Esse ano promete boas risadas. Mal começou e já estou ansioso por 3 comédias que provavelmente vão me deixar com a barriga doendo de tanto rir.
Youth in Revolt é uma comédia romântica com Michael Cera, o cara bonzinho que nunca conquista a mulher. Mas tudo muda quando ele desenvolve uma segunda personalidade para lidar com as garotas. Atenção à cena do carro no trailer, simplesmente genial.
Kick Ass é mais uma comédia com os nerds que não conquistam garotas. Mas aqui eles decidem virar superheróis. Quem precisa de superpoderes afinal? Muito boas as cenas com Nicolas Cage e a menina de 500 dias com ela. As melhores estão em teasers no YouTube. Procurem lá.
E para terminar, Hot Tube Time Machine, uma comédia sobre viagem no tempo. Quatro amigos vão parar nos anos 80 e, como diriam nossos amigos da Sessão da Tarde, vai rolar muita confusão.
No início do ano, provavelmente navegando sem rumo certo, esbarrei num poster de Where the Wild Things Are e fiquei fascinado. Na época eu não fazia ideia do que era, mas pesquisando um pouquinho descobri que se tratava do novo filme de Spike Jonze, diretor dos excelentes Adaptação (Adaptation, 2002) e Quero Ser John Malkovich (Being John Malkovich, 1999). Descobri também que é baseado num aclamadíssimo livro infantil de 1963, escrito e ilustrado por Maurice Sendak.
Desde então a espera do filme parece interminável e fui matando a vontade aos poucos com as belíssimas imagens que começaram a circular pela internet e com o trailer, que ao som de Wake Up, do Arcade Fire, deixa qualquer um arrepiado. Essa música, por sinal, tem muito a ver com o espírito do filme e fala do mundo, de infância, inocência, mentiras e fantasia. Combinação perfeita.
Where the Wild Things Are conta a história de Max, um garoto sensível que se sente incompreendido em casa e vai para uma ilha selvagem, onde vivem os montros. Lá ele conhece criaturas estranhas e acaba se tornando rei, prometendo criar um lugar onde todos serão sempre felizes. Com o tempo, Max descobre que reinar não é algo tão simples e que relacionamentos são muito mais complicados que imaginava.
Max é interpretado pelo ator de 12 anos Max Records e o elenco conta ainda com Catherine Keener no papel da mãe e Mark Ruffalo como o namorado. As vozes dos monstros são de Paul Dano, Catherine O’Hara, James Gandolfini, Chris Cooper e Forest Whitaker, entre outros.
Infelizmente o filme estreou nos cinemas americanos em 16 de outubro e só chega aqui em janeiro do ano que vem. Mas olhando pelo lado bom, falta apenas um mês. Para esquentar, a editora Cosac Naify lançou o livro em português há uns 2 meses e você pode comprá-lo na loja virtual por R$49,00. Eu vou esperar pra ver o filme primeiro.
Saiu o trailer de Nowhere Boy, filme baseado no livro Imagine: Crescendo com O Meu Irmão John Lennon (Imagine This: Growing Up with My Brother John Lennon), de Julia Baird. O filme mostrará a adolescência de Lennon em Liverpool, os problemas com sua mãe e sua tia, a amizade com Paul McCartney e o início dos Beatles. Kristin Scott Thomas faz o papel da tia que o criou e John é interpretado pelo ator Aaron Johnson, que não faço a mínima ideia de quem é.
Quando soube do filme, fiquei com um pouco de receio por se tratar de uma personalidade que admiro muitíssimo, mas gostei bastante do trailer. Agora é esperar pra ver.
Assisti a um filme ontem que me surpreendeu. Arrebatou-me de jeito. E tenho quase certeza que o ano terminará sem que isso aconteça novamente. E o mais impressionante é que o filme é protagonizado por ninguém menos que Jean-Claude Van Damme. Sem dúvida alguma uma das figuras mais marcantes e presentes na minha infância. ”O Grande Dragão Branco”, “Kickboxer – O Desafio do Dragão”, “O Alvo”, “TimeCop – O Guardião do Tempo”, “Morte Súbita”, são alguns dos exemplos que fizeram parte da vida de qualquer garoto no final dos anos 80, e durante boa parte da década de 90. Ele realmente era demais! Mas eu, como todo garoto, cresci, e deixei para trás um mundo descompromissado e repleto de inocência. Ao passar por essa fase, tudo aquilo que se deixa para trás é esquecido.
