Sabe qual é a última tendência literária em Nova York? Garotas nuas. Pois é, ao colocar mulheres apenas de salto alto e com livros em punho, o projeto Naked Girls Reading, obviamente, tem dado o que falar.
Particularmente, fico um pouco dividida com essa novidade. Uma parte de mim tem curiosidade de “assistir” à leitura, porque a imagem que me vem à cabeça é logo de um filme noir, com direito a mulheres rechonchudas, maquiadas e maliciosas, naqueles cabarés glamourosos da década de 40, recriados nos cinemas.
Por outro lado, me entristece que a literatura precise desse apelo para chamar atenção. Porque, vamos e convenhamos, para o espectador que sai de casa para ver as naked readers, a última coisa que importa é o que elas estão lendo. Para o bem da humanidade, é Shakespeare, Oscar Wilde. Mas aposto que qualquer pessoa só consegue prestar atenção nisso na metade do espetáculo para o final, depois de cansar da visão. É nessas horas que eu penso nas previsões apocalípticas para a literatura.
Imagina essa historinha aqui no Brasil, tipo, jovens nuas lendo Nelson Rodrigues? Bagaceira pouca é bobagem. Certamente, os homens que acompanham o blog não teriam nenhuma ressalva.
















Acho que essa ideia das “naked girls” é polêmica porque transita no âmbito do erotismo para atrair o público curioso a ler obras famosas. De um lado, é uma forma de agregar novos leitores; de outro, pode descaracterizar a literatura, relegando-a a um plano menor, já que a imagem das mulheres nuas se destacará diante do conteúdo lido (e talvez passe a figurar como o aspecto mais importante). É, enfim, uma polêmica que merece aimda uma discussão aprofundada…