Yeah Q.I. é uma série de entrevistas com as mesmas 7 perguntas e um tema escolhido a cada 3 convidados. O primeiro participante convida o segundo, que convida o terceiro, que fecha o ciclo escolhendo o próximo tema. Assim o projeto ganha vida própria e nos permite conhecer pessoas e histórias interessantes. Esta coluna é sobre amizade; sobre conhecer pessoas novas. A participação dos leitores é muito bem-vinda através de comentários e sugestões de temas e/ou convidados. Espero que vocês se divirtam!
Desculpem pela demora em postar, mas como a própria Tulipa Ruiz disse, vamos fazer de conta que ainda estamos no tempo das cartas. Dona de uma voz sensacional e marcante ela lançou o primeiro disco “Efêmera” em 2010. Quem ainda não ouviu deveria ir correndo agora pro myspace dela. Música boa e muito bem trabalhada, quero um show no Recife! Além das músicas, ela tem um tumblr onde posta seus desenhos criados no paintbrush. Esse acabou virando a capa do disco!
1- Se você pudesse voltar no tempo, voltaria para que ano?
Voltaria para 1961. Queria ser uma pulguinha, só pra observar a turma do Grupo Fluxus experimentando coisas com ruídos e performances. Tentaria ficar amiga do John Cage, da Yoko Ono e do Nam June Paik.
2- O que te traz boa sorte?
Manhãs com sol e neblina.
3- Uma obra artística que marcou você? (Um filme, livro, etc…)
O curta-metragem “O Balão Vermelho”, do diretor Albert Lamorrise. É a história de amor entre um menino e seu balão. Ou entre um balão e seu menino. Comovente de tão bonito. E efêmero…
4- Esquerda, direita ou centro?
Todas as direções e todas as possibilidades.
5- O que faz você manter uma amizade e acabar uma amizade?
Identificação, sintonia nos papos, senso de humor e intimidade são coisas que me vêm à cabeça quando penso em meus amigos. Essas coisas podem parar de acontecer e isso é natural. As cabeças mudam, a gente se transforma, amadurece, envelhece ou até mesmo se infantiliza. As amizades que acabam também são importantes. Como qualquer tipo de amor.
6- Algo a dizer sobre “Comida”?
Quem não come não pára em pé.
“Parar com os industrializados e beber muita água” por Tulipa Ruiz
7- Defina um tema para o próximo ciclo de entrevistas.
O tema é “Minha emoção mais recente”. Em tempos de piloto-automático é sempre bom falar das coisas que nos fazem lacrimejar.
Adriano Marcusso, arquiteto, designer e ilustrador do Estúdio Mola (PE) e do Supercapusula (PE), Traduz no Yeah! Q.I. (onde artistas “traduzem” visualmente alguma resposta da nossa série de entrevistas). Quem quiser participar é só entrar em contato pelos comentários.
3- Uma obra artística que marcou você? (Um filme, livro, etc…) Tathi - Putz, várias. Eu vou citar a que estou escutando agora e escuto desde 2001 (conheci apenas dois anos depois do lançamento) – 69 love songs do Magnetic Fields.
Aninha - Sabia que Tathi ia falar isso…
Thiago Pethit lançou em março desse ano seu primeiro disco, “Berlin, Texas”, que foi muito bem recebido. Ele já vem desde o seu primeiro EP despontando na cena indie/folk brasileira como um dos principais cantores e tocou em Recife no festival No Ar Coquetel Molotov 2009 junto com Tiê. Achei muito foda a arte criada pelo Renan Costa Lima para o disco (que também criou o encarte maravilhoso do Uhuu! do Cidadão Instigado). Não conheço Thiago Pethit pessoalmente (apenas falei um “oi” no No Ar 2009) mas é engraçado que como temos alguns amigos em comum, como Aninha e Tathi do Coquetel Molotov e a Dani Arrais do Don’t Touch My Moleskine. Thiago começou sua carreira artística no teatro e ainda traz influência desse começo na sua carreira musical. Ouvi bastante o MySpace dele e gosto muito quando ele canta em inglês e francês. Próxima vez que for a São Paulo, irei a um show!
