
Eu tinha me esquecido como o “Show de Truman” era bom. Vi ontem, regado a muita cerveja, ostra, amendoim, e conversa boa. Sem falar de Elvis Presley. Passei a noite vendo o DVD “Elvis: That’s The Way It Is”. Outra coisa boa que tinha me esquecido. Elvis não é rei por acaso, muitas bocas juvenis foram beijadas para que se fosse conquistado um título desse porte. Mas voltando ao “Show de Truman”. Um filme que trata de um tema que hoje parece banal. Os reality shows realmente tomaram conta da televisão. Da modelo que melhor tira uma foto com um jarro na cabeça ao melhor cozinheiro que faz um prato com cérebro de macaco. Ao ligar a televisão tudo parece igual. Reality Shows em todos os canais. Mas longe de mim de me esquivar dessa responsabilidade de audiência. Gosto mesmo, não vou mentir. Na verdade, qualquer programa, onde se tem um objetivo, e um monte de pessoas se escapelando para conseguir alcançar esse objetivo me prende atenção. Sou daqueles caras que querem saber o que aconteceu com prato de cérebro de macaco feito pelo macaco. Mas macaco sou eu que assisto né? Sei lá, tenho uma atração por seres humanos. Gosto de ver seus defeitos, sua conquistas, suas arrogâncias, seus arrependimentos, e seus momentos de fraquezas. A vulnerabilidade é a característica do ser humano que mais admiro. É ela que deixa todos nós no mesmo nível. Cada um tem aquele ponto a ser cutucado, e eu acho que é isso que os Reality Shows na verdade objetivam: cutucar a vulnerabilidade do ser humano.
Em o “Show de Truman”, filme de 1998, ano que ainda engatinhava a TV realidade, a exposição da vida da pessoa, aqui tratado como personagem, é o ponto principal a ser alcançado. Esse teatro da vida real, que muita vezes consegue ser mais fictício que a ficção, nos encanta de pronto por sempre imaginarmos a nossa persona como integrante desse espetáculo. Quem não gostaria de em algum momento ser o centro das atenções? Pelo que vejo, só o Truman mesmo.

O “Boom” da celebridade instantânea foi sem dúvida a maior responsável por essa nova configuração da televisão. Nunca houve tantas pessoas que não fazem nada com tanta exposição. Ser Big Brother virou emprego. Na verdade, virou talento. “O que você faz? Ah, você não viu o Big Brother 859? Eu fui o carinha que pegou a gostosa, e agora estou estudando algumas propostas muitos boas. Pretendo estudar teatro no curso de Wolf Maia, ou quem sabe fazer algumas participações na Turma do Didi”. Essa é a cara do Brasil. Mas lá fora as coisas estão piores. Tem gente ficando milionária por não fazer nada. O programa da moda é Jon and Kate + 8. Passa no Discovery Home & Health. Sim, a Discovery Channel cresceu. Cansou de filmar animais, e passou a filmar Animais. O programa é basicamente filmar esse casal e seus 8 filhos. O atrativo do programa é que a mulher é chata para cacete e o cara é um escroto de marca maior. E “educam” oito crianças, um casal de gêmeos e sêxtuplos. Tá bom, entendo que tenha pessoas que queiram ver isso, mas porra, virar mega audiência acho que já é demais. Sem falar nas celebridades decadentes. Há o programa da Denise Richards, que só ficou conhecida pelas cenas lésbicas com Neve Campbell em “Garotas Selvagens”, o da Paris Hilton, que todo ano lança uma sex tape, o do ator Tom Sizemore que já foi preso inúmeras vezes por dirigir bêbado, e claro, o meu preferido, o da Kim Kardashian, que consegue ser mais estúpida do que bonita. Mas esses programas conseguem ser tão engraçados, obviamente sem querer, que às vezes é melhor do que assistir a reprise de Friends. Mesmo aquele episódio que Ross fala Rachel invés de Emily. Tá, esse é massa, mas isso não vem ao caso.


Alguns programas, na minha opinião, não apenas se salvam mas se tornam bons programas de entretenimento. Eu gosto muito do The Apprentice (O Aprendiz), criado pelo bilionário Donald Trump. Infelizmente nunca vi o do Roberto Justus, mas dizem que também é muito satisfatório. Nesse caso, aqueles que estão disputando o prêmio têm que demonstrar muito mais que carisma ou mesmo ibope, eles têm que ser competentes, criativos e respeitáveis. O objetivo do programa só consegue ser alcançado se você for bom. E isso é um diferencial que me agrada. Mas esse não é o padrão, o bizarro ainda impera na televisão. Programas estão sendo cancelados ou colocados em horários nada atrativos para que novas celebridades instantâneas possam sair na Playboy.
Truman não tinha noção que a sua vida estava sendo filmada. Muito menos que iria ser o referencial da televisão no século XXI.
















