2012 foi um ano de muito trampo e essa coluna cada vez mais preguiçosa deixou passar um monte de coisa boa que foi lançada. Então, assim como no ano passado, segue a lista da redenção com o Top 10 dos que poderiam ter rendido grandes posts aqui no blog no ano que passou. Antes tarde do que nunca.
Santigold – Master of my Make-Believe
O segundo disco da cantora foi gravado na jamaica e co-produzido por Davie Sitek, o guitarrista branquelo do TV On The Radio. Traz mais daquela mistura instigada de ragga, electro e hip hop que faz a cabeça da turma e rendeu convites a moça para gravar com Diplo, Gorillaz e Beastie Boys.
Lenda viva de New Orleans, o tecladista Dr. John já tocou com Meters, Rolling Stones, The Band e uma penca de outros relevantes. Só aceitou gravar o álbum com produção de Dan Auerbach depois que o Black Key apresentou a ele um disco de Mulatu Astatke. John, acostumado com muito jazz, soul e blues, acabou cometendo seu disco mais rock. Discão por sinal.
Segundo o guitarrista, gravou esse seu primeiro álbum solo meio por acaso. O rapper RZA iria gravar para o selo de Jack, o Third Man Records, mas faltou a sessão. O guitarrista juntou a banda que já tava pronta e resolveu gravar umas canções que tinha na manga. Alguma dúvida que vinha pedra?
Guiget era programador numa radio hype em Paris. Não tinha pretensão de trilhar uma carreira musical. Começou a produzir algumas canções em casa e mostrou aos amigos, que incentivaram a lançar o primeiro disco. A bolacha foi tão bem recebida que ele resolveu fazer o segundo. Numa das poucas entrevistas encontradas na rede, afirma que prefere fazer música para tocar as pessoas do que para bombar na pista. E que a ideia de subir num palco causa arrepios. Uma pena. Se o Blundetto fizesse show, eu faria de tudo para estar na primeira fila.
E 2012 começou muito bem. Logo depois de pular as primeiras sete ondas do ano, chega aos ouvidos mais atentos o aguardado Avante, disco em que Siba retorna às seis cordas da sua antiga Gianinni.
Tal qual os defensores da música genuinamente brasileira, de mãos dadas em passeata contra a guitarra nos anos 60, a pernambucanidade xiÃta se manifestava: virou paulista, roqueiro, americanizou. Tsc, tsc. Quanto equÃvoco.
Avante, produzido pelo instigado Fernando Catatau, escancara um poeta no momento de inquietude, de busca pela sua essência. Já na faixa de abertura, Preparando o Salto, se revela em plena metamorfose. Sem reconhecer a imagem no espelho. Criando asas.
A batida reta e seca do produtor e baterista Questlove continua inconfundÃvel. Mas, aqui, ela vem acompanhada de uma orquestra de cordas que traz a dramaticidade das cancões. Acho que a turma gostou da experiência com orquestra no álbum Wake Up Everybody, lançado ano passado em parceria com John Legend, revisitando o soul politicamente engajado dos 70. Gostou, e repetiu a dose.
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