A partir de hoje, a coluna Café com Cigarro vai dá início a uma nova seção: o Café-Curto. Vez por outra postarei um curta metragem, brasileiro ou estrangeiro (legendado, diga-se de passagem), que acho interessante. O filme que inaugurará a nova seção é o sueco “Mundo de Glória” (The World Of Glory, 1991), um curta extramemente poderoso que me marcou imensamente.
Diretor: Roy Andersson
Ano de Lançamento: 1991
País de Origem: Suécia
“O Mundo de Glória” trata basicamente da ausência do remorso e a falta de análise crítica sobre suas ações. Ao iniciar o filme vemos um caminhão abarrotado de pessoas despidas, enquanto outras ao redor apenas observam estáticas uma cena deplorável. O caminhão é fechado e aí se inicia uma das técnicas de “limpeza étnica” criada pelos nazistas na 2º Guerra Mundial.
Cruel, brutal e incômodo nos seus primeiros minutos, a cena choca por mostrar apenas os gritos daquelas pessoas sendo sufocadas pelo monóxido de carbono. Na “platéia” um homem olha para trás e encontra o espectador, olha nos nossos olhos e começa a narrar sua vida, seu cotidiano. A naturalidade como conta a sua história é imprescindível para identificarmos a essência do personagem. Não falta sentimento e sim remorso.
O diretor Roy Anderson faz uma escolha bastante interessante, os planos são completamente estáticos e temos a impressão de estarmos vendo fotografias da vida deste cidadão. Plano a plano uma historia é contada. Ao terminar, a única coisa que nos vem a mente é a vida daquele homem sombrio e a sua capacidade de participar de um momento tão terrível e continuar sua vida como se nada tivesse acontecido.















