O final de semana que se passou foi o último do ano, e para o cinema isso significa fim de 2009. E nada melhor do que comemorar a chegada de 2010 com uma lista dos 10 melhores filmes do ano.
Antes de qualquer coisa, explico que o mais difícil de fazer uma lista com esta não é ordenar as preferências, mas sim determinar quais são os filmes de 2009. Então, levarei em consideração as duas hipóteses: Filmes de 2008, mas que apenas estrearam aqui no Brasil em 2009; e filmes originariamente de 2009 que mesmo não estreando no circuito nacional o Sr. Torrent nos ajudou a apreciá-los. Então vamos à lista.

1. A Fita Branca (Das Weisse Band, 2009)
Juntamente com os irmãos Dardenne, Michael Haneke é inegavelmente o cineasta europeu mais interessante e consistente de todos. O seu talento em criar atmosferas angustiantes e personagens que de tão reprimidos emocionalmente são verdadeiras incógnitas. “A Fita Branca” inicia-se com misteriosos acontecimentos em uma comunidade protestante alemã às vésperas da primeira guerra mundial. A fotografia em preto-e-branco passeia por todos os personagens desse recatado vilarejo, e busca criar uma sensação eterna de urgência, como se nossos olhos é que determinarão o que e quem está realizando todos esses acontecimentos inexplicáveis. A análise social sempre presente na obra do alemão também se encontra nessa sua ultima obra prima. Ele nos deixa perfeitamente cientes da hierarquia dessa comunidade, encabeçada pelo “Barão”, passando pelo Pastor, e terminando no professor do vilarejo, sendo este o narrador da história. As atuações, sempre contidas, são dignas de prêmios, e a fotografia, em alguns momentos, nos faz recordar de cinematógrafos como Sven Nykvist e das maravilhosas obras do sueco Ingmar Bergman. A fita branca em questão significa inocência, pureza, mas a sua mente é conduzida com maestria a sempre discordar dessa concepção.

2. O Lutador (The Wrestler, 2008)
A sinopse de “O Lutador” já é algo que faz você imediatamente sentar na cadeira e querer assistir ao filme. É a história da decadência de um homem e da incapacidade de seguir em frente. E se o personagem principal é interpretado por alguém que viveu exatamente essas dificuldades, aí o filme ganha um nível dramático pouco visto no cinema americano. Mickey Rourke que outrora fora considerado o novo Marlon Brando, consegue arrancar da sua própria dor e transformá-la em um espetáculo de atuação. O mesmo espetáculo que Randy “The Ram” Robinson proporciona nos ringues afora. Um filme que exalta paixão por aquilo que você faz.

3. O Casamento de Rachel (Rachel Getting Married,2008)
Kim é uma viciada em drogas que acaba de sair da clínica de reabilitação para ir ao casamento da irmã Rachel. Tudo leva a crer que os problemas familiares vão ser o mote principal desse filme do Jonathan Demme. E é, mas com uma diferença: os problemas vão sendo contado aos poucos, não é despejado de uma só vez como uma análise superficial de terapia familiar, e isso se deve ao ambiente de celebração tão magnético e cheio de vida que se forma em volta do casamento. Parece que sempre que o problema começa a vir à tona, o clima de celebração o atinge, deixando-o em segundo plano. Jonathan Demme faz questão de demonstrar que a família mesmo tão cheia de defeitos e dificuldades é o caminho mais seguro para a felicidade. A atuação emocional e segura de Bill Irwin (o pai) é facilmente a mais impactante do ano.

4. JCVD (JCVD, 2008)
A diferença de JCVD para “O Lutador” é que enquanto este faz uma referência a vida do personagem ao ator que o interpreta (Mickey Rourke), aquele é descaradamente uma semi-biografia. O personagem em questão, o JCVD, é o próprio Jean-Claude Van Damme. E a coragem de ficar tão vulnerável e de ser tão honesto sobre si é realmente algo louvável. Quiser saber mais, é só clicar aqui.

5. Bastardos Inglórios (Inglorious Basterders, 2009)
Quentin Tarantino. Segunda Guerra Mundial. Brad Pitt escalpelando nazistas. Christopher Waltz. Diálogos Tarantinescos. Pronto, estão aí os motivos do 5º lugar.

