
Der Baader Meinhof Komplex (Alemanha, 2008) é um filme de ficção sobre o lendário grupo terrorista Fração do Exército Vermelho (RAF – Rote Armee Fraktion), também conhecido como Baader-Meinhof.
Dirigido por Uli Edel (As Brumas de Avalon) e baseado no best-seller homônimo de Stefan Aust, o filme procurou ser o mais fiel possível aos fatos reais, utilizando gravações dos julgamentos e trechos de cartas para compor os diálogos das personagens. Aust conhecia intimamente alguns membros da RAF e por isso mesmo foi capaz de retratá-los complexos e ambíguos, longe do mito romântico e heróico normalmente utilizado em representações do gênero. Todos acabam sendo muito reais, o que torna a identificação com o espectador mais fácil.


A RAF teve sua origem nos movimentos estudantis do final da década de 60, sendo fruto da revolta da geração alemã pós-nazismo com um governo de extrema direita fortemente aliado aos Estados Unidos, considerado fascista pelos estudantes de esquerda. Seus protestos atacavam diretamente a guerra do Vietnã e a pobreza do terceiro mundo.
O grupo foi formado em 1970, após a bem sucedida jornalista Ulrike Meinhof ajudar Andreas Baader a fugir da prisão. Baader fora condenado em 1968 por colocar bombas em 2 estabelecimentos comerciais, juntamente com sua namorada Gudrun Ensslin.
A partir daí cometeram diversos atos terroristas até a prisão dos líderes em 1972. Os membros da facção que continuavam à solta cometeram outros tantos ataques e sequestros na tentativa sem sucesso de forçar a libertação de Baader, Meinhof e Ensslin, culminando no suicídio coletivo dos prisioneiros após o fracassado sequestro de um avião da Lufthansa em 1977. Novas gerações da RAF continuaram suas atividades até 1998, quando o grupo foi oficialmente extinto.
O filme mostra desde o início do envolvimento dos terroristas com o movimento estudantil ao suicídio de 1977 em 2h30, que passam despercebidas graças ao excelente trabalho de Edel. O elenco inclui grandes estrelas do cinema alemão, como Martina Gedeck (A Vida dos Outros), Moritz Bleibtreu (Corra, Lola, Corra) e Bruno Ganz (A Queda – As Últimas Horas de Hitler).
Apesar de exibir cenas de extrema violência e falta de coerência e objetividade em diversas ações da RAF, parte do público alemão acusou o filme de aumentar a aura de heróis revolucionários que paira sobre o grupo desde os anos 70, quando 25% da população jovem apoiava as ações da facção. Mas a verdade é que Der Baader Meinhof Komplex apresenta uma imagem totalmente imparcial dos ícones da RAF. Então por que é tão fácil enxergar o lado heróico e simpatizar com os terroristas?
Aust disse em entrevista ao Deustche Welle que pretende com o filme trazer o grupo de volta para a Terra, desmitificá-lo, porque terrorismo é terrorismo e as pessoas às vezes esquecem-se disso.
Em 2005, a galeria Kunst-Werke, em Berlim, inaugurou uma exposição exibindo 30 anos de arte inspirada no movimento. A mostra criou grande polêmica e colocou em discussão o fascínio que estes terroristas exerceram e exercem na arte e na cultura pop. De certa maneira, essa glorificação ajuda a divulgar o grupo e seus ideais. Meu interesse surgiu através da música “Baader-Meinhof Blues”, da Legião Urbana, que ouvi ainda criança. Em 2001, a Prada lançou uma coleção de camisetas com o tema “Prada Meinhof”, associando o grupo ao hype da alta moda. O contraditório título acabou virando expressão para causas políticas no mundo fashion.


A verdade é que grande parte dos que consomem figuras políticas como ícones pop não tem noção da camisa que veste. Se todos que saem com Che Guevara estampado no peito conhecessem de verdade sua história, seus ideais e sua luta, o mundo não estaria afundando em egoísmo, consumismo e futilidade. A absorção desses ícones pelo mundo pop nada mais é que uma banalização do ideal revolucionário e com o Baader-Meinhof não é diferente. É bom saber bem que bandeira se está levantando, pro bem ou pro mal.
Os protestos de Ulrike Meinhof são princípios básicos de humanidade e justiça, apresentados com muita coerência. É quase impossível ouvi-los e não concordar com suas ideias. Mas Ulrike não acreditou que apenas ideia sem ação poderia mudar o mundo. E será que pode?

Trailer do filme (com legendas em português):
















terrorismo pop é uma coisa bem interessante de se ler, me parece um filme bem interessante e essa temática de vestirmos ideologias e historias literalmente falando é bastante interessante renderia diversos questionamentos, a pergunta é o que mais vestimos?