Embora não seja mais uma cria de JJ Abrams, a série Game of Thrones tem tudo para ser um novo Lost. Calma, se você for um “lost addicted”, me refiro à enorme adesão que o novo produto HBO vem conquistando. Como um rolo compressor de espectadores, a saga arrebata fãs fervorosos apenas com o primeiro episódio. Ao terminar há pouco nos EUA, a primeira temporada de dez capítulos deixou muita gente sedenta. Gente como eu.
Antes de continuar, preciso comentar que eu resisti muito para ver a nova série da moda. Primeiro por causa do nome Jogo dos Tronos, da associação com guerra, de acontecer na idade média e da quantidade de violência: cheirava a testosterona demais pra mim. Mas bastaram os primeiros 60 minutos (tempo de cada episódio) para mudar drasticamente de opinião.
Começa com o impacto visual, pois Game of Thrones está bem mais para cinema do que para vídeo. Na verdade, a série não economiza em nada: qualidade de imagem, locações, figurino, personagens, tudo é épico. Despretensão passou longe. E ainda assim, não é uma série de efeitos especiais. As pessoas, os papeis que elas desempenham, suas escolhas boas ou ruins, suas motivações e formas de lidar com os diversos níveis de poder, essas sim são as estrelas da série. São várias histórias acontecendo em paralelo, num mundo em que um inverno pode durar 40 anos.
Bom, mas o que você fazia em 1994? Foi nesse ano que George R.R. Martin desistiu de ser roteirista de televisão e começou a escrever a saga, que deve terminar no sétimo volume. São As Crônicas de Gelo e Fogo, o primeiro é A Guerra dos Tronos e o segundo, A Fúria dos Reis. Eis que 17 anos depois de abandonar a TV, Martin volta a ela com a obra adaptada, um livro para cada temporada. Quem tem lido os calhamaços de 600 páginas conta que a ansiedade de continuar é a mesma. São tantos fãs pelo mundo, que o escritor, jornalista e romancista, foi recentemente considerado um dos 100 homens mais influentes do mundo pela revista Times.
O detalhe é que ele poderia muito bem ter saído de Westeros, o mundo de fantasia que criou.

Se você começou ou vai começar a ver a série agora, gostaria de lhe dar um conselho: não se apegue a nenhum personagem. Sabe quando um filme tem um herói e ele passa pelas “mais incríveis aventuras”, mas você sabe que ele permanecerá intacto porque é o protagonista ou porque precisa cumprir sua missão para depois deixar a vida triunfalmente no final? Não, não funciona aqui.
A dança dos personagens é impressionante. Uns ganham destaque num episódio, outros crescem em outros capítulos. E tem aqueles que, dá pra sentir, vão brilhar mais pra frente (e eles não necessariamente são humanos, vide os lobos gigantes). Tem a rainha má que já amargou um amor não-correspondido, tem o cara cheio de honra que traiu a mulher, tem a irmã que é obrigada a casar-se e inverte a situação. Como na vida, não há estabilidade para as pessoas de Game of Thrones: ora eles estão f%#@, ora estão muito bem.
Carinho especial (por enquanto) pelo anão Tyrion, que, consciente da sua desvantagem física – e social, por consequência -, resolve tirar proveito disso cuidando do intelecto, e para a pequena Arya (foto acima), uma menina que não quer ceder à sua condição convencional de mulher. Para quem já é fã, resta se entreter até a segunda temporada, em 2012, com os produtos relacionados como a HQ e o jogo de tabuleiro. Vai encarar?
PS: Tenho certeza, não me decepcionem, que esse é o tipo de post que irá se completar nos comentários, com impressões de outros fãs, inclusive integrantes d’A Prancheta :)






Márcia Lira é jornalista e planejamento digital. Apaixonada por internet, livros, cinema, tecnologia, séries, fotografia e pessoas - numa ordem variável.














Engraçado você comparar Game of Thrones a Lost e depois falar pra ninguém se apegar a nenhum personagem. Essa foi uma característica muito marcante em Lost. Acredito que grande parte das mortes mais chocantes (e emocionantes) da tv ocorreram na saudosa ilha. Game of Thrones veio pra briga. :)