Lars Von Trier em quase toda a sua filmografia colocou o ser humano em um patamar de dispensabilidade, como se um dia chegássemos ao fim, o planeta não estaria perdendo nada. O lado perverso do ser humano é sempre uma das suas temáticas principais, nos mostrando nossa capacidade infindável de produzir dor e injustiça.
Em Melancolia, ele realiza uma espécie de vingança sobre aqueles tantos personagens descartáveis. Ele não apenas mata todos os habitantes de Dogville, como vimos no filme homônimo, como extingue toda a raça humana que ele julga ser tão fétida. Logo nos primeiros minutos vemos um planeta denominado Melancolia se chocando com o planeta Terra, o transformando em nada mais que poeira cósmica. Utilizando dessa estrutura narrativa – em contar logo o fim inevitável -, Lars Von Trier nos proporciona uma liberdade para apenas acompanharmos as últimas horas daquelas pessoas. E o mais interessante é que, agora, à iminência do fim do mundo, o cineasta dinamarquês não inclui os tais personagens desprezíveis. Somos apresentados a pessoas normais, com angústias e dúvidas, e, por que não, um tanto esperançosas.
Dividido em duas partes, o filme utiliza de uma festa de casamento – no melhor estilo “constrangimento” do filme “Festa de Família” (dirigido por Thomas Vinterberg e marco do movimento Dogma 95) – para apresentar todos os personagens de uma forma orgânica e representativa, e dentre eles a noiva e titular da primeira parte: Justine (Kirsten Dunst). Aqui vemos uma garota que mesmo durante o seu casamento aparenta não pertencer àquele universo. É despejado em nossos colos uma dor e uma depressão, mas que por pura falta de informação, não nos atrevemos a questionar suas origens e motivos. O seu deslocamento se contrasta claramente com sua irmã, Claire. Intitulando a segunda parte, a personagem da atriz/cantora Charlotte Gainsbourg logo transparece o mesmo formalismo e a mesma frieza que ela tenta implementar no casamento de sua irmã. Aparentemente deixando de lado suas próprias dores e angústias para permanecer nesse circuito de aparências.
Utilizando uma estética que se aproxima mais do Anticristo do que dos seus filme anteriores do movimento Dogma 95, Lars Von Trier definitivamente se desprega das amarras impostas pelo movimento escandinavo, utilizando os elementos visuais como engrenagem de sua estrutura narrativa. A fotografia, por exemplo, durante a primeira parte, procura sempre deixar os personagens à mercê da luz, como holofotes, que elegantemente faz referências a ideia da luz do planeta que se aproxima. E logo no segundo capítulo, essa iluminação vai ganhando mais unicidade. Um elemento interessantíssimo é a caracterização do planeta, criado através do tom azul. Lars Von Trier foge do lugar comum não adotando uma caracterização mais óbvia, como a utilização de tons de vermelho, deixando-a assim mais assustadora, em referência a uma bola de fogo ou mesmo ao apocalipse. Nesse caso, a escolha do azul faz jus ao nome do planeta, já que em inglês “blue” pode ser usado como “triste/tristeza/melancólico”. Então, saindo desse lugar comum, tudo se torna mais suave, deixando a sensação que mesmo próximo do fim do mundo, a aproximação dessa bola azul é um fenômeno tão extraordinário, e que sua passagem, mesmo destruidora, também pode dar sentido a nossa jornada.















O que ninguém sabe é que esse é o Depois da Caverna do Dragão de Sheila. O planeta azul é o poder do Vingador com todas as armas juntas. jahahhaha (ALOKA)
Tô louco para ver esse filme. Apesar de muita gente odiar, eu achei o Anticristo um filmão, se ele leva a mesma estrutura, vai ser massa :)