
Não é exatamente hip hop. Nem grime, nem dub, nem indie. Ghostpoet é tudo isso ao mesmo tempo. Inglês de raízes nigerianas e dominicanas, Obaro Ejimiwe faz bem aos ouvidos de quem gosta de sons esfumaçados com um pé na eletrônica. Coisa do tipo Massive Attack e Tricky. Seu álbum de estréia, Peanut Butter Blues & Melancholy Jam, foi incensado pela imprensa musical britânica e tem lugar garantido na minha lista de melhores do ano.
Obaro é dono de uma voz especial. Com um flow sonolento, grave, de divisões pouco usuais (talvez por conta da língua plesa). Algo próximo ao spoken word de Gil-Scott Heron, que soa ao mesmo tempo estranho e atraente. A banda enxuta (apenas guitarra, synth e bateria) cria bases minimalistas que não se prendem a um único estilo. O primeiro single “Cash And Carry Me Home” é meio dubstep e fala sobre preocupações existenciais que surgem em situações de excesso alcoólico.
A última faixa do disco, “Liiines”, é o segundo single. Ouvindo os dois na sequência dá pra sacar como Ghostpoet é versátil. Aqui a parada é mais rock, com bateria orgânica e guitarras distorcidas. O que dá a liga é mesmo a voz. Nos dois clipes rola um cuidado na direção de arte, onde a sutileza vale mais que a pirotecnia. O making of de “Liiines” segue logo abaixo do clipe. Pra baixar o disco é só clicar aqui. Clica logo e para de reclamar que não tem nada de novo rolando na música.






