Jean-Claude Van Damme fazia parte desse mundo que foi deixado para trás. E sinceramente, senti saudades. Saudades dos tempos em que acordava às 5 da manhã e via filmes antes de ir para escola. Filmes que hoje acho ridículos. E sei que não deveria, porque tenho certeza que cumpriram os seus devidos papéis. E junto com a bagagem, e a capacidade analítica adquirida com o tempo, vem às vezes a chatice. Algo que tento ao máximo não me contaminar. Gosto de cinema e pronto. E Van Damme é isso: Cinema. Na maioria das vezes, um cinema bem ruim. Mas o que o difere de outros tão ruins ou mesmo piores que não recebem o mesmo estigma? Vai saber… o engraçado é que Jean Claude Van Damme (sim, aquele mesmo de filmes de lutas. Você não está lendo errado) é um ator ultrapassado, decadente, que tenta ganhar a vida encarnando os mesmos personagens em histórias pra lá de clichês. Até ontem, era exatamente o que achava. Mas tudo mudou depois de ver o belíssimo filme JCVD (JCVD, 2008). Sim, as iniciais do lutador/ator nascido na Bélgica.
O filme inicia-se com Van Damme fazendo o que faz de melhor: meter porrada em quem aparece pela frente. Através de um plano seqüência, o filme já demonstra de imediato que todo o preconceito tem que ser deixado de lado, e que algo diferente estava para acontecer. Depois de toda pancadaria, escutamos um “corta!” e percebemos que tudo não passava de uma filmagem. Em seguida, Van Damme, exausto, exclama: “não funcionou, não funcionou… é muito difícil pra mim fazer tudo em uma só tomada. Porra, vocês sabem, eu tenho 47 anos”. É através dessa simples fala que se encontra toda a beleza do filme. Durante 90 minutos ficamos encantados com tamanha honestidade que o ator descarrega sobre os nossos colos. A coragem de se expor ao fracasso e a decadência chega a ser louvável. Por um momento me senti culpado por tanta dor e sofrimento. Já que fiz parte do enorme grupo que o deixou para trás.
JCVD é um filme que brinca com a ficção e a realidade, passeando pela linha limítrofe que as separa. Esse sem dúvida é o ponto mais alto da película. A verdade aparece aos poucos, às vezes através de diferentes pontos de vista. Assim como a vida. E é exatamente por isso que o filme funciona tão bem. Jean Claude Van Damme manifesta seus sentimentos de decepção que tem por si. Conta as suas mágoas e os seus erros com extrema honestidade. E deixa claro que gostaria ter feito tudo diferente. Mas nem sempre sabemos onde tem verdade, e onde tem interpretação. E é por essa dubiedade que posso dizer sem medo: Que atuação! Jean Claude Van Damme não apenas interpretou o papel da sua vida, como fez da sua vida o seu grande papel.
Jean Pierre e Luc Dardenne são dois cineastas belgas que sempre procuram respostas para o sofrimento das pessoas mundanas. Buscam reações adversas à realidade social que se encontram. Os valores morais são a principal arma da dupla para encarar a complexidade dos seus personagens.
Depois de serem reverenciados na Bélgica em 1996 pelo filme “A Promessa” (La Promesse), foi a vez do mundo ficar diante da genialidade e humanismo dos irmãos pelo maravilhoso e doloroso “Rosetta”; o filme foi vencedor da Palma de Ouro (Palme d´Or) no Festival de Cannes em 1999, desbancando consagrados cineastas como David Lynch (A Historia Real) e Takeshi Kitano (Verão Feliz). A Bélgica assim teria pela primeira vez o prêmio tão cobiçado do cinema. Seis anos depois, os irmãos Dardenne foram novamente agraciados com a Palma de Ouro pelo extraordinário “A Criança” (L´Enfant).
Mas foi mesmo em “Rosetta” que os irmãos Dardenne determinaram suas identidades cinematográficas e criaram uma proposta de implementar na forma e conteúdo dos seus filmes um realismo social brilhante. Os seus filmes seguintes, “O Filho” e o já citado “A Criança”, são exemplos dignos de uma maestria atrás das câmeras.
