Rick não pôde ir novamente ao CinePe nesta quinta, mas desta vez eu consegui marcar presença. Vamos aos filmes:
Dia 29.04.10 – Dia 4

Do Morro? (Digital, Documentário, Direção: Mykaela Plotkin e Rafael Montenegro, 20’, PE): Enquanto filme, Do Morro? não comete erros. Montagem, fotografia, roteiro, direção, tudo estava muito bem amarrado e tornou o filme bastante agradável e mesmo interessante. Por outro lado, ver uma pseudo-elite intelectual pernambucana exaltando João do Morro como um cronista social, rótulo este que ele assume com orgulho, é de dar pena. Apenas o músico China parece ter um pouco de bom senso, debochando do rótulo e afirmando que João do Morro é apenas uma pessoa divertida e que tira bom proveito disso. O filme até tenta parecer imparcial e mostrar o outro lado, mas não faz isso com muito sucesso. No geral, soa mais como propaganda que como discussão. Talvez esta tenha sido a intenção, afinal, como disse um verdadeiro morador do morro, João é de Boa Viagem. Do Morro é sua logomarca. 3/5

Ensaio de Cinema (Digital, Ficção, Direção: Allan Ribeiro, 15’, RJ): Dividido em três atos irregulares, este curta baseado num espetáculo de dança parece errado desde o princípio. Retratando cenas cotidianas sem nenhuma relevância, a primeira emoção que consegue causar é a de alívio e frustração quando a tela fica escura pela primeira vez. Para piorar, no meio deste ato o áudio sumiu e o filme teve que recomeçar. Num segundo ato, nos deparamos com uma performance de dança contemporânea, narrada como um ensaio de cinema cheio de referências à grandes filmes europeus e o filme parece achar um propósito. Se este ato não apaga totalmente a frustração do primeiro, pelo menos a enfraquece. Mas ao invés de terminar por cima, o diretor comete o erro de introduzir um terceiro e último ato com mais cenas de conversa fiada, dessa vez sobre o cinema brasileiro, cuja exaltação soa como obrigação. 2/5

A Montanha Mágica (35 mm, Documentário, Direção: Petrus Cariry, 13′, CE): Ao tentar fazer um filme sobre infância e antigos parquinhos de diversão com a intenção declarada de gerar nostalgia, a única coisa que o diretor consegue é nos encher de tédio. A narração constante não diz absolutamente nada e os efeitos sonoros, se tinham algum propósito, era o de irritar as pessoas. A fotografia também foi outro erro. Nas cenas noturnas era extremamente escura, causando a impressão de que faltou técnica ou verba para realizar o filme como deveria. Na sequência final, de dia, era sem contraste e com cores desbalanceadas, aparentemente para remeter a fotos envelhecidas, o que até funcionou em algumas das longas imagens estáticas, mas não no geral. Com certeza foi o grande fiasco da noite. 1/5

Circuito Interno (35 mm, Ficção, Direção: Júlio Martí, 15′, SP): Falado em português e espanhol, com legenda também bilingue, este curta tem como único objetivo denunciar a exploração de mão de obra boliviana por empresários brasileiros, mas nem isso faz bem. São 15 minutos de colagens de cenas aparentemente inúteis e sem conclusão de qualquer tipo. Algumas dessas cenas são mostradas através das câmeras do circuito interno de uma confecção, com a tela dividida em quatro, onde também não acontece absolutamente nada. A mensagem do filme só chega mesmo ao público com um texto explicativo que antecede os créditos de encerramento. 2/5

Faço de Mim o Que Quero (35 mm, Documentário, Direção: Sérgio Oliveira e Petrônio Lorena, 18′, PE): Com 3 roteiristas assinando este curta, a impressão que temos é a de que não houve consenso e decidiram não utilizar roteiro algum. É apenas uma sequência ilógica de cenas do meio brega recifense, mostrando carroceiros de cd pirata, rádios, programas de auditório, shows de Kelvis Duran, de João do Morro e do Conde. Focando quase sempre em figuras caricatas que facilmente se tornariam hits do YouTube, o filme os ridiculariza causando gargalhadas de um público que após bater palmas acha que está valorizando e respeitando o brega. Ao apresentar o filme no palco, os produtores pediram para assistirmos sem preconceitos. Ironicamente, o preconceito se mostra presente a cada segundo do curta. Uma excelente surpresa, no entanto, foram os incríveis créditos finais. Realmente uma sequência de tirar o chapéu. 3/5

Azul (35 mm, Ficção, Direção: Eric Laurence, 19′, PE): Inspirado no conto “Uma doce maneira de ir morrendo”, de Luzilá Gonçalves, Azul é uma história de solidão e das fantasias que criamos para suportá-la. Através do cotidiano de uma velhinha analfabeta que procura diariamente uma vizinha para ler a carta do filho ausente, somos submetidos a um espetáculo sensorial belíssimo, de um refinamento e sensibilidade ímpar. A direção de arte e a fotografia dão shows à parte, utilizando com maestria luzes, objetos e detalhes de todo tipo em diferentes tons de azul. 5/5

As Melhores Coisas do Mundo (35 mm, Ficção, Direção: Lais Bodanzky,100’, SP): Se Malhação não tivesse que durar um ano inteiro e pudesse abordar naturalmente temas como pais homossexuais, estudantes maconheiros, prostitutas e suicídio, talvez fosse exatamente igual ao novo longa de Bodanzky. Comparações à parte, é um filme bem construído, divertido e com bons personagens, principalmente no núcleo adolescente. Apesar da juventude retratada lidar com problemas ligeiramente diferentes dos de anos atrás, como a superexposição da internet, por exemplo, há muitos momentos que nos trazem boas lembranças dos tempos idos de escola. No fim das contas, é um filme sobre a adolescência e para adolescentes. Cumpre perfeitamente o que se propõe. 4/5

































