
Dois amigos já tinham me prevenido sobre Vida, biografia do Keith Richards, escrita pelo compadre dele Jamie Fox. De que era longa, enfadonha, mal traduzida. De fato, o livro tem mais de 600 páginas e um monte de defeitos. Mas nem por isso deixa de ser divertido. Quando se trata de Richards, guitarrista dos Rolling Stones e uma das maiores (e mais feias) figuras do rock desde sempre, não poderia ser diferente.
O começo realmente é meio chato. Histórias de formação de banda são geralmente todas iguais. Amigos de escola que decidiram tocar juntos influenciados pela música negra americana e blablablá. O negócio só esquenta mesmo mais pra frente. Mais ou menos quando Anita Pallemberg entra em cena, junto com sua amiga heroína. Ambas foram companheiras de Keith durante muitos anos.

O nascimento do hit Satisfaction, a morte de Brian Jones, as gravações do Exile On Main Street, a louca turnê do álbum Sticky Fingers, os problemas com a justiça em diversos países, a amizade com os rastafaris na Jamaica. Keith fala de tudo isso como se estivesse tomando um uísque com você. Mas de todos os assuntos, o mais interessante é mesmo o seu relacionamento com o glimmer twin Mick Jagger.
Richards não perde a chance de tirar uma onda de Jagger quando pode. Conta que já foi informado por garotas ‘compartilhadas’ que o Mr. Lips não é lá muito bem dotado e que, a partir da metade dos 80, ele passou a sofrer de LVS, abreviação para Lead Vocal Syndrome, doença que faz com que os vocalistas se sintam os donos da banda. Isso já quase acabou com os Rolling Stones algumas vezes.

Todas as críticas ao parceiro, no entanto, são feitas de um jeito que só Keith poderia fazer. É aquele tipo de coisa, se alguém por perto falar mal de Mick, ele cai de porrada no sujeito. Caso típico de amor e ódio. Segundo Richards, a relação entre os dois hoje não é mais de amigos, até porque convivem muito pouco. É uma relação de irmãos. Um faz parte da história do outro, queiram eles ou não.
Pra quem é fã dos Rolling Stones, Vida é leitura obrigatória. E fica ainda mais legal com a trilha correspondente a cada um dos capítulos no fone de ouvido. Muito bom ouvir Tumbling Dice, Brown Sugar ou Start Me Up, lendo cada detalhe sobre como elas foram compostas ou gravadas. Pra quem não é fã, vale a leitura também. Mas pode começar da página 200 que não vai perder muita coisa.














Fiquei curioso! Vou procurar ;)