
Todo bar tem um corno, um felizardo, um aniversariante, um pirangueiro, um grupo de amigos Ãntimos, um monte de meninas que falam alto, um casal feliz, um outro casal calado comemorando o noivado de 4 anos e 9 meses, um garçom gente boa, um dono boêmio e um cara na companhia da amante com quem viajou a negócios para a praia.
Toda praia tem uma pracinha, uma igrejinha, uma prefeiturazinha, uma vendinha, uma padariazinha, uma sorveteriazinha, um carrinho de batata frita, uma casinha que todo mundo inveja, um parquinho de diversões que vem de vez em quando e um campinho de jogo de futebol improvisado na areia.
Todo jogo de futebol tem um churrasquinho de gato, um vendedor equilibrista, uma cadeira molhada, um narrador que a qualquer momento pode ter um enfarte, um juiz feladaputa, um cara que puxa todos os palavrões que vêm depois e não sei quantos mil radinhos que não tocam música.
Toda música tem um maluco dançando em outro ritmo, uma cor, um humor, uma saudade, uma inspiração, uma lembrança, um balanço, um significado, umas entrelinhas, uma vibe, um recado e a história de um beijo.
Todo beijo tem um gosto do que o outro acabou de comer, um tempo, um compasso, um movimento, um motivo, um tipo, uma vontade, um desejo, uma intenção, um carinho, um quero mais e um feitiço que aplaca a dor.
Toda dor tem uma hora, um tamanho, um peso, uma altura, uma largura, uma flecha, uma razão, um sinal, um latejo, um curativo na alma, um silêncio, um grito e um pedido de amor.
Todo amor tem uma cidade, um bar, uma praia, um jogo, uma música, um beijo e uma dor que sempre se repetem.














Alguém devia transformar isso em música.