6. Funny People (Funny People, 2009)
Há muito tempo estou querendo escrever não apenas sobre esse filme, mas sobre todo esse novo movimento criado pelo autor do filme em questão – o comediante, diretor, produtor e roteirista: Judd Apatow. A comédia americana ressurgiu das cinzas graças a esse cidadão e tudo se deve a uma concepção de comédia que mesmo não sendo inovadora anda funcionando perfeitamente: a comédia para homens. Filmes como “O Virgem de 40 anos”, “Superbad”, “Eu Te amo, Cara”, “Se Beber, Não Case”, são exemplos de como Judd Apatow criou um tipo de humor baseado na amizade masculina. Mas fica para um post especifico. Já “Funny People”, não necessariamente foge do conceito criado por Judd, mas o torna mais denso. O que aparenta ser mais uma comédia se transveste em um drama espetacular. Conta a história de George Simmons (Adam Sandler), um comediante famoso que após descobrir que possui uma doença terminal decide voltar às origens se apresentando em clubes de Stand-Up Comedy. O filme é sensível e representa muito bem toda essa nova leva de grandes comédias americanas.

7. Watchmen (Watchmen,2009)
Tenho uma teoria em que Watchmen não se enquadra. Adaptações de HQ’s, quadrinhos, Graphic Novels (chamem do que quiserem) apenas conseguem ser consideráveis quando a transposição do papel para tela for completamente desvinculada uma da outra. A necessidade de verossimilhança da obra original para adaptação para mim é completamente inútil. Necessito apenas de coerência narrativa e de bons personagens. Não me importo com a roupa, ou se o cabelo de sicrano não é loiro, ou mesmo não fico empolgado se está “igualzinho” com o original. Na verdade, acho até que atrapalha, vide Sin City. Mas Watchmen é perfeito em toda a sua concepção. Desde o exagero típico do gênero, a violência algumas vezes exacerbada, e até de personagens um tanto caricatos. Mas funciona, e é isso o que importa. Só não dou tantos créditos ao diretor Zack Snyder porque a obra escrita por Alan Moore e ilustrada por Dave Gibbons é perfeita.

8. Guerra ao Terror (The Hurt Locker, 2009)
Os filmes sobre a guerra do Iraque são sempre os mesmos. Todos eles buscam explorar o choque psicológico que a guerra afeta nos soldados. Vai ver querem repetir o sucesso de filmes sobre a Guerra do Vietnã (Amargo Regresso, Franco Atirador, Platoon, Apocalypse Now etc). Mas em “Guerra ao Terror” o que se vê é um filme sobre a função do soldado, o oficio ao qual ele é treinado. Acompanhamos um esquadrão especializado em desarmar bomba, e quando o sargento William James chega para comandar o esquadrão percebe-se de imediato que existe algo de diferente no rapaz. Ele vê aquilo apenas como um ofício qualquer e que, além disso, o faz muito bem. A composição do ator Jeremy Renner ao personagem termina produzindo muito mais conteúdo do que outros que tentam forçar essa análise critica.

9. Gran Torino (Gran Torino, 2008)
O ator Danny Glover veio ao Brasil para promover o filme “Ensaio sobre a Cegueira”, e em uma das entrevistas ele respondeu a uma pergunta dizendo que o Brasil é um país de um povo, de uma cultura. Imediatamente sua resposta foi rebatida pela repórter com as demonstrações de que o Brasil é um país de muitas culturas e muito povos diferentes. O ator então respondeu que podem existir vários tipos de pessoas e manifestações culturais, mas que no final das contas o povo é apenas um: o brasileiro. E é exatamente o oposto que acontece nos EUA. Negros, Asiáticos, Latinos, Brancos, vivem como em guetos, separados, fortalecendo as diferenças e o ódio. Gran Torino fala sobre isso, mas de uma forma completamente Clint Eastwood. Genial!

10. Anvil! A História de Anvil (Anvil! The Story of Anvil, 2008)
Em 1984, bandas como Scorpions, Whitesnake, Bon Jovi, decidiram fazer uma turnê pelo Japão, e o resultado foi sucesso e milhões de dólares. Menos uma: Anvil. A banda depois de ter sido influência para inúmeras bandas de metal da época não conseguiu alavancar o tão sonhado status de Rockstars. Essa é a história de inúmeras bandas e artistas que se digladiam durante anos no mundo da música. A diferença dessa para outras bandas é que a banda de metal Anvil, mesmo após 30 anos continua tentando realizar o seu sonho. Esse documentário acompanha a vida do vocalista Steve “Lips” Kudlow e do baterista Robb Reiner. O belíssimo retrato de alguém que não aceita o fracasso como opção, mas que tem como motivador o amor pela música.
Um abraço e um feliz ano novo para todos!!


























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