
Sempre que estou lendo quadrinhos em geral, fico pensando no trabalhão que dá fazer todos aqueles desenhos. A gente apenas passa os olhos nos balões e sai devorando as páginas sem dar muita atenção aos pobrezinhos dos desenhos. Fica restando para estes apenas a nossa nublada visão periférica. Então, chegou um quadrinhista para se vingar dessa malvadeza.
Não há como compreender os quadrinhos do Rafael Sica sem examinar com cuidado seus desenhos. É que não há texto e só nos resta examinar o grafismo para sacar suas idéias incomuns, e as vezes absurdas. Digo examinar, pois é isso que tem de ser feito: uma olhada rápida é insuficiente para extrair lógica naquela aparente zona non sense total. O próprio autor diz que prefere sua obra sem texto pois isso a torna aberta para cada leitor criar seu próprio texto, tirar suas próprias conclusões.


Nada é inédito no livro do Sica editado pela Quadrinhos na Cia. Tudo saiu do blog do autor que é onde suas tiras aparecem primeiro. Lá é onde o público desce o pau, elogia, fala o que quer. Mas o Sica apenas observa sem interferir ou responder nada. Aliás, os comentários são um capítulo à parte no blog do Sica. Os seus leitores estão sempre xingando o autor, rasgando elogios ou mesmo tentando amarrar um sentido único para seus quadrinhos. São simplesmente imperdíveis. O autor até mesmo já utilizou as falas que aparecem por lá numa série de tiras. É muito bacana esta “conversa” entre o autor e seus leitores. O livro não te dá esse suporte, é uma leitura solitária.


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