1- Se você pudesse voltar no tempo, voltaria para que ano?
Nossa. Voltaria para 1895 para ver a primeira exibição pública de cinema, depois dava um salto para os anos 30 para ver alguma peça do Brecht na Alemanha, depois pulava de novo até 1945 em Nova York pra ver os soldados comemorando a volta da Guerra, então ia direto pro Woodstock… e voltava pra duas semanas atrás, no lançamento do meu disco, só pra curtir um pouco mais, outra vez. hahah
2- O que te traz boa sorte?
Sou muito supersticioso. Tanto que até me irrita. Mas eu respeito essa bobagem, porque vai que… Tenho um par de chaves, das portas do prédio e apartamento onde morei em Buenos Aires, que eu acredito me trazer sorte. Inventei isso. Haha Um par de meias pretas que tenho. Uma cueca. Uma palavra que penso na virada do ano. Vixe. É tanta coisa. Alguns amigos… Até a Ana Garcia, eu acho que me traz sorte. haha
3- Uma obra artística que marcou você? (Um filme, livro, etc…)
“La Notte” do Antonioni assisti umas 7 vezes no cinema aqui em São Paulo. “O Jogo da Amarelinha” do Cortazar. E a montagem de “As Bacantes” do Teatro Oficina.
4- Esquerda, direita ou centro?
Depende de onde venho e pra onde vou. Se estiver perdido, procuro o Centro e de lá me oriento. haha
5- O que faz você manter uma amizade e acabar uma amizade?
Admiração mútua me faz ser fiel a uma amizade. A falta disso é o que acaba com tudo.
6- Algo a dizer sobre “Comida”?
“Só duas coisas tem valor na vida: comida e bebida”
Thiago Pethit e Tiê - Essa Canção Francesa
7- Quem você indica para ser o próximo entrevistado?
Indico a Tulipa Ruiz, por curiosidade de ler as respostas dela, ela sempre me surpreende.
Daniel Pinheiro, designer e ilustrador do Estúdio Mola (PE), Traduz no Yeah! Q.I. (onde artistas “traduzem” visualmente alguma resposta da nossa série de entrevistas). Quem quiser participar é só entrar em contato pelos comentários.
6- Algo a dizer sobre “Morte & Sexualidade”?
Todo mundo deve morrer de vez em quando e transar sempre que der.
Morrer e Transar do Heitor Freitas traduzido por Daniel Pinheiro.
Estou quebrando, ou melhor, dobrando as regras do Yeah! Q.I. um pouco. Queria muito entrevistar as meninas do Coquetel Molotov, Aninha e Tathi, e não poderia escolher uma só. Resolvi que as duas responderiam juntas, e como Aninha disse no final da entrevista “sintonia é foda.” Não me arrependi, com certeza é uma das melhores entrevistas do Yeah! Q.I.
Conheço as duas já faz muuuuito tempo, desde a época da Non-Stop, uma festa indie-alternativa que rolava no Recife. Ambas hoje são muito conhecidas pelo seu trabalho (junto com Jarmeson) no coletivo de produção cultural Coquetel Molotov. Organizam o melhor festival de música de Pernambuco (na minha humilde opinião), o No Ar Coquetel Molotov. Editam uma revista de mesmo nome, têm um programa no rádio e um site, além de se dedicar a outros projetos como a Invasão Sueca, o Virtuosi e o Rec-Beat. São incansáveis, heheheh! Conhecendo-as, sei que não fazem isso pela grana, nem pelo status ou pelo trabalho em si. Fazem isso tudo e muito mais pelo amor à música, porque é divertido, fazem o que estão curtindo fazer e amam isso. Já falaram que se fossem escolher bandas pro No Ar pensando apenas no público que essas bandas poderiam chamar, não fariam mais o festival. Uma coisa realmente impressionante que o festival criou em Recife (desde 2004) foi a cultura de ir para os shows sem conhecer quem vai tocar. São poucos festivais no mundo que conseguem isso, lotar os dois dias de shows, trazendo um line-up de bandas pouco conhecidas pelo público. Mas as pessoas vão, e hoje em dia pedem isso, pedem para serem surpreendidas. Desde 2005 trabalhamos juntos, o Coquetel foi o primeiro cliente do meu escritório de design, a mooz. Muitos sites, revistas e festivais depois, continuamos juntos. Antes de tudo sou fã do trabalho delas e isso ajuda muito. Como já disse pra elas um dia, adoro fazer as coisas pro Coquetel, pois eu sou 100% o público. Se não fica fácil, pelo menos fica muito mais divertido! hehehe
1- Se você pudesse voltar no tempo, voltaria para que ano? Tathi - Estou bem em 2010. Aninha - Voltaria aos meus 19 anos, quando tive a minha filha Diana. Teria aproveitado mais cada segundo com a minha filha. Não sabia que o tempo passava tão rápido. Saudade do bafinho de leite que ela tinha com poucos meses. Mas estou curtindo muito agora que ela tem quase 10 anos.
