Dentre as dezenas de sites que visito todos os dias (#AmémGoogleReader), inevitavelmente esbarro em alguns achados que valem mesmo a pena dividir. O mais recente é a marca de roupas turca Shoot Me Fashion. Pouco eu descobri sobre a empresa, mas achei na home de seu site três belíssimos vídeos.
Eles resolveram investir em editoriais com conceito e muita produção. Vale o click :)
O mundo da moda (#expressãomaisusadadomundo) é recheado de personagens originais. Dos modelos andróginos, como Andrej Pejic – eleito “uma das 100 mulheres mais bonitas do mundo” pela FMH -, passando pelos estilistas flamboyants até chegar à famosa primeira fila com figuras exóticas como Daphne Guinness (alguém explica?), todo mundo tá batalhando um pedacinho na memória alheia que dure pelo menos mais que uma coleção.
No ranking das figuras exóticas e proporcionalmente talentosas, estão os Blonds. Uma dupla de estilistas, no mínimo, inusitada.
Phillipe e David Blond (sim, eles são casados) são responsáveis pelo figurino de divas como Adam Lambert, Britney Spears, Rihanna, Fergie, Beyoncé, Katy Perry, Christina Aguilera e até da burlesquíssima Dita Von Teese.
O design dos Blonds envolve um trabalho manual ina-cre-di-tá-vel. As peças são únicas e elaboradíssimas. Tudo confeccionado com as mais modernas técnicas de bordado e estamparia e com certeza não são para as discretas. Claramente Bling-bling lovers, as criações envolvem muita pedraria, elementos brilhantes e metálicos, aplicações, estamparia, pelos e tudo que a drag nossa de cada dia adoraria usar. Shine, baby, shine.
Phillipe é a beldade loira que encerra os desfiles da marca sempre arrasando. Um escândalo em pessoa. Em colaboração com o fotógrafo de moda Mike Ruiz, produziram o vídeo da última coleção dos Blonds e, posso dizer? Phillipe arrasa mais que qualquer modelete atual.
Olá pessoas. Long time, no see, neh? Voltando às boas, quis recomeçar com um dos meus assuntos favoritos: editoriais de moda.
Os editoriais representam uma das melhores expressões artísticas de moda. Acho simplesmente fascinante a coletânea de imagens. Passaria horas só vendo isso. Juro.
Nos dias de hoje, o grande mérito dos editoriais é que as roupas/acessórios são meros coadjuvantes. Na minha singela opinião, os melhores editoriais não estão preocupados em mostrar beleza ou caimento das peças. Os melhores editoriais quase não mostram roupas. Menos roupa, mais make, menos limites e mais fantasia. Os meus favoritos exploram a mais bizarra das ideias, sob ângulos inusitados, adornadas por trajes haute-couture (alta costura em francês), maquiadores dignos de Hollywood e muita piração. The freakier, the better! E a roupa aparece ali, no cantinho, escondidinha, mas você tá tão hipnotizado por aquele mundo “Tim Burton” ou “Sofia Coppola” ou “Hitchcock” que nem nota que o essencial é quase invisível aos olhos. Tá aí Megan Fox (ex-Transformers) num editorial lindo e bizarríssimo pra revista Interview.
Atualmente o formato dos editorias extrapola a antiga fórmula de modelos-cabide. O interessante é a criação de personagens e a construção de histórias visuais. Não basta ter carinha bonita, tem que interpretar também.
Vale também lembrar que o editorial existe por um simples motivo: é catálogo. Isso necessariamente não quer dizer que a forma de exibir esse conteúdo tenha que ser monótona. As estilistas Penelope&Coco investiram num trabalho lindo pra mostrar sua coleção. Pontos para a belíssima edição dos filmes, trilha e direção de fotografia.
Na hora de se inspirar, os olhos ainda executam melhor essa função.
Eu sou de um tempo em que, para criar um site na internet, tudo que você precisava aprender era linguagem html. E mais alguns macetes. A isso, somava-se bom gosto e paciência, e era possível ter um site de alto nível para um ambiente www de poucas possibilidades. Nesse tempo, os gifs animados reinavam. Faziam parte do layout de 9 entre 10 páginas. As imagens compactadas, geralmente desenhos, em movimento eram o charme dos sites.
Os temas dos gifs abordavam desde o mundo dos negócios até o público infantil, com bichinhos fazendo macaquices. Quanto mais movimento tivesse o gif, mais complexo fosse, mais impressionava. Era clássico usá-los para indicar e-mail ou um site em construção (sim, em construção!).
Tudo isso para dizer que lembrar dos gifs animados daquela época, anos 90, me dá a mesma sensação de pensar nas roupas e no estilo chitãozinho-e-xororó de cortar o cabelo dos anos 80: como a gente pode ter usado e admirado isso? Ninguém explica. O fato é que o tempo passou, a internet evoluiu absurdamente e todo mundo se deu conta de que os gifs animados eram algo de extremo mau gosto. Foram relegados ao esquecimento.
Mas não esquecido. Acredito que, como eu, muita gente tem carinho por esse formato e ele continuou se difundindo à margem. O uso das figuras animadas começou a ser reinventado. Primeiro, rindo de si mesmo. Sendo usado para fazer piada, pedaços cômicos de vídeos transformados nas imagens com extensão gif. Uma categoria bem peculiar são os gifs pornô, que conta com inúmeros sites. Mas a fotógrafa Jamie Beck, que mora em Nova York, encarou o formato com outros olhos e enxergou nele um potencial artístico sério.
