
Gabriela Fiuza criou a Monga em novembro de 2008 sem grandes pretensões. A proposta era bem simples: bolsas de tecido, alegres, coloridas, divertidas. A ideia nem era nova, mas deu super certo e a Monga ganhou as ruas. Cada bolsa era batizada com o nome de uma pessoa fotografada com ela. Isso incluía amigos, família, e até desconhecidos pelo meio da rua. Todas as fotos foram postadas no Flickr, que era o único canal de divulgação na época.
Agora ao lado de Elizabete Tavares (nossa companheira aqui na Prancheta!), o lado lúdico é uma característica que está vindo com toda força nessa nova fase, que inclui toda uma coleção de roupas com modelagem ousada. Essa primeira coleção traz a funcionalidade das formas geométricas. A angulação das linhas pode ser vista claramente em detalhes como bolsos e golas. As cores vem para quebrar qualquer sisudez que desenhos retilíneos possam transparecer. Mas, provavelmente, o grande charme desta coleção vem da pelúcia. Sim, pelúcia! O tecido sintético foi aplicado em algumas peças-conceito, dando assim um arremate de irreverência e casualidade às roupas. A Monga pretende transformar a monotonia do vestir em um momento de diversão, com moda urbana, funcional, simples, prática e confortável. Por enquanto não há roupas masculinas, mas as meninas prometem que na próxima coleção vai ter.
Encontrei-me com Gabi e Bete para uma conversa descontraída na Creperia Anjo Solto (Galeria Joana D’Arc), no dia 14 de maio. Além do ótimo papo, consegui fazer fotos bem legais, que acompanham o post.
Por que Monga? De onde surgiu esse nome?
Gabi: O nome surgiu meio que sem querer de uma brincadeira com uma amiga. eu falei Mona, ela entendeu Monga, aí pegou e ficou. Começamos a viajar na história da Monga, que traz a idéia da transformação, da mulher gostosona que vira macaca e da macaca que se transforma em gostosona. Ou seja, essa dupla de extremos convive com nós mulheres, tranquilamente. A Monga brinca com isso, com a mulher que se solta, que não se culpa por não seguir tendências, ou quando segue, é a que mais arrasa! Cabelo despenteado, outfit descombinado e muitas brigas com o namorado! Se a sua vida já ta uma merda anyway, por que seu vestido tem que acompanhar essa maré? Se vestir pode ser mais um momento de diversão no seu dia.
Vocês vinham trabalhando com uma linguagem bem irreverente na internet. Isso foi uma fase ou vocês pretendem utilizar isso para identificar-se o público-alvo da Monga?
Gabi: A gente tem essa linguagem irreverente. O nosso público não são as pessoas normais, são as pessoas felizes (risos), as pessoas coloridas, de alma colorida, que querem apostar numa coisa nova, diferente. Essa linguagem a gente pretende ter sempre. Nossa roupa é ser descontraída, colorida. Queremos tornar a hora de vestir um momento prazeroso, divertido.
Como funciona o bazar Baú da Monga? Qual a relação dele com a grife?
Gabi: A única relação da Monga com o Baú da Monga é que quem faz somos eu e Bete. Na verdade, queremos que a Monga agrade a públicos diferentes. Tanto vamos ter uma linha de peças novas seguindo o conceito de coleção baseado em um determinado tema casado com conceito, cores e tecidos; como também teremos os bazares, com roupas e acessórios usados. A idéia do bazar surgiu através de uma amiga que queria se livrar de umas roupas. Daí, quando fomos ver, as roupas eram ótimas! E ao invés de doar, a gente teve a idéia do bazar. Inclusive, quem quiser participar, é só falar com a gente. Estamos sempre procurando novas peças!
Vai continuar existindo?
Gabi: Com certeza!


