More é um filme francês doidão. O primeiro dirigido por Barbet Schroeder, lançado em 1969. Conta a história de Stefan, alemão careta, recém formado em Matemática, e Estelle, gatinha americana ultra descolada. Os dois se conhecem numa festinha “muderna” em Paris e viajam para a ensolarada Ibiza. Lá, Estelle apresenta um monte de substâncias a Stefan, que acaba viciado em heroína. Ou melhor, em horse.
O filme tinha tudo pra ficar restrito às rodinhas de cinéfilos europeus, não fosse um pequeno detalhe: sua trilha sonora foi composta pelo Pink Floyd, que já na época fazia o maior sucesso entre os malucos de plantão. A parceria diretor-banda viria a se repetir em 1972, no Obscured By Clouds, trilha sonora do filme La Vallée.
More, o álbum, foi concebido logo após a saída definitiva de Syd Barrett, vocalista e principal compositor da banda, por conta dos abusos lisérgicos. Talvez tenha sido a encomenda perfeita para aquele momento, em que o Pink Floyd estava reaprendendo a fazer sua própria música.

Schroeder não queria apenas canções. Segundo Roger Waters, o som direto também deveria fazer parte da trilha. Ondas batendo nas pedras, pássaros cantando, diálogos entre os personagens. Tudo isso está presente nos temas, vinhetas e viagens compostos.
More é o disco menos incensado dos ingleses. Vai ver foi por isso o escolhido pelo Badminton, banda olindense comandada por Felipe Vieira, para ter uma versão. Até porque regravar o The Dark Side Of The Moon é carne de vaca.

No início de 2010, Felipe gravou uma versão da faixa Green Is The Colour, sem muita pretensão de nada. Depois de ouvir o resultado, tomando uma cerveja recém tirada do congelador, veio a questão: por que não regravar o disco todo? E assim foi feito. Sem pressa, em casa, sozinho, num esquema lo-fi, como é de praxe nas gravações do Badminton.
Esse é o mais legal do More olindense. Enquanto a trilha original foi feita num esquemão gravadora, com puta estúdio, microfones mil, amplificadores a granel e a porra toda, o Badminton regravou com o que tinha à mão: um violão, uma guitarra e um baixo Giannini, uma controladora MIDI e o Garageband.
Para sacar a diferença entre o moinho psicodélico original e a turbina eólica do reloaded, é só clicar. Seja para o passado ou para o futuro, desejo que você, ao contrário do Stefan, tenha uma boa viagem.