Rosetta é uma jovem que mora em um acampamento de trailers e não consegue se fixar em um emprego por muito tempo. Enquanto isso divide seu tempo em criar saídas para se sustentar e deixar a sua mãe longe das bebidas. Emilie Dequenne (prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes), em sua estréia como atriz, personifica a ambigüidade da personagem oscilando as atitudes entre o jeito ainda adolescente de se viver e as responsabilidades de um adulto imposta pelas circunstâncias. Esta oscilação é mostrada pela forma infantil que reage ao descobrir que foi demitida. Não entende ela como pôde ser demitida se trabalha tão bem. É como se uma criança estivesse sendo castigada por ter feito o dever de casa. Ela se deita no chão, foge dos seguranças – não quer sair. Em contraponto, é determinada ao colocar comida em casa, pagar o aluguel e ficar de olho na mãe, praticamente expulsando de sua casa um homem que arrumava para sua mãe bebida em troca de sexo.
A personalidade de Rosetta é determinante para que a história seja contada. Ela é dona de si e não leva desaforo pra casa. É mal humorada, não dá um sorriso qualquer. Como todo adolescente que é forçada a ser independente. Rosetta quer apenas ter uma vida normal. Ela não quer apenas sobreviver, quer ter uma vida de verdade. Enquanto alguns buscam aventuras, Rosetta busca a rotina de uma vida satisfatória, onde assim, possa ter tempo e espaço para outros pensamentos, quem sabe sonhos. E para alcançar isso, coloca na cabeça que a única forma para conseguir é arrumando um emprego, mesmo que tenha que passar por cima dos outros, trair aqueles que apenas queriam ajudá-la.
O mais brilhante na forma que os irmãos Dardenne filmam é a proximidade da história com o espectador. A câmera na mão passeia dentre aquelas pessoas como se personagens desta fossem. Esse realismo é alcançado pela ausência dos elementos que compõe o cinema atual: a montagem mais dinâmica cheia de cortes, a fotografia composta por planos mais criativos e iluminações mais trabalhadas, com intuitos mais artísticos. Jean Pierre e Luc Dardenne querem contar uma história real mesmo que esta não seja. Ao menos objetivam essa identificação do cinema mais simples e cru. Por isso da escolha de atores iniciantes ou mesmo que nunca trabalharam na profissão. Em “O Filho”, o mesmo acontece, o até então desconhecido Olivier Gourmet, nunca tinha feito um personagem principal – ele faz uma ponta como o chefe de Rosetta.
No filme em questão, os irmãos vão além, ele nos coloca não só dentro do filme, passeando por aqueles cenários e personagens, mas vivendo intensamente tudo aquilo que a garota passa. O cinematógrafo faz escolhas bastante interessantes. Sempre que pode coloca a câmera junto de Rosetta, quase como uma tentativa se tornar um plano subjetivo, querendo claramente que enxerguemos tudo o que está passando com a personagem. Nós não somos apenas participantes do filme e sim sua sombra, suas angustias, suas dores.
Esse realismo nos deixa surpreso por estarmos tão acostumados com o cinema atual e suas mirabolantes histórias e formas de serem contadas. Seguindo uma lógica cinematográfica parecida com a de outros dois cineastas (já descritas nesse outro texto), os ingleses Michael Winterbottom (“Caminho para Guantanamo” e “Neste Mundo”) e Paul Greengrass (“Domingo Sangrento” e “Vôo United 93), os irmãos Dardenne procuram documentar um momento de uma vida ordinária, sendo esta o elemento mais importante da sua historia. E nos fazer parte disso é o objetivo a ser alcançado. Esta reapresentação fiel e direta da realidade nos faz lembrar o Neo-Realismo Italiano de Vittorio de Sica, Roberto Rosselini e Luchino Visconti.
No final das contas, Rosetta continua perdida, tentando equilibrar os seus desejos com a sua realidade e sempre buscando uma solução para seus problemas.
“Rosetta” é um filme emocionalmente devastador sobre dor, decepções e sofrimento e que às vezes uma jovem tão sobrecarregada merece apenas poder chorar.
*Texto originariamente escrito para o Concurso de Críticas Cinematográficas da Alliance Française Recife.
Eu juro que não vim falar mal. Eu só queria entender. Por que diabos uma cantora de estrondoso sucesso, que vende cds e dvds como ninguém no Brasil e ainda goza de um bom respeito como artista (mesmo cantando algumas músicas de gosto duvidoso), faria algo assim? Sério. Isso leva pra onde? Com certeza não vai conquistar mais públicos do que ela já tem.
