Quando Toy Story (1995) trouxe um mundo de brinquedos vivos, que apenas fingiam ser inanimados na presença de humanos, foi como uma fantasia mundial tornada realidade. Toda criança cresce imaginando seus bonecos com personalidade própria e tudo mais. Mesmo na idade adulta, parte desse imaginário fica lá guardado, em algum canto esquecido. Como não reagir da mesma forma então com os livros? Se tem algo que vive na nossa cabeça são as complexas personagens que nos fazem viajar e viver mais do que nosso cotidiano. Talvez por isso seja tão maravilhoso pensar que elas poderiam “fugir” de suas páginas enquanto dormimos. E, numa livraria então, quanta confusão e quanto amor improvável poderia rolar. É nesse universo que Spike Jonze e Simon Cahn nos trazem o curta To Die By Your Side (Mourir auprès de toi), uma animação safadinha com Macbeth, Mina (com voz da cantora francesa Soko) e Moby Dick. Não precisa ser amante da literatura para gostar, mas, se for, garanto que o sorriso no rosto será grande.
Quais os limites do ser humano, da arte, da fotografia? Até onde é liberdade de expressão ou até onde é conivência? Será que um artista pode registrar fatos hediondos impunemente? Será que a humanidade realmente evoluiu? É difícil pensar que 5 minutos de vídeo possam levantar tantas e tão profundas questões. Mas é o que acontece com o curta-metragem intitulado A Fotógrafa.
E me parece aquele caso em que as perguntas são mais importantes do que as respostas, pois devem permanecer vivas. Está no rol das obras que melhor definem a expressão “soco no estômago”. Lembrou-me da minha necessidade de ver com mais atenção as imagens impressionantes, belas, de sentir mais a tristeza que trazem e de ter mais consciência do custo que elas têm. É duro, incômodo, indigesto, mas humaniza.
Não consegui descobrir a autoria do filme. O link original chegou por e-mail e está hospedado num grande portal de notícias turco, o Bugun. Se alguém souber mais, conte.
Eu amo uma mulher. Pronto, falei. E a amo por causa de uma ação específica. Outras descobertas que foram surgindo após esse primeiro contato foram apenas um bônus para que a chama da paixão permanecesse acesa e renovada.
A mulher? A cineasta espanhola Isabel Coixet. A tão ação? O filme Minha vida sem mim. Desde a primeira vez que assisti ao longa fui tomada por uma mistura de sentimentos que reaparecem sempre que o assisto novamente. Eu simplesmente não consigo permanecer indiferente diante da tela.
No momento estou fazendo um trabalho sobre esse mesmo filme para a conclusão da pós-graduação. Por isso, tenho retornado a ele com frequência e, a cada encontro, novas e velhas emoções. Ao final de cada sessão, certa melancolia. Um misto de tristeza e vontade de viver.
Durante esse processo encontrei um vídeo, em espanhol, de apresentação sobre a diretora. Um autorretrato realizado para um programa de televisão no qual ela lista coisas de que gosta e também de que não gosta. Achei tão bonito e delicado, assim como seus trabalhos costumam ser:
Isabel Coixet – Autorretrato – Carta Blanca.
Gosto especialmente dos seguintes trechos:
“Gosto de ler. Gosto de piscinas vazias. Gosto de ler ao lado de uma piscina vazia.” Esse, por ressaltar a beleza que vive nos detalhes prazerosos. Eu, por exemplo, gosto de ficar em um café aconchegante acompanhada de um livro e de um capuccino quente. Felicidade simples.
E também:
“Gosto dos filmes que ficam dentro de você e não te deixam nunca”. Porque há certos filmes que realmente ficam para sempre.
Uma apresentação simples. Quem sabe alguém mais se apaixona também? Afinal, esse tipo de amor a gente tem mesmo é que compartilhar.
Fica ainda a dica para o curta 10.000 árboles.
PS) Quem sabe depois desse post o chefe, Eduardo Rocha, tenta ver Minha vida sem mim novamente e se deixa levar?
* Isabel Coixet também dirigiu Fatal (Elegy / 2008) e A vida secreta das palavras (The secret life of words / 2005)
Em tempos de compartilhamento, todo mundo ouviu o novo dos Beastie Boys antes mesmo do lançamento. Ainda não? Então clica aqui. Hot Sauce Committee, Pt. 2 é um discaço. Beats certeiros, grooves poderosos e rima afiada. O trio fazendo o que sabe fazer melhor. Com AD Rock, Mike D e MCA, mais do mesmo é sempre muito bem-vindo.
