Eu dei meu melhor sorriso
Volte amanhã
Quando a luz baixar e as coisas se mostrarem
O dia será novo e assim as intenções
Estarei à espreita.
Na tolice minha
Esperando por esperar,
Como as rochas o mar
Venha até mim
Deixe-me abraçá-la por entre os dedos
Escape o suficiente para fazer-me feliz
Fincar ou flutuar ao canto da sereia,
Na disposição das águas
No dourado da areia
Com a ressaca esvai-se meu orgulho,
Com as ondas retorna meu infortúnio
Volte amanhã
Encante-me uma vez mais
Despedace-me numa alcova de palavras
Minha tolice recompensará
Envolta em sargaço
Quando a maré baixar
Palpitando a sua ausência
Nade até mim,
Fundo,
Além do azul anil e da espuma branca
Lance sua rede oca
Me leve ao lugar de onde vim
Eu e meus contraditórios
À mordaça
Para dentro do baú
Com a chave em minhas mãos
E as sílabas na cabeça
Mas volte amanhã.

30.07.2010
NÁUFRAGOS

A Prancheta é um projeto de Eduardo Rocha, criado em fevereiro de 2008. Atualmente conta com 15 colaboradores gerando conteúdo diariamente pra vocês.

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