Quando você pensa que já viu de tudo com projeções, dá de cara com esse clipe sensacional e super simples, pelo menos em relação a ideias e equipamentos. É tudo tão bem feito, que você até esquece que o cara tá entre duas paredes e andando numa esteira. De certa forma, me lembra os lindos clipes em stop motion de Strawberry Swing e My Morning Elegance, que já rolaram no blog (aqui e aqui, respectivamente).
Quase esqueço de citar o nome da banda e da música, que, confesso, não me chamou muita atenção. De qualquer forma, palmas para os suecos da Willow e fiquem com o clipe de Sweater.
Depois de produzir belíssimos registros dos shows do No Ar Coquetel Molotov 2011, eternizar a memorável performance de Karina Buhr no Abril pro Rock e nos apresentar algumas bandas de Recife e Salvador, a Bateu Castelo ataca em novo terreno: videoclipes. A princício, parece um caminho óbvio, mas a realidade é que a produtora é muito mais que música e a diversidade de seu portfólio sempre impecável prova isso.
De qualquer forma, o que importa é que os caras se aventuraram meio por acaso e nos trazem agora o lindo clipe da música Lust is Poison, primeiro trabalho da dupla Cassady, formada por Nicola Sultanum e Rodrigo Coelho. Para completar o pacote, o som dos caras é uma grata surpresa que nos faz esquecer que vieram do Recife. Aos radicais, peço calma. Isso não é uma crítica à cidade, apenas um fato. Muitas bandas apostam no inglês, mas têm algo de local no som. Isso também pode ser muito legal, às vezes, mas definitivamente não é o caso da Cassady.
Não é exatamente hip hop. Nem grime, nem dub, nem indie. Ghostpoet é tudo isso ao mesmo tempo. Inglês de raízes nigerianas e dominicanas, Obaro Ejimiwe faz bem aos ouvidos de quem gosta de sons esfumaçados com um pé na eletrônica. Coisa do tipo Massive Attack e Tricky. Seu álbum de estréia, Peanut Butter Blues & Melancholy Jam, foi incensado pela imprensa musical britânica e tem lugar garantido na minha lista de melhores do ano.
Obaro é dono de uma voz especial. Com um flow sonolento, grave, de divisões pouco usuais (talvez por conta da língua plesa). Algo próximo ao spoken word de Gil-Scott Heron, que soa ao mesmo tempo estranho e atraente. A banda enxuta (apenas guitarra, synth e bateria) cria bases minimalistas que não se prendem a um único estilo. O primeiro single “Cash And Carry Me Home” é meio dubstep e fala sobre preocupações existenciais que surgem em situações de excesso alcoólico.
A última faixa do disco, “Liiines”, é o segundo single. Ouvindo os dois na sequência dá pra sacar como Ghostpoet é versátil. Aqui a parada é mais rock, com bateria orgânica e guitarras distorcidas. O que dá a liga é mesmo a voz. Nos dois clipes rola um cuidado na direção de arte, onde a sutileza vale mais que a pirotecnia. O making of de “Liiines” segue logo abaixo do clipe. Pra baixar o disco é só clicar aqui. Clica logo e para de reclamar que não tem nada de novo rolando na música.
Cee Lo Green é a grande voz do pop na última década. Estourou no mundo todo em 2006 com o mega hit Crazy, carro chefe de St. Elsewhere, disco de estreia do Gnarls Barkley, projeto em parceria com o produtor Danger Mouse. Nessa época, eles causaram no MTV Movie Awards europeu, fantasiados de personagens da saga Star Wars. O batera vestido de Chewie é impagável.
Dois anos depois, a dupla voltou com The Odd Couple. Não bateu o sucesso do primeiro disco, mas rendeu 3 clipes muito legais: Going On, Who’s Gonna Save My Soul e Run. Este último, com participação especial do Justin Timberlake, foi banido das emissoras de TV americanas por trazer efeitos estroboscópicos que podiam causar ataques epilépticos. Na grande maioria das pessoas, só dá mesmo é vontade de dançar. Assista por sua conta e risco.
A dupla promete um disco novo para 2011. Mas, enquanto a bolacha não vem, Cee Lo segue apresentando seu ótimo álbum solo, The Lady Killer. Tava tudo certo para ele vir tocar no Brasil mês passado, no Urban Music Festival. O show foi cancelado em cima da hora sem maiores explicações. Uma pena. As performances do cara costumam ser incríveis. No Billboard Music Awards desse ano, teve até piano de cauda voando e dando cambalhota no ar.
Agora em julho, Cee Lo Green é o personagem Distilled da Absolut. Vai interagir com os fãs através de posts no Facebook da vodka. Lá também tem um mini doc em duas partes sobre o artista, onde ele fala sobre suas referências, seu processo criativo e sua carreira. A parte 1 já tá disponível. A parte 2, só na semana que vem. Se quiser um esquenta, o trailer tá aí embaixo.
Esse negócio de marido e mulher na mesma banda às vezes dá certo. As melhores coisas dos Mutantes, por exemplo, foram produzidas quando Rita e Arnaldo estavam juntos. Lennon gravou bons discos com a maleta Yoko do lado, com seus gritinhos histriônicos e tudo. Paul se deu um pouco melhor. Além de gatinha, Linda ainda roubava um dó-ré-mi nos teclados. A relação entre Ike e Tina Turner não era das mais saudáveis, principalmente para ela, mas, rendeu grandes canções apesar dos hematomas. E tem também Thurston & Kim que continuam firmes e fortes no Sonic Youth, por um mundo mais sujo e barulhento.
Por esses dias conheci outro casalzinho que funciona musicalmente bem. O Peaking Lights, formado por Indra Dunis (voz, teclados) e Aaron Coyes (beats, guitarras), faz dub lo-fi psicodélico segundo eles mesmos. O segundo disco, 936, tem um som tosco de gravação caseira. As letras são curtas e as melodias de voz se repetem num quase mantra que gruda no ouvido. Tudo isso sobre bases com baixo distorcido, tecladinhos mixurucas e muito delay. Destaque para Tiger Eyes (Laid Back) com sua deliciosa guitarrinha western e a hipnótica All The Sun That Shines, que você pode conferir no clip abaixo. Aperte os cintos e boa viagem.