilando para grandes grifes de haute couture com sua “cabilêra” vermelha. Yves Saint Laurent, Louis Vuitton, Gianni Versace, Christian Dior, Burberry e Chanel já escalaram a bela e inúmeras publicações já estamparam seu rostinho nas capas. É dela, plus Raquel Zimmermann, o divertidíssimo vídeo da Lanvin Fall Winter 2011/12 featuring Pitbull.
Ok, ritmo não é o forte. Meio andrógina e muito branquela, a linda ganhou notoriedade quando se casou com Jack White numa canoa ali no rio Amazonas. Sim, pessoas: ser tupiniquim é style. Karen e Jack se conheceram quando a modelo apareceu no vídeo de “The Blue Orchid” do White Stripes e a modelo, além de roubar a cena, roubou o marido de Meg White. Mas veja só a modernindade do ex-casal: quando Jack resolveu se casar com Karen, convidou a ex-mulher pra ser Dama de Honra.
Da união, nasceu o melódico folk-gótico “The Ghost Who Walks” – primeiro álbum solo produzido pelo maridón hype. O disco recebeu excelentes críticas e Karen foi bastante elogiada por suas composições e arranjos. Apesar de já ser vocalista e produtora da banda nova-iorquina The Citizens Band, Karen se consagrou mesmo com o lançamento do “filho solo”. As canções navegam do folk ao bluegrass com pitadinhas de indie rock e country. Selecionei as minhas 3 favoritas e espero muito que vocês gostem. Sonzinho de primeira qualidade vindo de alguém que soube explorar melhor o conteúdo à forma.