Seriados são as minhas novelas. Não saio vendo ocasionalmente, como faço com filmes. Tento escolher bem porque se a série me pegar, acabou-se. Vicio mesmo, acompanho capítulo a capítulo na ordem cronológica, fico ansiosa. Então eu comecei a ver True Blood disposta, mas ao mesmo tempo descrente de mais uma história de vampiros.
Sendo que True Blood é sensacional. E eu vou justificar o adjetivo. A abertura da série para começar.
Primeiro que a série escrita, produzida e dirigida por Alan Ball, criador de A Sete Palmos, surgiu em meio a várias manifestações vampirescas, vide Crepúsculo e outros, e ainda assim conseguiu se sair diferente. Em meio a uma geração de vampiros acéfalos ou assexuados, eles resgatam a personalidade sedutora dos protagonistas do clássico Entrevista com o Vampiro. Filme que é referência pra mim, com toda a atmosfera sombria e sensual de Lestat e companhia.
Então True Blood não é nada careta. Em vários momentos, eu me surpreendi: quando achava que eles não iam mostrar uma cena, ela aparecia lá. Sexo e sangue, muito sangue, surgindo das mais inusitadas formas, são partes integrantes de todos os episódios. Os vampiros voltaram a ser sensuais, maliciosos, superiores, como é natural que seja qualquer ser que possa viver para sempre. Não é à toa que essa foi a capa da Rolling Stone norte-americana.
Mas eles são muito mais do que isso. Eles são uma sociedade montada numa estrutura complexa de hierarquia, que convive em harmonia com os humanos, desde que japoneses criaram uma espécie de sangue sintético usado como alimento, e lutam pela conquista política – com direito a debates em rede nacional – de direitos iguais. Qualquer semelhança com povos diferentes que tentam chamar atenção para suas peculiaridades e necessidades no mundo não há de ser mera coincidência.
Enquanto isso, numa cidadezinha de Louisiana, a impulsiva da Sookie (Anna Paquin) se apaixona pelo vampiro old school Bill Compton (Stephen Moyer), dando início a toda sorte de acontecimentos no lugar. Desde dentuços revoltados que querem dominar a área até outros seres não-humanos, especialistas em sugar a energia de pessoas hipnotizadas em sessões de bacanais ao ar livre.
Estamos aguardando o início da 4a temporada e a fauna só aumenta na série. Mas os personagens fixos de True Blood é que são especiais. Basta uma dezena de episódios para descartar estereótipos, eles estão longe de ficar no bem ou no mal. Alguns a gente adota no coração como Lafayette (Nelsan Ellis), um gay negro afeminado e charmoso, cheio de jogo de cintura com a vida, além da mão forte quando se faz necessário. Laffayette vai de cozinheiro a traficante de sangue de vampiro sem perder a pegada.

Ainda tem o time perfeito da expectativa para terminar um episódio e a trilha sonora. Eu gosto de seres fantásticos, sombrios, histórias estranhas, mas o que mais me atrai em True Blood é que consigo encarar a série como uma representação do mundo surtando onde estamos. Quando acaba um episódio, eu fico viajando na maluquice que acabei de assistir. Não é uma sensação muito distante de quando me sirvo das notícias do dia.

















Waiting sucks!!!!