A jornada do bruxo iniciada em 2001 chega ao fim nesse final de semana. Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte II é sem dúvida alguma o filme de verão mais esperado do ano e consequentemente será o mais visto. Durante essa década, tanto os personagens da franquia quanto os seus fãs passaram pelo árduo processo de crescimento e aprendizado, e acertadamente os seus filmes também o acompanharam. Iniciada por dois filmes dirigidos por Chris Clolumbus (Harry Potter e a Pedra Filosofal, e Harry Potter e a Câmera Secreta) e considerados mais infantis, onde apresentação daquele universo mágico e dos seus personagens era até mais importante que a própria história. A franquia (até então uma promessa) era considerada para crianças, principalmente analisando o cenário da época: O Senhor dos Anéis iniciando sua aventura e a saga Matrix ainda estava no nosso imaginário. E possuindo noção do seu público, tanto no que se refere ao seu crescimento quanto a sua capacidade intelectual, já que os livros são obras muito bem escritas e bem desenvolvidas, a Warner apostou na mesclagem de visões cinematográficas, onde vários diretores tiveram espaço para demonstrar um universo relativamente diferente um do outro, o que se equivale à própria análise de vida da sua base de fãs, que muito das vezes enxergam a mesma coisa de formas diferentes. E muito dessa transição de atmosferas desenvolvida no livros escritos pela J.K Rowling e acompanhada pelo cinema aconteceu logo no terceiro filme, o Harry Potter e o Prisioneiro de Askaban, dirigido por Alfonso Cuarón. Aqui a saga dá início verdadeiramente ao seu problema e à busca incessante por sua solução.
O filme Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte II inicia logo após os acontecimentos tristes da sua primeira parte, o espectador logo se conecta com suas emoções passadas. As lembranças daqueles personagens e suas angústias logo se tornam presentes, e o caráter de urgência imediatamente é ativado nos lembrando que aqueles personagens tão adorados têm um caminho bastante árduo e longo.
Buscando a destruição das Horcrux (objetos que abrigam as divisões da alma) de Voldemort, Harry, Hermione e Rony se deparam com um desafio atrás do outro, e mesmo que inicialmente aqueles desafios a serem solucionados aparentem um tanto apressados, na medida em que os mesmos vão sendo destruídos, a sensação de embate final vai emergindo. Enquanto o trio principal tenta resolver tudo sozinho, algo que acontece pela primeira vez em toda a saga – o que obviamente ajuda ao crescimento pessoal, Hogwarts se encontra dominada por “aquele-que-não-deve-ser-nomeado” e seus súditos. E esse paralelamento de histórias ajuda intensamente o ritmo do filme, enquanto vemos o trio na busca dos Horcrux, os personagens de Hogwarts preparam uma segunda fronte de combate, o que também nos ajuda a nos despedir de tantos outros personagens queridos e admirados. O que chega ao seu ápice quando essas duas frontes se encontram para o ato final.
Tecnicamente a saga Harry Potter sempre foi considerada de grande qualidade, da composição e implementação dos ambientes retratados nos livros aos efeitos especiais que uma década atrás já eram considerados diferenciados. Mas o que mais me impressionou durante esse dez anos foi o conceito por trás da fotografia, como se os sete filmes fossem distribuídos em uma paleta de cores que começam das cores quentes e vivas, e terminam nas frias e sombrias (o que é notado até no logo da Warner). A diferenciação de filtros de fotografia nos coloca na sensação adequada para a história, isso realça claramente a narratividade de toda a saga, o crescimento dos seus personagens e de todos os desafios que eles têm que superar. Nesse ultimo filme, o diretor David Yates e o diretor de fotografia Eduardo Serra também criam momentos mais tranqüilos e mais esperançosos utilizando uma fotografia mais clara, juntamente com inserts das músicas dos primeiros filmes compostas por John Williams, para que logo após essas lembranças sensoriais, os embalos da trilha de Alexandre Desplat voltem juntamente com a fotografia sombria.
Mas de todo o universo, um dos mais importantes elementos é definitivamente seus personagens. O vilão, que não se sabia o seu nome e nem sua face, mas que brilhantemente pelo roteiro nos deu a gravidade da sua existência; os professores, que nos levavam a um universo completamente desconhecido, e que sempre foram fundamentais na luta contra Voldemort; e, claro, o trio principal: Harry Potter, Hermione Granger e Ron Weasley. O carisma desses personagens imediatamente percebido logo nos primeiros filmes e as suas características que o definiam, muitas vezes estereótipos de um personagem, cresceram e se moldaram durante todos esses anos, chegando ao ápice de suas responsabilidades e importâncias em um momento decisivo não só para as suas vidas como para a vida daquele universo. Esse ato final, mesmo que peque em alguns momentos em emoção, em dar importância adequada a certos acontecimentos, o capitulo final dessa saga se encerra de forma extraordinária, deixando os fãs imediatamente órfãos de uma obra artística que os leve a um universo tão interessante como é Hogwarts.
Eu volto a dizer, quando lançada a saga Harry Potter, eu estava fazendo 17 anos, o meu interesse estava na Terra Média e no mundo Cyberpunk de Neo, nunca fui um fã, mas hoje posso dizer que tive sorte de poder apreciar um pouco dessa década de magia.















eu quero veeeeerrrrrr!!!!!!
eu tinha 16 quando tudo começou e estava na mesma q tu, no mundo de Senhor dos anéis e esparando que Neo fosse o escolhido.
Adoro esse mundo de fantasias desde “O feitiço de Áquila” e “História sem fim”.acho que sempre me encantarei com isso.