Eu sou de um tempo em que, para criar um site na internet, tudo que você precisava aprender era linguagem html. E mais alguns macetes. A isso, somava-se bom gosto e paciência, e era possível ter um site de alto nível para um ambiente www de poucas possibilidades. Nesse tempo, os gifs animados reinavam. Faziam parte do layout de 9 entre 10 páginas. As imagens compactadas, geralmente desenhos, em movimento eram o charme dos sites.
Os temas dos gifs abordavam desde o mundo dos negócios até o público infantil, com bichinhos fazendo macaquices. Quanto mais movimento tivesse o gif, mais complexo fosse, mais impressionava. Era clássico usá-los para indicar e-mail ou um site em construção (sim, em construção!).
Tudo isso para dizer que lembrar dos gifs animados daquela época, anos 90, me dá a mesma sensação de pensar nas roupas e no estilo chitãozinho-e-xororó de cortar o cabelo dos anos 80: como a gente pode ter usado e admirado isso? Ninguém explica. O fato é que o tempo passou, a internet evoluiu absurdamente e todo mundo se deu conta de que os gifs animados eram algo de extremo mau gosto. Foram relegados ao esquecimento.

Mas não esquecido. Acredito que, como eu, muita gente tem carinho por esse formato e ele continuou se difundindo à margem. O uso das figuras animadas começou a ser reinventado. Primeiro, rindo de si mesmo. Sendo usado para fazer piada, pedaços cômicos de vídeos transformados nas imagens com extensão gif. Uma categoria bem peculiar são os gifs pornô, que conta com inúmeros sites. Mas a fotógrafa Jamie Beck, que mora em Nova York, encarou o formato com outros olhos e enxergou nele um potencial artístico sério.


Jamie criou o que passou a chamar de “cinemagraphs”, fotografias onde ela escolhe um detalhe para pôr em movimento usando a tecnologia do gif animado, por meio do Photoshop. O resultado é elegante e sutil. É uma imagem de uma mulher onde só os cabelos mexem, ou apenas a saia flutua. Pode ser uma piscada, um carro passando, uma luz que titubeia.
É simplesmente genial alguém tirar o formato do nível tosco para elevar ao status de arte, e de uma só vez abrir um monte de possibilidades de expresssão. Se um cineasta, hoje, pode fazer escolhas artísticas entre filmar em preto e branco ou em 3D, um fotógrafo tem a opção de inserir um movimento para passar a sua mensagem. A ideia pode bem servir ainda à publicidade, à gastronomia, ao turismo.

Junto com a modelo canadense Coco Rocha, Jamie Beck criou uma série de cinemagraphs inspirados no mundo da moda, que podem ser visualizados no tumbrl Oh So Coco. A talentosa fotógrafa, cujas fotos “normais” também são lindas, também tem um tumbrl: From Me To You.


