Se você gosta de histórias de terror como eu, há de concordar que há um personagem que bota muito mais medo do que zumbis, lobisomens e até mesmo os temíveis palhaços do mal – as criancinhas sinistras. É um tiro certo no roteiro de qualquer filme. Desde a indefesa garotinha de Poltergeist até a inescrupulosa russa de A Órfã – passando, obviamente, por Macaulay Culkin, em Anjo Mau, e a insuperável Linda Blair em O Exorcista – as criancinhas malvadas já colocaram medo em muito marmanjo, especialmente por essa relação entre a ingenuidade e a perversidade sem limites.
Mas o tema não está restrito às telonas. Adicionando referências da estética pop com uma influência forte do discurso fantástico, o norte-americano Mark Ryden figura como um dos maiores representantes do surrealismo contemporâneo, retratando crianças macabras em seus quadros e ilustrações, com um traço cartoonizado.


Fetos, caveiras, bestas, carne e, obviamente, sangue, são elementos recorrentes em suas criações, quase sempre acompanhadas de suas delicadas garotas de olhos grandes e semblante apático. O resultado estético impressiona tanto pela beleza e harmonia da composição das imagens quanto pela justaposição de temas tão afastados pela moralidade.
Além do horror, Ryden também satiriza temas polêmicos em seus quadros e ilustrações, criticando a sociedade de consumo, a política e a religiosidade. As imagens possuem uma atmosfera etérea, fantasmagórica e fantasiosa, como uma representação dos medos e sonhos que temos na infância. Elementos lógicos, como proporções, gravidade e objetos inanimados, são postos em xeque, numa representação fácil de consumir do discurso do absurdo.

A proximidade dos temas abordados com a estética de massa e a popularidade do seu trabalho nos anos 90 somaram para que Ryden fosse considerado um expoente do chamado “Surrealismo Pop”, contribuindo para aumentar ainda mais a tensão entre a Arte Erudita e a Indústria Cultural. Em um âmbito mais pessoal, entretanto, pode-se dizer que para o próprio artista essa discussão não é lá um grande problema, uma vez que ele não faz a mínima questão de se manter preso às amarras inflexíveis da arte tradicional; além de ter seus trabalhos exibidos em galerias renomadas ao redor do mundo, Ryden também empresta seu talento para a cultura pop, sendo responsável por exemplo, pela ilustração do memorável álbum Dangerous, de Michal Jackson, e pela capa do livro Desperation, de Stephen King.

Para mais informações sobre o artista e sua obra, não precisa se deslocar para uma biblioteca nem apelar para a Wikipedia. Está tudo disponível democraticamente em seu site, que também tem os links para seus perfis nas redes sociais – mais pop, impossível.














































