
As pessoas costumam dizer que as mulheres gostam do que elas escutam, enquanto os homens gostam do que eles vêem. Eu acho que é um pouco assim, mas um pouco diferente: costumo dizer que as mulheres vêem com os ouvidos.
Fazendo uma rápida enquete entre os meus amigos, chego à conclusão de que o poder de abstração das mulheres é bem maior do que o dos homens; a capacidade de criar situações e cenários apenas com a narração de alguém sobre uma situação é um exercício freqüente em mulheres de todas as idades. Já os homens… costumam ser mais objetivos e pragmáticos com a sua imaginação.
Meus ouvidos têm olhos; várias vezes já me vi em situações onde uma pessoa estava contando uma história e eu estava muito mais preocupada em ambientá-la do que em saber o final. E quando é uma história que envolve pessoas desconhecidas e que você, um dia, vem a conhecê-las e elas não “batem” com o que você visualizou? Eu fico com aquela cara de “mas não era pra você ter esse cabelo…”.
Curiosos juntos ou separados, os sentidos também são fascinantes quando são figurativos, subjetivos. Há os que gostem dos olhos que engolem e das bocas que tocam; mas acho que nenhum deles aguça tanto o poder da imaginação – coroado por uma construção paralela, um fato alegre ou simplesmente por uma grande salada de referências – como os ouvidos que “vêem”.














Eu acho a sinestesia massa, a visão é muito autoritária e diminui o destaque das impressões advindas dos outros sentidos. Qunado a visão não é preponderante na experiência que se vive abre-se espaço pra novas sensações quando sinestésicas melhor ainda.