Lembram do vídeo “Wes Anderson // From Above”, que postei há uns 20 dias? Pois então. O autor fez mais um, dessa vez contemplando os filmes de Quentin Tarantino e sua câmera que contempla os personagens por baixo. Não achei tão legal quanto o anterior, mas ainda assim vale a pena dar uma checada.

Papo de Homem
Hoje é o Dia Internacional da Mulher. A internet está cheia de homenagens, mas por aqui quase passou em branco. Digo quase, porque são mais de 22h e porque nossa homenagem vem de uma mulher, mas é dirigida aos homens. Isso não é nenhuma tentativa de criar uma guerra dos sexos, apenas o belo acaso que me deparou com um texto no Facebook da querida amiga e habilidosa redatora, Maria Eduarda Buarque. Sem mais, fiquem com as palavras de Duda.
PAPO DE HOMEM, por Maria Eduarda Buarque.
Pode parecer óbvio, mas tenho uma admiração inexplicável pelas criaturas do sexo masculino. E se você for um, poupe-me das interpretações sexuais porque esse é um outro capítulo da história. Meu interesse pelos homens transcende a libido e os fatores hormonais da existência. Eles são, na minha opinião, os seres mais fascinantes da natureza. E o jeito despreocupado com que levam a vida é uma daquelas coisas que me dá gosto de ver.
Homens acordam ainda mais bonitos quando estão despenteados, ficam prontos em menos de cinco minutos, conversam com a TV, andam descalços pelo meio da casa, continuam achando vídeo game a invenção do século mesmo quando já passaram da idade. E isso, para mim, tem mais poesia do que aquelas coisas piegas de amor. Porque eu gosto do simples. E o simples tem pêlos nas pernas e faz xixi de pé, que é para dar menos trabalho.
Homens têm defeitos adoráveis, eu já disse algumas vezes. Se resolvem mandando o mundo inteiro se foder e depois dormem tranquilos. Porque “eu te amo” e “vai se foder” têm o mesmo significado, para eles. É por isso que sempre acabam se abraçando, quando termina a pelada. O campo de futebol parece mais um purgatório das mazelas do dia. Os meninos têm o dom de chutar, suar e xingar todos os problemas durante dez minutos de jogo. Às vezes menos.
Também é deles a forma mais doce que existe de fingir não saber dançar, não entender de decoração nem de cozinha. Estão, geralmente, se lixando para as nossas crises e preocupações com o futuro. Aprenda: homem gosta mais de olhar para você e pensar no que está vendo, porque o resto ele resolve depois. E acaba resolvendo mesmo.
Juntos eles conseguem que todas (está bem, nem todas) nós achemos normal uma revista de mulher nua, uma cerveja que passou da conta e até a saída com uma amiga próxima que acabou salvando o relacionamento. O que há de mau? São só coisas de homem.
Minhas amigas que me desculpem, mas as melhores companhias em uma mesa de bar são os homens. Principalmente quando esquecem que tem mulher por perto e agem com toda a desenvoltura que a cerveja concede. Os apelidos contemplam o ponto fraco de cada um, porque brincar de leve não tem a mínima graça: aleijado, viado e por aí abaixo. Não tem drama, não tem dó e o céu é o limite. Ou o inferno, porque os assuntos costumam pender mais para esse caminho.
Humor de homem é ácido, que pra mim é o mesmo que misturar inteligência e falta de piedade num mesmo comentário. É genial. Homem é irônico até sem querer. E fica engraçado quando tenta poupar a gente disso. Porque mulher chora. Mulher não sabe devolver na mesma moeda e fica fazendo cara feia, pedindo atenção, sofrendo e querendo prolongar a raiva, só para ter razão. Deus me livre.
Se tivesse nascido menino, eu seria gay. Não pela libido, eu já disse. Mas porque independente do que existe entre as minhas pernas, continuaria achando a complexidade da mulher uma das coisas mais chatas do mundo.

