Eu sou completamente viciada em lojas fast fashion. Pra mim, nada mais genial do que passear pelas araras e garimpar achados nos lugares menos prováveis. Tem gente que acha um teste de paciência catar qualquer coisa numa loja gigante, pra mim é uma terapia e sim, você encontra muita coisa boa, bonita e barata. Sou super devota das lojas populares e tento converter todo mundo que ainda acredita que não seja uma boa opção.
Por muito tempo as lojas de departamento tiveram uma imagem pouco favorável no quesito qualidade e bom gosto. Não existia um padrão de coleções, a seleção de produtos se limitava a roupas de corte básico (e mal-acabadas) em cartelas gigante de cores e estampas grotescas. Os acessórios made in china, que não demoravam muito pra se quebrar, eram de mau gosto e pouco apelativos. As lojas investiam em tecidos baratos, acabamentos mal-feitos e o público consumidor se restringia a pessoas de classes menos favorecidas, uma vez que o preço (e somente ele) era o grande atrativo.
Com o passar dos anos, esse cenário mudou radicalmente. O poder de compra do brasileiro cresceu, o acesso a informações/referências de moda aumentou (obrigada internet banda-larga): todo mundo tem blog, todo mundo tira foto de roupa, toda marca tem site/blog/twitter/facebook. O volume de conteúdo referente ao assunto cresceu drasticamente e o mercado produtor teve que se adequar. As pessoas querem consumir mais e logo.
Boa parte dos estilistas que antes lançavam 2 coleções – primavera/verão & outono/inverno – agora lançam 4 coleções ao ano (incluem-se aqui as pré-coleções ou Resort Collections ou ainda Cruise Collections). A Chanel tem um exemplo lindo de pré-coleção. Vale ver pela trilha elaboradíssima e locação. Mais um espetáculo de Karl Lagerfeld.
As pessoas estão mais ligadas às tendências, mais ávidas por novidades. As lojas de fast-fashion (antigas lojas de departamento) foram forçadas a reestruturaram suas imagens/produtos para atender a uma nova demanda de consumidores, visando inclusive atingir as classes mais elevadas e de maior poder aquisitivo. A fórmula encontrada foi investir em parcerias com grandes designers/estilistas e lançar coleções limitadas e extremamente cobiçadas.



A transição do investimento da quantidade para qualidade, transformou lojas como C&A, Riachuello, Top Shop, H&M, Zara, entre outras, em verdadeiras boutiques pop. Com a ajuda de um massivo investimento publicitário e parcerias com figurinhas descoladas do mundo da moda, as fast-fashions abocanharam um market share antes restrito a lojas mais elitistas e expandiram seus públicos-alvos. Consumidores das classes A começaram a ter mais interesse (e paciência) para visitar aquelas araras lotadas e enfrentar filas longas para comprar um vestido preto básico da Stella Mccartney (por R$189,90), ou um vestido de rendas e babados da coleção da Cris Barros (por R$149,90).
Alguns itens fizeram muitas consumidoras passar até 15 horas na porta das lojas, aguardando ansiosamente para comprar produtos lindos e mais acessíveis. Este foi o caso da multinacional sueca H&M em parceria com a Lanvin. Alber Elbaz, o estilista da grife criada por Jeanne Lanvin, sabiamente afirmou: não é uma questão de tornar a Lanvin uma marca mais popular e sim, tornar a H&M mais luxuosa. Elbaz acertou em cheio. A parceria rendeu uma campanha publicitária linda e bem produzida, com inclusive direito a um curta.
Mas calma, queridos leitores, existe sim um lado negro da força. As fast-fashion são ótimas, alimentam nossos guarda-roupas com peças lindas, acessíveis e similares a de muitas coleções que custam o triplo, mas você já parou para pensar o custo e o impacto de produzir tudo isso? A moda, dentre suas mil funções, existe pra aquecer a economia também. Ela serve pra alimentar o sistema de oferta e procura, pra gerar empregos e consequentemente produzir resíduos. Tudo que consumimos gera impacto na economia , nas relações humanas, na natureza, em nós mesmos. Achei esse filminho (antigo) muito educativo sobre a origem das coisas que nos ajuda a entender melhor esse impacto e como podemos consumir conscientemente.
Para mim, a melhor maneira de exercer o consumo consciente ainda é comprar peças-chave e reaproveitar o que já temos no guarda-roupa. Seguem algumas ideias interessantes.
Quando moda é oferta e estilo é escolha (palavras da queridíssima Gloria Kalil), então nada nos impede de escolher tudo melhor e mais conscientemente.

















Que post perfeito! Primeiro que aprendi sobre o meu segmento preferido, esse das fast-fashion. Quando quero comprar roupas, em vez de rodar um shopping inteiro, por exemplo, adoro essa praticidade de passear nessas lojas (sem ninguém pra ser minha sombra nem dar opiniões falsas ou parciais), cavar coisas lindas (realmente absurdamente mais fácil hoje em dia), experimentar tudo de uma vez e levar por um preço justo. Sem falar que essas lojas respeitam mais os diferentes tipos de corpo das mulheres.
Também adorei as referências do desfile na praia, e da publicidade da H&M. Particularmente curti a ideia da mulher luxuosa de vestido andando na esteira, passou bem essa coisa: se vista melhor no dia a dia, moda não é só para os eventos. E não poderia finalizar de maneira mais lega;, chamando atenção para o consumo desenfreado. Esse vídeo a história das coisas, eu conhecia, mas é bom ver de vez em quando, pra nos lembrar da nossa responsabilidade. Muito bom!