Jamie criou o que passou a chamar de “cinemagraphs”, fotografias onde ela escolhe um detalhe para pôr em movimento usando a tecnologia do gif animado, por meio do Photoshop. O resultado é elegante e sutil. É uma imagem de uma mulher onde só os cabelos mexem, ou apenas a saia flutua. Pode ser uma piscada, um carro passando, uma luz que titubeia.
É simplesmente genial alguém tirar o formato do nível tosco para elevar ao status de arte, e de uma só vez abrir um monte de possibilidades de expresssão. Se um cineasta, hoje, pode fazer escolhas artísticas entre filmar em preto e branco ou em 3D, um fotógrafo tem a opção de inserir um movimento para passar a sua mensagem. A ideia pode bem servir ainda à publicidade, à gastronomia, ao turismo.
Junto com a modelo canadense Coco Rocha, Jamie Beck criou uma série de cinemagraphs inspirados no mundo da moda, que podem ser visualizados no tumbrl Oh So Coco. A talentosa fotógrafa, cujas fotos “normais” também são lindas, também tem um tumbrl: From Me To You.
Eu sou completamente viciada em lojas fast fashion. Pra mim, nada mais genial do que passear pelas araras e garimpar achados nos lugares menos prováveis. Tem gente que acha um teste de paciência catar qualquer coisa numa loja gigante, pra mim é uma terapia e sim, você encontra muita coisa boa, bonita e barata. Sou super devota das lojas populares e tento converter todo mundo que ainda acredita que não seja uma boa opção.
Por muito tempo as lojas de departamento tiveram uma imagem pouco favorável no quesito qualidade e bom gosto. Não existia um padrão de coleções, a seleção de produtos se limitava a roupas de corte básico (e mal-acabadas) em cartelas gigante de cores e estampas grotescas. Os acessórios made in china, que não demoravam muito pra se quebrar, eram de mau gosto e pouco apelativos. As lojas investiam em tecidos baratos, acabamentos mal-feitos e o público consumidor se restringia a pessoas de classes menos favorecidas, uma vez que o preço (e somente ele) era o grande atrativo.
Com o passar dos anos, esse cenário mudou radicalmente. O poder de compra do brasileiro cresceu, o acesso a informações/referências de moda aumentou (obrigada internet banda-larga): todo mundo tem blog, todo mundo tira foto de roupa, toda marca tem site/blog/twitter/facebook. O volume de conteúdo referente ao assunto cresceu drasticamente e o mercado produtor teve que se adequar. As pessoas querem consumir mais e logo.
Boa parte dos estilistas que antes lançavam 2 coleções – primavera/verão & outono/inverno – agora lançam 4 coleções ao ano (incluem-se aqui as pré-coleções ou Resort Collections ou ainda Cruise Collections). A Chanel tem um exemplo lindo de pré-coleção. Vale ver pela trilha elaboradíssima e locação. Mais um espetáculo de Karl Lagerfeld.
As pessoas estão mais ligadas às tendências, mais ávidas por novidades. As lojas de fast-fashion (antigas lojas de departamento) foram forçadas a reestruturaram suas imagens/produtos para atender a uma nova demanda de consumidores, visando inclusive atingir as classes mais elevadas e de maior poder aquisitivo. A fórmula encontrada foi investir em parcerias com grandes designers/estilistas e lançar coleções limitadas e extremamente cobiçadas.
A transição do investimento da quantidade para qualidade, transformou lojas como C&A, Riachuello, Top Shop, H&M, Zara, entre outras, em verdadeiras boutiques pop. Com a ajuda de um massivo investimento publicitário e parcerias com figurinhas descoladas do mundo da moda, as fast-fashions abocanharam um market share antes restrito a lojas mais elitistas e expandiram seus públicos-alvos. Consumidores das classes A começaram a ter mais interesse (e paciência) para visitar aquelas araras lotadas e enfrentar filas longas para comprar um vestido preto básico da Stella Mccartney (por R$189,90), ou um vestido de rendas e babados da coleção da Cris Barros (por R$149,90).
Alguns itens fizeram muitas consumidoras passar até 15 horas na porta das lojas, aguardando ansiosamente para comprar produtos lindos e mais acessíveis. Este foi o caso da multinacional sueca H&M em parceria com a Lanvin. Alber Elbaz, o estilista da grife criada por Jeanne Lanvin, sabiamente afirmou: não é uma questão de tornar a Lanvin uma marca mais popular e sim, tornar a H&M mais luxuosa. Elbaz acertou em cheio. A parceria rendeu uma campanha publicitária linda e bem produzida, com inclusive direito a um curta.
Mas calma, queridos leitores, existe sim um lado negro da força. As fast-fashion são ótimas, alimentam nossos guarda-roupas com peças lindas, acessíveis e similares a de muitas coleções que custam o triplo, mas você já parou para pensar o custo e o impacto de produzir tudo isso? A moda, dentre suas mil funções, existe pra aquecer a economia também. Ela serve pra alimentar o sistema de oferta e procura, pra gerar empregos e consequentemente produzir resíduos. Tudo que consumimos gera impacto na economia , nas relações humanas, na natureza, em nós mesmos. Achei esse filminho (antigo) muito educativo sobre a origem das coisas que nos ajuda a entender melhor esse impacto e como podemos consumir conscientemente.
Para mim, a melhor maneira de exercer o consumo consciente ainda é comprar peças-chave e reaproveitar o que já temos no guarda-roupa. Seguem algumas ideias interessantes.
Quando moda é oferta e estilo é escolha (palavras da queridíssima Gloria Kalil), então nada nos impede de escolher tudo melhor e mais conscientemente.