Vendo esse teaser do longa “Ivete Stellar e a Pedra da Luz”, eu fiquei até impressionado com a qualidade da animação, que envolve apenas profissionais brasileiros, mas com nível internacional. Também não duvido que o roteiro seja bom. Deve divertir bem as crianças e a produção deve mesmo estar sendo feita com bastante cuidado. Mas não engulo de jeito nenhum Ivete Sangalo personificando uma cantora heroína que vai devolver a alegria ao mundo lutando contra um imperador malvado. Se ela quisesse atuar eu até entendia. Podia ser um sonho, sei lá. Se os Beatles, Britney Spears, Mariah Carey, Xuxa, Angélica e Os Trapalhões já brincaram no cinema, por que não Ivete? Mas animação? Será que ela tem o sonho de dublar? Será só dinheiro?
O pior é que essa não é a única aventura 3D da musa do axé. Uma série animada vem aí: a Turma da Ivetinha. Já divulgaram até os esboços das personagens. Agora é esperar pra ver.
Um amigo do diretor israelense Ari Folman contou-lhe que vinha tendo repetidamente um sonho em que era perseguido por 26 cães ferozes. Com a conclusão de que o sonho se tratava de um trauma da guerra em que os dois estiveram, mais precisamente a Guerra do Líbano de 1982, Ari surpreendeu-se por não recordar de absolutamente nada da época. Decidido a entender o que realmente aconteceu naquele período, o diretor visitou velhos amigos e companheiros de guerra para descobrir a verdade sobre a invasão israelense e sobre si mesmo.
O resultado dessa busca é Valsa com Bashir (Israrel, 2008), um documentário em animação, misturando técnicas tradicionais e 3D. De acordo com Folman, a escolha de usar animação surgiu naturalmente por não existirem imagens reais dos acontecimentos retratados no filme. Além disso, é uma maneira de aproximar o documentário dos jovens de Israel e do mundo, que sabem muito pouco ou nada sobre esta guerra. Foi uma escolha perfeita. O filme é sombrio, impactante e muito real.
Valsa com Bashir é um retrato pessoal e sincero de uma guerra covarde em que milhares de refugiados palestinos foram massacrados em Beirut pela Falange (cristã), com autorização de Israel. Até hoje não se sabe exatamente qual foi a participação dos soldados israelenses no massacre, mas a culpa, o trauma e a vergonha estão todos no filme.
PS: Assim que terminei de assistir, liguei a tv e vi Angelina Jolie lembrando a todos que hoje é o Dia Mundial dos Refugiados, pessoas que passarom por coisas terríveis e merecem muito, muito respeito.
Quando ouvi falar que Ryan Gosling (Diário de uma paixão) tinha feito um filme sobre um cara que se apaixona por uma boneca “anatômicamente correta” (não é uma bonca inflável, é uma Realdoll), fiquei completamente intrigado e louco pra assistir. A Garota Ideal (Lars and the Real Girl, 2007) já saiu há 2 anos mas só tive esse prazer recentemente, pois o filme passou longe dos cinemas de Recife e, talvez, de todo o Brasil. Também não é o tipo de filme que estampa as vitrines das locadoras e pode acabar facilmente esquecido, o que é uma pena.
Ao contar a história de Lars, um homem solitário e desiludido que mora na garagem da casa do irmão e compra uma boneca pela internet, seria de imaginar que o filme desandasse entre piadas fáceis e drama forçado, mas acontecesse justamente o oposto. A história é tão sincera e pura, que carrega naturalmente o espectador de humor extremamente inteligente a profunda alegria e tristeza em cada olhar de Gosling, que faz um trabalho impecável. Graças a ele a ao trabalho fantástico do diretor Craig Gillespie, até eu acabei me apegando a Bianca, a boneca.
Gosling merecia um Oscar, mas ele não carrega o filme sozinho. As atuações são extremamente importantes num filme com tamanha sensibilidade e aqui o resultado é perfeito. Patricia Clarkson (Dogville) está incrível como Dagmar, a terapeuta que convence a família de Lars a entrar no jogo e fingir que Bianca é uma mulher de verdade. Clarkson é responsável pelas melhores cenas de humor do filme e cada minuto com Dagmar na tela é um deleite. Por outro lado, é Emily Mortimer (Match Point) que nos faz sofrer, sorrir e amar Lars em todos os momentos. No fim, todo o elenco faz um trabalho maravilhoso e faz com que o sentimento de bondade e solidariedade de toda uma cidade que vive num mundo de fantasia de um homem desesperado por amor pareça real, mesmo diante do mundo que vemos ao nosso redor.
Cada dia gosto mais de filmes que não tem vilões, nem mesmo maldade. A Garota Ideal é amor, bondade, amizade, ilusão e superação. Um filme perfeito.
Der Baader Meinhof Komplex (Alemanha, 2008) é um filme de ficção sobre o lendário grupo terrorista Fração do Exército Vermelho (RAF – Rote Armee Fraktion), também conhecido como Baader-Meinhof.