Don’t go there

Em um momento em que a questão homossexual está cada vez mais em pauta, é incrível que a discussão possa ser ignorada. Mesmo no século XXI o tema ainda é complexo e desperta reações calorosas com muitas pontas e opiniões diferentes. No entanto, a questão está aí. Não vale a pena ao menos ser debatida? Não cabe nem mesmo a reflexão?
Encarar a indiferença de pessoas próximas – à distância do toque, como familiares, amigos, indivíduos em uma fila ou mesmo no transporte público, por exemplo, já é preocupante, mas como lidar com a abstinência do governo? Como lidar com a pretensão de uma lei que intenciona vetar propagandas relacionados à homossexualidade? Essa foi a proposta da Assembleia Legislativa de São Petersburgo. O intuito? Proteger as crianças. O prazo para que o governador da cidade chegue a uma conclusão foi de duas semanas.
A pergunta que fica martelando no ar é muito simples: onde está a liberdade de expressão? Como é possível tentar silenciar um grupo inteiro, dessa maneira, nos dias atuais?
Sim, isso aconteceu na semana passada – mais especificamente no dia 29 de fevereiro. Agora. Nesse momento se está refletindo sobre a possibilidade de tal veto.
Enquanto a dúvida permanece suspensa, as manifestações que vão de encontro à proposta já estão por aí, como esse vídeo que levanta a questão: caso a lei seja aprovada, não vão à São Petersburgo – um dos principais pontos turísticos da Rússia. Tapa na cara? A música do vídeo. Composta por um artista russo. Homossexual.
O que aconteceu com a liberdade de expressão?
Lust is Poison

Depois de produzir belíssimos registros dos shows do No Ar Coquetel Molotov 2011, eternizar a memorável performance de Karina Buhr no Abril pro Rock e nos apresentar algumas bandas de Recife e Salvador, a Bateu Castelo ataca em novo terreno: videoclipes. A princício, parece um caminho óbvio, mas a realidade é que a produtora é muito mais que música e a diversidade de seu portfólio sempre impecável prova isso.
De qualquer forma, o que importa é que os caras se aventuraram meio por acaso e nos trazem agora o lindo clipe da música Lust is Poison, primeiro trabalho da dupla Cassady, formada por Nicola Sultanum e Rodrigo Coelho. Para completar o pacote, o som dos caras é uma grata surpresa que nos faz esquecer que vieram do Recife. Aos radicais, peço calma. Isso não é uma crítica à cidade, apenas um fato. Muitas bandas apostam no inglês, mas têm algo de local no som. Isso também pode ser muito legal, às vezes, mas definitivamente não é o caso da Cassady.
Quem quiser ouvir mais, visite o Soundcloud da banda.
Word as image

Uma imagem vale mais que mil palavras, certo? Verdade universal propagada em diversas situações e, no entanto, fica a pergunta: o contrário seria possível? Não tenho certeza se uma palavra pode valer mais que mil imagens, mas o projeto “Word as image” deixa claro que uma palavra pode ser visualmente muito representativa.
A ideia era criar imagens a partir de uma palavra utilizando apenas os elementos gráficos das letras. Sem acréscimos. De acordo com o criador do projeto, Ji Lee, essa proposta nasceu há anos como fruto de um exercício de uma aula de tipografia. A proposta do exercício era justamente enxergar além da funcionalidade das letras e, consequentemente, exercitar a imaginação. “O desafio foi difícil, então a sensação de conseguir “quebrar” a palavra era ótima. Isso se tornou um projeto de vida para mim”. E o resultado dessa dedicação é esse:

“Quando nós éramos crianças as letras eram brinquedos divertidos. Nós brincávamos com elas enquanto construíamos blocos. Nós a coloríamos em livros. Nós dançávamos e cantávamos com bonecos da TV enquanto aprendíamos que “b” era para “biscoito”. Logo as letras se tornaram palavras. Palavras se tornaram frases. Frases se tornaram pensamentos. E, no meio do caminho, nós paramos de brincar com elas e paramos de nos maravilhar de A a Z… “Word as Image” traz de volta um pouco de mágica ao alfabeto nos ajudando a ver humor e graça por trás das linhas…” (Ji Lee)
E traz a magia de volta mesmo.



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A Prancheta é um projeto de Eduardo Rocha, criado em fevereiro de 2008. Atualmente conta com 15 colaboradores gerando conteúdo diariamente pra vocês.

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