
Pronto, posso dizer que nunca li uma romance com 700 páginas tão depressa. E acrescentar: uma das melhores leituras de quadrinhos que fiz nos últimos anos. Sabe aquela sensação saudosa que nos chega ao fim dos bons romances? Uma vontade de poupar as últimas páginas… Assim.
Umbigo Sem Fundo é uma profunda história de um curtíssimo período da vida de um pós adolescente junto a seus familiares. O gancho mesmo da narrativa é a separação de seus pais, já idosos. O personagem central é o adolescente e toda a história gira em torno dele. O drama que sacode a família rebate naquele jovem em plena idade do “não estou nem aí cara, eu também tenho meus problemas”. Um dilema e tanto, o tal amor de verão.

Peter está mesmo é preocupado com o ir e vir das ondas e os desenhos que se formam na fumaça do baseado. Contraste total com a condição de quase histeria de seu irmão mais velho que não consegue compreender as motivações da separação de seus pais. O primogênito resolve então investigar o passado da família abrindo o baú de cartas trocadas por seus pais ainda nos tempos de namoro. Nessa parte o gibi traz um curioso quebra-cabeça, em forma de uma carta enigmática, que esconde o porquê do título. Vale a pena resolvê-lo.


Os desenhos despretensiosos, tipo não-sei-desenhar do Dash, conduzem uma narrativa muito agradável de acompanhar, repleta de minimalismos e detalhes nonsense que preenchem a história com leveza e realismo. A linguagem dos quadrinhos é muito bem utilizada: o Peter se aparenta um sapo para todos – e é desenhado como tal – menos para sua namorada e isto é mostrado de maneira tão sutil que pode escapar aos olhos do leitor menos atento.

Esta é a única obra do jovem autor publicada no Brasil, mas o cara tem um site com muito material disponibilizado online, aqui. Veja aqui uma pequena entrevista feita quando ele esteve no Brasil na Bienal do Livro. E aqui algumas passagens de Umbigo Sem Fundo animada.













