
Eu tenho 29 anos. Desde pequenina me interesso por música, desde que entrei na faculdade me interesso por cinema, desde que me envolvi com comunicação tomei gosto e acompanho eventos, prêmios e pensadores da área. Meus maiores hobbies e paixões estão presentes na minha vida há muito tempo. Pois imagine você que eu, aos 29 anos, arrumei uma nova paixão: o futebol.
Assim como a música, o futebol sempre esteve muito presente na minha infância. Meu pai e meu irmão torcem, acompanham campeonatos e vão a estádios torcer pelos seus times – seuS no plural mesmo: papai é Sport e Bernardo é alvirrubro doente. Mesmo assim, eu não despertei interesse nenhum pelos esporte. Era uma adolescente “cabeça” da UFPE, que só queria beber pinga com mel no boteco da faculdade e assistir a filmes iranianos no cinema de arte de Recife.
Mas aí o tempo passou, eu cresci e vim morar em São Paulo. Alguns anos depois, eu comecei a namorar um santista roxo, ao mesmo tempo que Bernardo (meu irmão alvirrubro doente) vinha morar comigo.
Pois é. Eu fiquei encurralada.
Tornou-se freqüente nosso happy hour às sextas, os três, no São Cristovão – um bar tradicional da Vila Madalena, que é ele mesmo uma grande homenagem ao futebol. Conversas, chopps, fotos, jogos… eu, que comecei com uma atitude meio “se não pode vencê-los junte-se a eles”, tomei gosto pela coisa.

O engraçado é que o gosto tardio pelo futebol me fez diferente do meu namorado e do meu irmão alvirrubro doente. Eu acompanho, torço (pelo Náutico e pelo Santos, como não poderia deixar de ser) mas gosto mais é do que está por trás dos gramados: vieses políticos, talentos no campo versus maturidade profissional e, claro, a publicidade – positiva ou negativa – em torno do esporte.
Com o futebol, eu lembrei de como é bom descobrir um novo prazer na vida. E, assim como na música, no cinema e na comunicação, o prazer prevê também visão critica , bom senso e participação. Torcedores do Brasil, pensem nisso.
















Adorei o texto, até por que me identifiquei bastante com sua nova paixão, não que tenha se tornado também pra mim, mas pela primeira vez, durante essa copa de jogos em horários “assistíveis”, meu namorado alvirrubro roxo e grande jogador das peladas de terça, escutou minhas críticas e comentários sobre as partidas. Me senti tão bem!=P
Beijo.