Um grande amigo fez aquela viagem de intercâmbio aos 15 anos, onde se diz aos pais que é uma grande oportunidade para se aprender inglês, mas que realmente não passa de uma desculpa esfarrapada para se divertir e se tiver sorte pegar umas americanas. A grande expectativa para esses intercambistas é a escolha da cidade em que ficarão. Torcer para que uma família legal, em uma cidade legal, seja a escolhida. Outro grande amigo nosso ficou em Sacramento, Califórnia, morando com uma família mexicana que adorava uma tequila. Nada mal hein?! Já o amigo em questão não teve tanta sorte e foi mandado pra Tulsa, Oklahoma, mais conhecida por ser a cidade natal dos irmãos Hanson (lembram deles?).
Esse grande amigo, hoje residindo na Espanha, voltou escutando muitas coisas que aqui ainda não tínhamos acesso, – lembrando que há 10 anos essa globalização da cultura ainda estava engatinhando – DMX, Juvenille, Eminem, Sisqo, Ludacris, Jay Z, foram algumas das coisas que ele trouxe na bagagem. Aparentemente a garotada branca de Tulsa andava consumindo rap na mesma proporção em que comiam aquelas batatas fritas king size compradas no Wal-mart. Ainda hoje quando escuto “Back That Thang Up”, do pioneiro do southern rap Juvenile, sinto saudades de uma época de ingenuidade que não volta mais. Mas no meio de todo aquele hip hop, também tinham os primeiros álbuns de Blink 182, bem antes da música “All the Small Things” e o seu clipe engraçado chegarem por aqui; da banda NOFX e o seu Hardcore Surf Music, que nos deu repertório suficiente pra acharmos que éramos grandes músicos; além de inúmeras outras coisas inusitadas Fomos à forra.

Mas um álbum em especial me chamou a atenção. A capa ilustrava um diferente tipo de carrossel, onde as pessoas ficam penduradas por um longo cabo de aço em cadeiras individuais girando em alta velocidade. Não tínhamos a mínima noção de que aquele disco mudaria por completo a nossa concepção musical. Estávamos diante do álbum “Under the Table and Dreaming”, o 1º álbum de estúdio da banda norte-americana Dave Matthews Band. Todo o resto foi colocado pra escanteio, tínhamos em nossas mãos finalmente uma banda em atividade que poderia nos desafiar musicalmente. Estávamos diante de um mundo completamente novo, e os sentimentos emanados das músicas nos levaram a sensações nunca experimentadas. Virou definitivamente a trilha sonora oficial da nossa amizade, e a cada novo single, novo álbum, novas versões ao vivo, eram compartilhadas como um evento especial. Dos churrascos regados a muita cerveja, a simples encontros, Dave Matthews Band estava lá.

Os anos se passaram e juntamente com eles a nossa adolescência. A vida começou a nos dar responsabilidades e múltiplas escolhas, e a realidade se desenhava como aquela a ser temida. Alguns decidiram sair do país, mas logo voltaram, outros ainda estão resistindo à saudade e às dificuldades de viverem longe dos amigos e familiares, enquanto outros continuam a se perguntar se é isso mesmo que querem. E durante todos esses questionamentos e momentos de decisões, a música de Dave Matthews Band, se não conseguia nos confortar pelo menos conseguia nos inebriar, e esse ingrediente foi extremamente importante para nos manter unidos e de pé.

E esse poder da música se torna evidente não apenas para nós ouvintes, como também para aqueles que as compõem. Em 19 de agosto, a banda perdeu o saxofonista e integrante-fundador LeRoi Moore, em decorrências de um acidente em sua fazenda. Essa perda foi sentida por todos nós, e dificilmente imaginávamos que Dave Matthews Band conseguiria se recuperar de tamanho baque. Mas em 2 de junho de 2009, a banda lançou o álbum “Big Whiskey and the GrooGrux King”. O álbum se inicia com a música “Grux”, solo de LeRoi, e segue como uma celebração à vida, uma busca incessante pela felicidade. Todas as faixas exclamam um sentimento, como se a banda quisesse mostrar todos os percalços da vida, e a nossa capacidade de encará-los da melhor forma possível. E quem sabe escutando Dave Matthews Band.














esse último álbum foi feito pra ouvir sem parar. várias e várias vezes.