
Neste último final de semana, o teatro da UFPE recebeu uma das peças mais importantes do dramaturgo inglês William Shakespeare: Hamlet. Esta montagem brasileira foi dirigida por Aderbal Freire-Filho e protagonizada pelo ótimo Wagner Moura. Infelizmente não pude comparecer porque os ingressos esgotaram-se rapidamente. Aparentemente a popularidade do inglês anda em alta. Ou seria de Wagner “Capitão Nascimento” Moura? Tenho minhas dúvidas.
Ironias à parte, Shakespeare apareceu na minha vida através do cineasta Orson Welles. A sua visão de “Macbeth” me deixou boquiaberto. Aquela força nas palavras e no constante duelo retórico me encantou imediatamente. Mas o meu primeiro livro/peça foi outro. “Ricardo III” até hoje é o meu preferido. O anti-herói em pessoa e sua busca incessante pelo poder, esbarrando com o medo de morrer foram os elementos que mais me cativaram. “Um cavalo! Meu reino por um cavalo!”
E daí vieram outras grandes obras como: “Rei Lear”, “Othelo”, “A Comédia dos Erros”, “O Mercador de Veneza”, “Megera Domada” e tantas outras. Mas foi em “Hamlet” que me senti diante de uma obra perfeita.
Hamlet é o príncipe da Dinamarca que se encontra em luto por causa da morte do seu pai. E a sua mãe dias após o falecimento do Rei decide se casar com o seu tio Cláudio. Hamlet não sente mais razão para viver, encontra-se desolado por tamanha traição e desonra a memória do seu querido pai. Até que certo dia, soldados do reino o chamam para uma revelação. O fantasma de seu pai, o Rei Hamlet, acabara de aparecer. O espectro – como é identificado no livro – dissera que fora envenenado pelo irmão e pedira vingança. O príncipe Hamlet imediatamente jura vingança e sai em disparada a pensar num plano.

A história em questão não passaria de um melodrama de segunda se não fosse pelo brilhantismo de William Shakespeare. A vingança se torna o elemento necessário para que assim possamos analisar todo o comportamento e personalidade do personagem principal.
Hamlet freqüentou as melhores universidades, é um intelectual e não um guerreiro como pai. Basicamente um filósofo pretendente ao trono. É através dessa característica de sua personalidade que a trama se desenvolve. A luta do agir contra a consciência impregnada no seu ser. É essa autoconsciência que tão bem determina essa obra. O ímpeto de agir é sempre freado pela análise completa das conseqüências de suas ações.
Shakespeare além de tudo cria um personagem que é uma incógnita. A sua variação de personalidade beira a loucura, mas mesmo assim nunca deixa claro essa realidade. Não se tem certeza do que ele está pensando. Se é apenas parte do seu plano de vingança ou se está perdido pelas suas indagações. Não se sabe ao certo. As suas ironias e o seu carisma fazem todos de tolos. É um herói transcendental.
William Shakespeare consegue através de “Hamlet” chegar à maturidade abrangindo todos os elementos que compõe as suas obras em uma única peça. O drama-histórico, a tragédia, a comédia, a sátira e o romance estão aqui presentes. “Hamlet” desafia o ser humano ao autoconhecimento e impõe constantemente a análise das suas ações. Estamos sempre sendo desafiados e colocados em xeque.
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“Nada em si é bom ou mau; tudo depende daquilo que pensamos.”
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(Cena II, Ato II Hamlet)


