O álbum mostra um pouquinho de cada fase na carreira da banda. O primeiro single, Make Some Noise, lembra o Hello, Nasty. O rockinho Lee Majors Come Again se encaixava tranquilo no Licensed To Ill. Em Say It, o baixo vem com aquele mesmo fuzz cavernoso de Gratitude, faixa do Check Your Head. Diferente de tudo só o reggae Don’t Play No Game That I Can’t Win, que tem (ótima) participacão da Santigold.
Era pra ter sido lançado em 2009, mas ficou 2 anos na gaveta enquanto MCA tratava de um câncer nas glândulas salivares. Lançado só agora, Hot Sauce continua atual, relevante e bem-humorado. Aliás, bom humor é marca registrada dos Beastie Boys. Basta assistir aos clipes de (You Gotta) Fight For Your Right To Party, Sabotage ou Intergalactic, pra ver que os caras mandam bem na comédia.
(You Gotta) Fight For Your Right To Party
Sabotage
Intergalactic
Junto com o disco, os Beastie Boys também lançaram um filme que celebra seus 30 anos de carreira. Isso mesmo, 30 anos. Papai e mamãe estavam trocando suas fraldinhas (ou fazendo você) enquanto os branquelos abriam a turnê dos old school rappers Run DMC e assinavam contrato com o Def Jam, selo de música essencialmente preta, hoje casa de Kanye West, Rihanna e The Roots.
Fight For Your Right (Revisited), o filme, é uma tiração de onda. Dessas que a galera tem a ideia tomando cerveja e se instiga pra fazer na base do ‘bora, bora, bora?’. Só que, ao contrário dos clipes, dessa vez eles chamaram atores de verdade. Elijah Wood (Senhor dos Anéis), Danny McBride (Trovão Tropical) e Seth Rogen (Superbad) interpretam AD Rock, MCA e Mike D em início de carreira.
Achou pouco? Pois a lista de convidados ainda tem Susan Sarandon, Steve Buscemi, Alicia Silverstone, Chloe Sevigny, Kirsten Dunst, Jack Black e uma penca de outros famosos. A quantidade de celebridades por minuto é impressionante. Todo mundo querendo aparecer no filminho do Beastie Boys.
Em pouco menos de meia hora, o trio de vândalos rouba cerveja numa loja de conveniência, toca o terror num restaurante chinfra, toma gotinhas de ácido numa Limousine e encontra com eles mesmos a bordo de um DeLorean vindo do futuro. Não vai mudar sua vida, mas rende umas boas risadas. Precisa ver agora não. Quando tiver um tempinho, é só apertar o play.
Como vocês sabem, uma das minhas partes favoritas do Oscar são os indicados a melhor curta de animação. É uma chance de descobrir ótimos filmes que normalmente passariam batidos por aqui.
Vamos começar pelo provável favorito da noite e o único que eu já havia assistido antes. Day & Night, dirigido por Teddy Newton, é mais um dos adorados curtas da Pixar, apesar de não parecer em nada com o que já vimos deles antes. Parece muito uma animação antiga, talvez por utilizar fundo preto e misturar técnicas 2D e 3D. A história mostra o encontro inesperado do dia com a noite e o ciúme e a competição que surge entre os dois.
O segundo curta é uma adaptação do livro infantil The Gruffalo, de Julia Donaldson, lançado em 1999 na Inglaterra. Com narração de Helena Bonham Carter, o filme conta a história de um ratinho que se aventura na floresta e sobrevive a vários predadores que não contavam com a sua astúcia. O curta é bastante infantil e um pouco lento, mas vale a pena ver. Como tem cerca de 30 minutos, o vídeo está dividido em duas partes.
Madagascar, carnet de voyage é o curta que me agradou menos. Apesar de misturar originalmente técnicas interessantes de ilustração, pintura e animação para imitar uma espécie de scrapbook de viagem, o curta mais parece uma propaganda do governo da ilha do que qualquer outra coisa. A história, se há realmente alguma, é pura desculpa para mostrar um pouco da cultura e paisagens do país.
O próximo indicado não está disponível completo no YouTube, mas é possível ter uma ideia do filme pelo trailer abaixo. Se quiser assistir o curta inteiro, pode baixá-lo aqui. The Lost Thing também é uma adaptação de livro e conta a história de um colecionador de tampinhas de garrafa que encontra uma estranha criatura perdida e procura retorná-la ao dono.
Let’s Pollute é uma crítica divertidíssima à forma como o ser humano vem poluindo a Terra desde sempre. Infelizmente só encontrei o vídeo completo dublado em francês, então não deu pra entender muito, mas dá pra pegar o básico. Com muito senso de humor, o narrador nos instiga a poluir por um futuro melhor. Se não der Pixar, torço por esse.