Dirigido por Uli Edel (As Brumas de Avalon) e baseado no best-seller homônimo de Stefan Aust, o filme procurou ser o mais fiel possível aos fatos reais, utilizando gravações dos julgamentos e trechos de cartas para compor os diálogos das personagens. Aust conhecia intimamente alguns membros da RAF e por isso mesmo foi capaz de retratá-los complexos e ambíguos, longe do mito romântico e heróico normalmente utilizado em representações do gênero. Todos acabam sendo muito reais, o que torna a identificação com o espectador mais fácil.
A RAF teve sua origem nos movimentos estudantis do final da década de 60, sendo fruto da revolta da geração alemã pós-nazismo com um governo de extrema direita fortemente aliado aos Estados Unidos, considerado fascista pelos estudantes de esquerda. Seus protestos atacavam diretamente a guerra do Vietnã e a pobreza do terceiro mundo.
O grupo foi formado em 1970, após a bem sucedida jornalista Ulrike Meinhof ajudar Andreas Baader a fugir da prisão. Baader fora condenado em 1968 por colocar bombas em 2 estabelecimentos comerciais, juntamente com sua namorada Gudrun Ensslin.
A partir daí cometeram diversos atos terroristas até a prisão dos líderes em 1972. Os membros da facção que continuavam à solta cometeram outros tantos ataques e sequestros na tentativa sem sucesso de forçar a libertação de Baader, Meinhof e Ensslin, culminando no suicídio coletivo dos prisioneiros após o fracassado sequestro de um avião da Lufthansa em 1977. Novas gerações da RAF continuaram suas atividades até 1998, quando o grupo foi oficialmente extinto.
O filme mostra desde o início do envolvimento dos terroristas com o movimento estudantil ao suicídio de 1977 em 2h30, que passam despercebidas graças ao excelente trabalho de Edel. O elenco inclui grandes estrelas do cinema alemão, como Martina Gedeck (A Vida dos Outros), Moritz Bleibtreu (Corra, Lola, Corra) e Bruno Ganz (A Queda – As Últimas Horas de Hitler).
Apesar de exibir cenas de extrema violência e falta de coerência e objetividade em diversas ações da RAF, parte do público alemão acusou o filme de aumentar a aura de heróis revolucionários que paira sobre o grupo desde os anos 70, quando 25% da população jovem apoiava as ações da facção. Mas a verdade é que Der Baader Meinhof Komplex apresenta uma imagem totalmente imparcial dos ícones da RAF. Então por que é tão fácil enxergar o lado heróico e simpatizar com os terroristas?
Aust disse em entrevista ao Deustche Welle que pretende com o filme trazer o grupo de volta para a Terra, desmitificá-lo, porque terrorismo é terrorismo e as pessoas às vezes esquecem-se disso.
Em 2005, a galeria Kunst-Werke, em Berlim, inaugurou uma exposição exibindo 30 anos de arte inspirada no movimento. A mostra criou grande polêmica e colocou em discussão o fascínio que estes terroristas exerceram e exercem na arte e na cultura pop. De certa maneira, essa glorificação ajuda a divulgar o grupo e seus ideais. Meu interesse surgiu através da música “Baader-Meinhof Blues”, da Legião Urbana, que ouvi ainda criança. Em 2001, a Prada lançou uma coleção de camisetas com o tema “Prada Meinhof”, associando o grupo ao hype da alta moda. O contraditório título acabou virando expressão para causas políticas no mundo fashion.
A verdade é que grande parte dos que consomem figuras políticas como ícones pop não tem noção da camisa que veste. Se todos que saem com Che Guevara estampado no peito conhecessem de verdade sua história, seus ideais e sua luta, o mundo não estaria afundando em egoísmo, consumismo e futilidade. A absorção desses ícones pelo mundo pop nada mais é que uma banalização do ideal revolucionário e com o Baader-Meinhof não é diferente. É bom saber bem que bandeira se está levantando, pro bem ou pro mal.
Os protestos de Ulrike Meinhof são princípios básicos de humanidade e justiça, apresentados com muita coerência. É quase impossível ouvi-los e não concordar com suas ideias. Mas Ulrike não acreditou que apenas ideia sem ação poderia mudar o mundo. E será que pode?
Eduardo Rocha é designer por formação, mas também ilustrador e fotógrafo por paixão. Aliás, se dependesse só de paixão, seria também cineasta, músico e escritor. Mas já tá bom assim.