Logo após uma franquia contemplar três filmes, e às vezes até mesmo dois, a indústria cinematográfica sente a necessidade de uma mudança, uma recauchutada. E é aí que surgem os tais “reboots”, “prequels” e as famigeradas origens. O Homem Aranha depois de três filmes de grande sucesso, já começa a produzir um novo recomeço, com novo diretor, novos atores, mas a mesma história. Não se surpreenda se logo após “Batman – The Dark Knight Rises” e a saída de Christopher Nolan tudo seja zerado novamente. Até o psicopata Hannibal Lecter passou por essa crise de identidade. Teve sequência com atriz diferente, história que se passava antes do primeiro filme, e claro, sua origem, que enterrou de vez a franquia. Já o Superman, após 25 anos do seu último filme, a galhofada com Richard Pryor, tentou o seu retorno com o Bryan Singer, e tentará novamente com Zak Snyder (que por sinal, ainda não consigo visualizar vôos supersônicos em câmera lenta).
Mas diferentemente dos citados acima, a única franquia que se compreende a realização desse background para seus personagens é a dos X-Men. Simplesmente porque nos seus primeiros filmes somos jogados no meio dos acontecimentos do seu universo, e convenhamos, o foco principal dos anteriores era o Wolverine, obviamente motivado pelo seu apelo perante os espectadores. E mesmo que a mitologia do universo fosse explorada de uma forma ou de outra, sentia-se a necessidade de mais informações.
E é exatamente isso que “X-Men: Primeira Classe” nos entrega. Argumentações plausíveis e bastante verossímeis para a construção da personalidade dos seus personagens. E nada melhor para representar essa linha condutora que os líderes das duas frentes mutantes: Professor X e Magneto.
De longe, o universo dos X-Men é o mais interessante do mundo dos quadrinhos, simplesmente porque trata de conflitos que podem ser comparados a nossa realidade. O conceito de ser diferente e de aceitação de sua condição é imediatamente remetida a nossa sociedade mendiga que teima em identificar sociomoralmente as pessoas por determinados predicados. E Erik Lehnsherr (Michael Fassbender), durante a segunda guerra, conheceu de perto o que o ser humano é capaz de fazer. Sobrevivente do holocausto, a raiva e a vingança é o seu principal motor. E o seu contrapronto, Charles Xavier, é um intelectual que tenta compreender as diferenças, e busca o convívio pacifico e respeitoso entre os homens e os evoluídos geneticamente. E o filme toma outra dimensão quando esses dois personagens entram em cena. A química entre os atores James McAvoy (Desejo e Reparação) e Michael Fassbender (Bastardos Inglórios) é imediatamente notada, criando uma relação de respeito e cumplicidade, também já visto nos filmes anteriores quando já estão em lados opostos. Isso é um exemplo do quão interessantes e bem recriados são esses personagens.
A grande ferramenta do filme é a sua colocação temporal, utilizando a década de 60 como pano de fundo. Se a luta pelos Direitos Civis faz conexão óbvia à situação dos mutantes, a iminência de uma guerra nuclear nos coloca na urgência exata do agir. E essa possibilidade do fim da raça humana “não evoluída” é o motivo perfeito para questionar o “E por que não?”.
Por se levar a sério e possuir um roteiro maduro suficiente, X-Men: Primeira Classe nos brinda com personagens tridimensionais e uma história que realmente só mostra o início, fazendo você implorar por muito mais.

















Magnífico comentário! Só deu mais vontade de assistir ao filme! Faltou uma informação… Quando é a estréia?