Como foi a saída de vocês de bolsas de tecido para uma coleção completa de roupas?
Gabi: Aí é onde entra Bete na minha vida.
Bete: Nos conhecemos através de um querido amigo em comum, Raul. Eu fiz faculdade de moda e Gabi já tinha a história da Monga rolando. A gente viu que podia fazer uma parceria de alguma forma. Gabi viu que a gente tava com uma identificação muito grande e disse “vamos unificar, entra tu na Monga pra gente fazer coisas juntas, a gente muda o contexto”. Enfim, tentamos combinar o estilo de Gabi com o meu estilo. E daí mudou tudo, fizemos uma coleção como tem que ser e agora tá diferente do que era no início, na época das bolsas. Claro que tinha também um conceito, uma irreverência, um tom de brincadeira com pé no lúdico, que agora está maior ainda.
Gabi: Agora temos uma coleção pensada, com cores, segmentos, tudo certinho. Com as bolsas eu juntava os tecidos que comprava e fazia. Agora tudo é pensado.
Como é o processo de criação de vocês? Quem desenha os pilotos e faz as roupas?
Bete: As duas. E a gente pensa junto tão bem que depois não sabe de quem foi a idéia. A gente se encontra, senta, conversa, Gabi diz o que ela acha, eu digo o que eu acho. Algumas coisas que ela fala eu não gosto e algumas coisas que eu falo ela não gosta. Mas a gente consegue se entender, temos uma interação incrível. Por isso que tá dando super certo, porque no final das contas a gente tem muita coisa parecida. A história do lúdico, do colorido, foram idéias que já eram de Gabi e a gente mantém. Mas é sempre as duas juntas.
As coleções da Monga serão de acordo com as estações da moda? Vocês seguem as tendências ou vem tudo da cabeça de vocês?
Bete: A gente se inspira mais em referências pessoais. Claro que levamos em consideração o que está rolando pelo mundo da moda no momento, mas… Não seguimos nada ao pé da letra. Nem tendências, nem cores, nem formas. Pretendemos nas coleções fazer sempre um mix entre o que está na moda, o que é tendência, o que é vanguarda e misturar com nossas próprias idéias e gostos.

Vocês vestiriam Monga?
Gabi e Bete: Claro que sim!
Gabi: Dos pés à cabeça.
Bete:A gente pensa em roupas que gostaríamos de comprar. Botamos muito do nosso gosto pessoal na criação.
Como será a venda? Podemos esperar ver uma loja da Monga em breve?
Gabi: Nossos planos incluem uma loja Monga para todo o mundo.
Bete: Na verdade, a gente quer fazer um site pra vender online.
Gabi: No começo, né? A gente quer usar todas as ferramentas de internet: flickr, blog… E no futuro, não sei se tão próximo, uma loja da Monga. E queremos colocar em lojas legais, lojas conceito. E a gente não vai fazer muitas peças. São poucas peças para poucas pessoas.
Bete: Mas não vai ser nada muito caro, vai ser acessível. Recife está meio carente de roupa urbana alternativa a preço acessível. Então a gente tá tentando ocupar esse espaço.
O que vem por aí?
Gabi: Muitas novidades! Vem uma coleção inteira com muita coisa legal. Bolsas diferentes, dupla-face, camisas…
Bete: A gente quer fazer também acessórios, bótons, diademas, cintos. Nossa idéia é a cada coleção incorporar uma coisa nova. Lenço, leque… Sempre vão ter blusinhas, bolsas, isso é o básico. Mas sempre vamos incorporar mais coisas.
Gabi: A gente vai fazer leque! Imagina? A Monga vai dominar o mundo.


Elizabete Tavares tem 22 anos, é formada em design de moda e atualmente estuda jornalismo. Fã do universo lúdico. Odeia insetos, menos soldadinho. Tem mania da all star e diadema.
Gabriela Fiúza tem cabeça nas nuvens e pés no chão. Apesar de ter feito administração, nunca chegou perto de virar uma burocrata. É apaixonada por viagens (para conquistar o mundo, só falta a Oceania), tem um cachorro que já dura 17 anos e entrou na moda que é gostar de moda.
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