
O nome deste post é uma homenagem a um dos documentários que mais me emocionaram na vida, o homônimo “Janela da Alma”, de Walter Carvalho e João Jardim. Lembro como se fosse ontem o dia que assisti a esse documentário lá no cinema da Fundação, em Recife.
Pra quem não conhece, esse filme mostra depoimentos de 19 pessoas – artistas, intelectuais e pessoas “comuns”, com diferentes graus de dificuldade visual, desde miopia até cegueira. Essas pessoas discorrem sobre seus ofícios e sobre como vêem (ou não) o mundo onde vivem. O filme é lindo para qualquer um. Pra mim, que sou míope, foi como se olhar no espelho.

Ser míope é mais do que uma limitação, é um determinador do seu estilo de vida. e ao mesmo tempo muito individual; Eu realmente acredito que os olhos são a janela da alma; e acredito também que a alma dos míopes são cooperativistas, parceiras, quem é míope sabe – é difícil explicar o que a gente vê – e o que não vê.
Ser míope é tatear a cabeceira de manhã em busca dos óculos e, quando ele cai no chão, agachar-se pra procurar e bater a cabeça no fundo da cama; é gostar de sentar nas cadeiras do meio do cinema, e não lá no fundão; é ler o cardápio como se fosse engoli-lo, é apertar os olhinhos pra tentar ler um Power Point ptojetado numa sala lotada.
Existem duas maneiras de se enxergar uma limitação: ou como um problema, ou como um novo hábito. Eu prefiro a segunda opção – e pra mim, tudo isso que eu citei aí em cima é como escovar os dentes uma vez a mais por dia.














Não costumo ter paciência para ler o primeiro e o ultimo post de páginas de blogs, além dos que eu de fato parei pra ler, mas os seus eu parei, li, senti e partilhei do que foi dito. Muito bom!!!