
Se você soubesse que iria partir em breve, o que gostaria de deixar como lembrança para o mundo?
A vida é cheia de despedidas. Desde pequeninos, nós aprendemos a deixar pra trás coisas que nos acompanharam, que nos fizeram completos durante um tempo. Eu lembro de quando eu abandonei a chupeta, de quando perdia dentes e de quando deixei minha escola de infância, rumo à adolescência. Em todos esses momentos, havia tristeza mas também havia uma sensação de “tem algo novo me esperando por aí”.
Hoje, aos 30 anos, vejo que algumas partidas tocam mais forte, têm um significado mais simbólico. É como se o que vivêssemos na infância fosse um preparatório para a maturidade. A carga é contínua, e o repertorio de memórias e referências vai se somando a cada dia.
Do que vivi, lembro muito de quando parti para São Paulo, em busca de coisas que nem eu sabia direito o que eram, mas sabia que as queria. Lembro de partir, e de ter tido meu coração partido. Lembro de momentos de ascensão e queda profissional. Lembro da perda de pessoas queridas e do consolo da família.
Em todos esses momentos, lembro de uma coisa que foi muito útil em alguns momentos e que fez muita falta em outros: serenidade. Eu acredito que só placidamente conseguimos processar os acontecimentos, entender e tirar o melhor de todas as partidas pelas quais passamos na nossa vida.
Por isso, desde hoje já digo que o meu exercício de vida é passar por esse mundo de maneira serena, transmitindo a quem precisa, gosta ou simplesmente está no caminho uma sensação de tranqüilidade, e de que enquanto houver partidas na vida estaremos sempre aprendendo com elas.














dizem que j. cocteau, quando perguntado sobre o que levaria da sua casa, se ela pegasse fogo, respondeu: o fogo. independente da veracidade, acho foda.