
Guilherme Marconi é de Nova Friburgo (RJ) e começou trabalhando como web designer. Em pouco tempo percebeu que gostava mesmo de ilustração e criou um estilo único que tornou-se uma assinatura reconhecida no Brasil e lá fora, realizando trabalhos para gigantes como Nike, Vodafone, Absolut Vodka, Banco do Brasil e AT&T. Aproveitei que Marconi está vindo ao Recife palestrar no iSeminar e falamos um pouco sobre como ele enxerga seu trabalho e o sedutor mercado de ilustração.


Sua paixão por ilustração começou com gibis. Qual deles você sonhava em desenhar?
Eu gostava de gibis, mas não era nada que me levasse a sentir tanta vontade de desenhar. Eu ficava alucinado vendo desenhos como Caverna do Dragão, Thunder Cats e vários outros, esses sim eu realmente tinha vontade de um dia também fazer, desenhar aqueles personagens. Eu até hoje continuo sendo viciado em desenhos, só que agora eu curto mais animes, como Bleach, Naruto, OnePiece (meu desenho preferido).
Você é um autodidata. Considera cursos de design e ilustração importantes para o trabalho de um ilustrador?
Eu sempre considerei qualquer forma de aprendizado muito importante para o processo, cada um tem uma forma de aprender. Uns conseguem ter disciplina e vontade de buscar informação e acabam por estudar o que precisam sozinhos. Outros gostam de alguém com experiência onde podem aprender de uma maneira mais objetiva, e com assistência. Eu acho cursos tão importantes, que comecei curso de pintura na última semana, foi super legal, ter alguém que possa me explicar toda a técnica, sem eu ter que ficar errando e acertando para entender o processo.


Seu trabalho segue um estilo muito bem definido com composições de elementos repetidos e cores muito fortes. Como surgiu isso?
Surgiu há algum tempo atrás, eu estava cansado do meu trabalho, as campanhas que eu vinha ilustrando eram cansativas e eu precisava de uma maneira de produzir algo que eu gostasse. Foi a partir desse momento que comecei a tentar produzir as imagens que tinha na cabeça e usar as cores que não podia usar no meu trabalho como ilustrador, e então começaram a surgir essas imagens da minha compulsão por repetição e cores.
Ter um estilo tão forte limita seu trabalho ou o fortalece ainda mais?
Tudo na vida pode limitar ou fortalecer, na verdade o importante é como você lida com a questão. Eu acredito que meu estilo me fortalece, pois foi quando decidi segui-lo que várias coisas legais aconteceram. Alguns trabalhos bons apareceram, assim como um número maior de participação em publicações. Você não pode deixar nada te limitar, quem se limita é você mesmo. Não há limite para a criatividade e o número de imagens que você pode criar. Bem, esse é meu modo de ver o mundo.

Ser brasileiro e valorizar essa influência nas suas peças é uma vantagem no mercado internacional?
É legal ver o quanto eles ficam encantados com as cores do trabalho, acho que isso é uma coisa do Brasil, essa riqueza de cores, e de pessoas, acho que isso que eles veem no meu trabalho. É sim uma vantagem.
Em seu site é possível comprar impressos e wallpapers para celular. Existe esse mercado?
Os wallpapers tem uma venda muito baixa, quem compra é realmente quem curte o trabalho, e eu fico feliz com essas pessoas que preferem contribuir ao invés de achar outra forma de colocar as imagens no cel. Mas as vendas são muito baixas. Com relação aos impressos, o mercado é bem mais real. Inclusive, a agência que cuida do meu trabalho voltado para publicidade é a mesma que cuida da venda de edição limitada dessas Obras, a ArtPimp. O Marco faz um ótimo trabalho na venda dessas peças e esse é um seguimento legal e em expansão.



Esta é uma área que não para de crescer e aparecem ilustradores o tempo todo, por todo lado. Algum novato chamou sua atenção?
Eu há muito tempo parei de navegar na internet, vejo somente o necessário para minha sobrevivência. Eu optei por fazer isso porque chegou o momento que tantas influências não me permitia encontrar o meu estilo. Quando fiz isso me desliguei um pouco do que estava acontecendo. Mas de todos novos artistas que surgiram, hoje ele nem é mais um novato, mas continua sendo o artista que mais admiro é o Will Murai. O trampo dele é simplesmente perfeito e inspirador.
O que você faz quando não está desenhando?
Quando eu não estou desenhando eu costumo pintar, ir ao cinema, ver desenhos, viajar com minha esposa, conversar com amigos, ir a um bom restaurante japonês, correr um pouco para relaxar do estresse do dia-a-dia. Gosto de fazer tudo aquilo que me dá prazer e me diverte, de estar entre amigos e bater um bom papo.
Pra onde você vai agora?
Eu vou continuar um freela que preciso concluir antes de viajar para participar do Iseminar. Depois estou pensando em ver Distrito 9 no cinema.

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massa também é o eye.marconi.nu, um caleidoscópio genial.