Este semana temos o festival de cinema (ou do audiovisual) e faremos uma cobertura diária aqui no blog, comentando cada um dos filmes exibidos. A princício, nosso colunista Rick Monteiro fará a cobertura, mas em alguns dos dias farei eu. Fiquem ligados.
Ontem, dia 26 de Abril, começou o XIV Cine PE – Festival do Audiovisual. E obviamente que o colunista que vos escreve estava lá para acompanhar o primeiro dia do principal festival de cinema de Pernambuco e tentará ao máximo deixar essa cobertura a mais completa possível. Então vamos aos filmes:
Dia 26.04.10 – Dia 1

Tanto (Digital, Ficção, Direção: Nataly Callai ,8’, SC): Apostando em uma estrutura narrativa extremamente cadenciada, o filme tenta criar um minimalismo através da fotografia em preto e branco, da câmera quase estática e de um personagem que inicialmente interessava por sua falta de ações. Mas, o filme tenta. E só. A obviedade do desfecho narrativo chega a ser embaraçoso e aquele minimalismo que imaginávamos no início do filme soa infantil e enganativo. A fotografia é errada do começo ao fim. Os planos, na maioria estáticos, parecem filmar uma peça de teatro, e essa abordagem retira o peso dramático do filme. Além da escolha do preto e branco que na maioria das vezes não passa de um recurso pra deprimir a história quando não se tem conteúdo para se alcançar o objetivo. 1/5

Lá Traz da Serra (Digital, Documentário, Direção: Paulo Roberto, 8’, PB): Esse curta-documentário conta a história de uma família que vive (sobrevive) isolada do mundo na Serra de Santa Catarina. Seu Antônio de Epitáfio é o pai da família e basicamente o centro da história. Carismático, falador, trabalhador e consciente de suas dificuldades, Seu Antônio é um personagem interessantíssimo, mas infelizmente essa abordagem já foi vista em outros documentários. Essa pessoa simples, pobre, sem educação acadêmica mas que possui um vasto conhecimento da vida. O filme é bom. Quer dizer, o personagem é bom. E todos os elementos externos a esse personagem tão rico é minado pelo diretor. A inclusão das legendas (aparentemente para facilitar o espectador em entender o que Seu Antônio fala) é de muito mau gosto. A transcrição exata de como Seu Antônio se expressa através de aspas, apontando seus erros, fez exatamente o que o diretor gostaria: risos da platéia. E isso, no final das contas, não me pareceu uma homenagem a um cidadão trabalhador e honesto, e sim um desprezo àquele que não teve oportunidade na vida. 2/5

Bailão (35 mm, Documentário, Direção: Marcelo Caetano, 16′, SP): Esse documentário traz depoimentos de pessoas que frequentaram ou frequentam a boate gay Bailão. E demonstram a importância que a boate teve aos seus freqüentadores em manifestar os seus sentimentos verdadeiros e fugir da repressão machista da década de 60 e 70. A maioria dos depoimentos vêm de homens mais velhos, beirando os 60 anos. Algo que deu um frescor a temática, já que sempre vemos filmes de afirmação ao movimento gay explorando os mais jovens. E no caso desses senhores que passaram por uma sociedade muito mais conservadora, o filme consegue um conteúdo diferenciado e original. O filme é belissimamente filmado, e consegue mesclar momentos de tristeza, como o início da Aids, com momentos de diversão e liberdade. “Já que não posso mudar a sociedade, vou me mudar”, diz um deles. Mas sinceramente acho que já conseguiram iniciar essa mudança. 4/5

O Filme Mais Violento do Mundo (35mm, Ficção, Direção: Gilberto Scarpa, 17′, MG): Existem aqueles filmes que não servem para nada. Esse é um deles. Não serve nem para descer a lenha, porque o filme não é péssimo. Mas é inútil. Conta a história de um cineasta quebrado, fracassado e teimoso (porque de acordo com um dos personagens “todo cineasta é teimoso”). E ao procurar um produtor (numa sequência de diálogos que lembra muito o curta Tarantino’s Mind) consegue ser convencido que para se fazer sucesso precisa-se ter Violência, Sexo e Drogas (“algo que o cinema pernambucano nos ensinou” diz o personagem de Abujamra, na melhor tirada do filme. Gostaria de ter visto a cara de Claudio Assis ao ouvir essa declaração). E o filme é isso. Tenta ser comédia sem ser. A única coisa que consegue é ser bizarro. E não de uma forma interessante. 2/5

Recife Frio (35 mm, Ficção, Direção: Kleber Mendonça Filho, 20′, PE): Com certeza o grande filme da noite. Kleber Mendonça Filho mostra mais uma vez porque é um dos curta-metragistas mais interessantes e consistentes do país. Utilizando um recurso semi-documental, ao incluir um programa jornalístico estrangeiro que veio a Recife para investigar o estranho fenômeno de mudança climática na cidade, Kleber consegue criticar sem parecer pedante, e faz um filme agradável, engraçado e com conteúdo. Buscando a comédia, o filme passeia pala cidade do Recife, intercalando com imagens reais e interpretações interessantes de personagens recorrentes da vida de um recifense. Espero que essa extrema regionalização temática não o transforme apenas em um “filme apenas para recifense ver”. 5/5

O Bem Amado (Ficção, Direção: Guel Arraes,107 ‘, RJ): Baseado na novela homônima escrita por Dias Gomes, O Bem Amado não deixa de ser um filme de Guel Arraes. A sua dinâmica narrativa é explorada ao máximo, deixando sempre a sensação de já termos visto aquilo outra vez. A diferença é que se antes funcionava, como em “O Auto da Compadecida” e “Lisbela e o Prisioneiro”, agora essa narrativa se torna desgastada e óbvia. O filme possui momentos bons, como o paralelo daquela pequena cidade com a história do país, mas perde-se em sua falta de congruência e unidade narrativa. A trilha sonora é ótima (como todos os outros filmes do diretor), mas as músicas originais não funcionam, deixando o filme mais caricato, algo que a direção de arte também ajuda a tomar esse rumo escolhido. Alguns personagens não possuem utilidade alguma (como a filha de Odorico interpretada pela atriz Maria Flor – e que durante inúmeros momentos a inflexão da sua voz lembra a da personagem de Débora Falabella em Lisbela e o Prisioneiro). O filme tem seus momentos de graça, e mesmo Marco Nanini se esforçando para sustentar a película, o filme peca pelo excesso e não nos traz nada de novo. 3/5
















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