2- O que te traz boa sorte? Tathi - Acredito que boas energias trazem boa sorte. Não acreditava muito no poder do “karma”, mas tenho notado que quando consigo me concentrar mais em coisas boas, mais coisas boas aparecem na minha vida. Aninha - Bem… ninguem sabe, mas eu ando com um colarzinho que foi de vovó. Com certeza ela me traz boa sorte.
3- Uma obra artística que marcou você? (Um filme, livro, etc…) Tathi - Putz, várias. Eu vou citar a que estou escutando agora e escuto desde 2001 (conheci apenas dois anos depois do lançamento) – 69 love songs do Magnetic Fields. Aninha - Sabia que Tathi ia falar isso… O livro Abduction, sobre um psiquiatra da Harvard que entrevistou vários pacientes que foram abduzidos por ETs e fez um livro baseado em poucas histórias. Nossa, achei aquele livro foda. Eu tenho um pedaço de metal na minha coxa e não sei como isso foi parar ali, então sempre suspeitei que tivesse sido abduzida. Também esqueço muito das coisas… Ou isso é memória seletiva?
4- Esquerda, direita ou centro? Tathi - Esquerda, direita e centro. Aninha - Direita… um pouco pra cima e pra direita… isso… assim…
5- O que faz você manter uma amizade e acabar uma amizade? Tathi - Tem que ser algo muito sério para isso acontecer. Sempre me mudei muito, então não tenho tantas amigas assim. Não tenho facilidade de fazer novas amizades também, o que só me faz valorizar mais os amigos que tenho. Teve uma pessoa que foi muito amiga e até hoje é bastante importante na minha vida. Nossa relação ficou bastante desgastada, por vários motivos (muitos até tolos), e acabei perdendo a amizade dela. Mas ainda tenho muito carinho por ela. Aninha - Confiança.
6- Algo a dizer sobre “Comida”?
Tathi - Italiana. Adoro. Aninha que é uma excelente cozinheira. Lembro que ela fazia um frango ao molho de manga delicioso. Nunca mais ela cozinhou para a gente, aí sim.. deveria resgatar isso do passado. Tem uma receita, que tirei de uma música de Rita Lee, que é bem gostosa.
Meia xícara de chá de azeite
Duzentas gramas de lingüiça calabresa,
Uma cebola picadinha
E um pouco de salsinha
Quatro tomates batidos no liquidificador
Dois pimentões vermelhos
Duas colheres de sopa de massa de tomate
Um tablete de caldo de carne em banho-maria
Maria
Em fogo brando, uh
Maria
E está pronto para servir Aninha - Gosto de comida… ser comida pelo meu namorado. Não vou passar a receita…
Rita Lee - Macarrão com Linguiça e Pimentão
7- Quem você indica para ser o próximo entrevistado? Tathi - Thiago Pethit. Ele é maravilhoso. Aninha - Sintonia é foda, indico Pethit também.
Daniel Edmundson é sempre o "estrangeiro" por onde quer que passe. Designer e ilustrador, desde 2005 se dedica à mooz, onde às vezes gosta de trabalhar. Yo!