Numa série de textos sobre os 6 sentidos (sim, SEIS mesmo) vou começar com o meu favorito: o paladar.

Engraçado como a sensação de prazer está muitas vezes próxima da figura do pecado… acima de religiões, crenças e certo ou errado, a verdade é que nos deliciamos com coisas prazerosas e ao mesmo tempo perigosas, imorais, “erradas”.
Pra mim, o paladar é o sentido mais imediatamente próximo do prazer; o momento que você coloca o garfo na boca, o primeiro gole da cerveja gelada, o gosto da boca de uma pessoa querida, o gosto do sexo, todas essas sensações são rapidamente identificadas – e sentidas. Da mesma forma que a língua sente rápido uma sopa quente demais, ou a gengiva sente dor numa mordida de picolé, quando textura, sabor e temperatura se entendem, o resultado é sensacional.

O que eu mais gosto do paladar é que ele também é, muitas vezes, o “último” sentido de uma situação: quando você vai dar um primeiro gole, comer o primeiro pedaço ou beijar alguém, normalmente já viu, ouviu, tocou e cheirou alguma coisa. E é o sentido mais decisivo de todos: eu posso até não gostar muito do que vi ou ouvi; o toque pode ser um pouco áspero e o cheiro não ser marcante, mas nada é capaz de estragar meu programa como uma comida ruim ou uma bebida amarga. Por isso digo e repito: eu quero morrer pela boca!













