Sam O’Hare filmou a cidade de Nova York em tilt-shift (aquela técnica fotográfica que deixa tudo parecendo miniatura) e o resultado é bem bacana. Gosto principalmente das sequências com helicópteros, barcos e na construção. O vídeo é meio longo, tem 5 minutos e meio, e as cenas mais legais estão no início. Então, se você for impaciente, veja pelo menos o início.
Todo ano espero ansioso pelos curtas de animação indicados ao Oscar. Como eu normalmente fico meio por fora dos festivais e lançamentos desse circuito, é uma ótima chance de descobrir algumas pérolas, como o francês Même les pigeons vont au paradis, indicado em 2008.
Não assisti os curtas que estavam na lista dos pré-indicados, mas o nível dos finalistas está excelente. Dentre os cinco, o único que eu já conhecia é Wallace and Gromit: A Matter of Loaf and Death, que vi há alguns meses em algum canal da Sky. É o único stop motion da lista e também o único verdadeiramente infantil. Mostra a famosa dupla comandando uma padaria e enfrentando uma assassina serial de padeiros. Assim como os outros curtas e o longa de Wallace and Gromit, o filme é dirigido por Nick Park. Infelizmente é um curta meio longo e por isso não está completo no YouTube. Mas dá pra sentir o gostinho com o trailer abaixo.
O segundo da lista, French Roast, é um filme de Fabrice O. Joubert e mostra um típico e sisudo parisiense que se vê sem dinheiro para pagar a conta, após tomar um café. Esse é com certeza meu favorito deste ano e acredito que tem boas chances de levar a estatueta, pois tem um humor muito mais refinado que os outros, além de uma boa e inesperada inversão de papéis sociais. Se você tiver preguiça de assistir todos os vídeos deste post, assista pelo menos este.
Já o espanhol La Dama y La Muerte aposta numa comédia mais pastelão, com a morte disputando uma velhinha com um médico e algumas enfermeiras. Embora tenha momentos realmente engraçados e originais (veja a cena após os créditos), o ponto forte deste curta é mesmo a parte técnica, que não fica atrás de nenhum dos grandes estúdios de animação. É também impressionante a coragem com que eles mostram um suicídio como uma grande piada.
O quarto curta da nossa lista é também um dos meus favoritos. Foi o único que me fez dar boas risadas. Granny O’Grimm’s Sleeping Beauty é uma nova visão sobre a clássica história da Bela Adormecida, contada por uma vovó sem papas na língua. Aqui a bruxa não é má, apenas um velha mal-tratada que dá a todos o que realmente merece. E nada de príncipe. Granny O’Grimm é uma personagem cheia de possibilidades, que acaba sendo maior que a história, e acredito que não vai parar por aí. Espero que venham mais vídeos, como a canção de natal da velhinha e a reação dela ao saber da indicação ao Oscar.
Para fechar a lista e deleite dos designers, o último indicado é Logorama, uma animação feita com marcas, mascotes e outros símbolos de identidades visuais famosas. Praticamente todas as marcas que são referência mundial estão aí. Tem Michelin, Apple, IMB e até RAF! Mas o melhor são os Pringles de caminhoneiros com seus bigodões. Provavelmente só a McDonald’s não ficou muito feliz vendo o Ronald como um terrorista alucinado.
A qualidade dos vídeos abaixo não está muito boa, mas como no site oficial tem apenas uma parte, vale a pena ver assim mesmo. Está dividido em 2 partes.
Signs é um filme emocionante sobre comunicação, sem diálogos, dirigido por Patrick Hughes. Foi feito originalmente para o Schweppes Short Filme Festival, mas acabou levando o Leão de Ouro em Cannes na categoria curta-metragem em 2009.
Às vezes tudo que precisamos para encontrar o amor é ficar atento aos sinais.
Alma é um curta animado do espanhol Rodrigo Blaas, que trabalha na Pixar, e foi exibido no Anima Mundi 2009. Com técnica e traços perfeitos, lindos planos e um roteiro bem legal, Alma vem colecionando prêmios em festivais ao redor do mundo. Merecidamente.
A partir de hoje, a coluna Café com Cigarro vai dá início a uma nova seção: o Café-Curto. Vez por outra postarei um curta metragem, brasileiro ou estrangeiro (legendado, diga-se de passagem), que acho interessante. O filme que inaugurará a nova seção é o sueco “Mundo de Glória” (The World Of Glory, 1991), um curta extramemente poderoso que me marcou imensamente.
Diretor: Roy Andersson
Ano de Lançamento: 1991
País de Origem: Suécia
“O Mundo de Glória” trata basicamente da ausência do remorso e a falta de análise crítica sobre suas ações. Ao iniciar o filme vemos um caminhão abarrotado de pessoas despidas, enquanto outras ao redor apenas observam estáticas uma cena deplorável. O caminhão é fechado e aí se inicia uma das técnicas de “limpeza étnica” criada pelos nazistas na 2º Guerra Mundial.
Cruel, brutal e incômodo nos seus primeiros minutos, a cena choca por mostrar apenas os gritos daquelas pessoas sendo sufocadas pelo monóxido de carbono. Na “platéia” um homem olha para trás e encontra o espectador, olha nos nossos olhos e começa a narrar sua vida, seu cotidiano. A naturalidade como conta a sua história é imprescindível para identificarmos a essência do personagem. Não falta sentimento e sim remorso.
O diretor Roy Anderson faz uma escolha bastante interessante, os planos são completamente estáticos e temos a impressão de estarmos vendo fotografias da vida deste cidadão. Plano a plano uma historia é contada. Ao terminar, a única coisa que nos vem a mente é a vida daquele homem sombrio e a sua capacidade de participar de um momento tão terrível e continuar sua vida como se nada tivesse acontecido.
Skhizein é um curta de animação do francês Jérémy Clapin e conta a história de Henry, um cara normal que se desloca exatos 91 centímetros de seu próprio mundo. Uma belíssima e emocionante metáfora executada com maestria. Perfeito.
Skhizein em grego significa “separado”. Daí vem a palavra esquizofrenia, que quer dizer “separado do espírito” (phren significa “espírito”). O que é exatamente a loucura e por que defini-la? Que diferença faz para quem a vive?
O curta é de 2008 e já levou prêmios importantes em todo o mundo, inclusive no Brasil (veja a lista completa aqui).
Fallen Art (Sztuka spadania, 2004) é uma animação do diretor polonês Tomek Bagiński, vencedora do BAFTA de melhor curta animado em 2006. Bagiński ficou conhecido em 2002, quando sua primeira animação, The Cathedral (Katedra), concorreu ao Oscar de melhor curta de animação.
Eu gostei mais de Fallen Art. Os traços são fantásticos e o roteiro realmente genial. O trocadilho do título então, nem se fala.
Felipe Bastos, do site Cinema & Afins, fez uma matéria sobre a Pixar, contando sua história através dos curtas que produziram desde “The Adventures of André & Wally B.” (1984) a “Partly Cloudy” (2009), que vocês já conferiram aqui na Prancheta. Além de contar a história da empresa, Felipe fala sobre cada um dos curtas individualmente, com fotos e vídeos completos de todos. Vale muito a pena dar uma olhada lá, pois os curtas da Pixar são realmente fantásticos. Sou fã.
Eduardo Rocha é designer por formação, mas também ilustrador e fotógrafo por paixão. Aliás, se dependesse só de paixão, seria também cineasta, músico e escritor. Mas já tá bom assim.