
A cobertura ao vivo do Globo de Ouro 2012 começa às 20h (horário de Recife).


Janeiro chegou e as premiações do cinema vêm com tudo, começando pelo Globo de Ouro, que poderemos acompanhar ao vivo, como sempre, pela TNT. A edição 2012 será neste domingo, 15 de janeiro, e nós estaremos ao vivo aqui no blog, com a divertida cobertura que fazemos desde 2010 nas noites de Oscar. Pois é, esse ano teremos cobertura do Globo de Ouro e de muitos outros eventos importantes. Não consegui descobrir exatamente a hora que começa, mas assim que tiver a programação, farei um update neste post. Mas, com certeza, vamos começar a brincadeira no tapete vermelho, que deve rolar no E! Entertainment Television. Esperamos vocês.
*UPDATE: O live posting começa às 20h (horário de Recife), com o tapete vermelho do E! e continua às 22h com a premiação na TNT.
Dos dias 04 a 13 de Novembro de 2011, Recife teve a oportunidade de assistir a mais de 150 filmes, entre curtas e longas metragens, através da quarta edição do Janela Internacional de Cinema do Recife. Um festival que cresce cada vez mais, contudo não deixando de lado as suas ideologias artísticas. A programação elaborada pelo jornalista e cineasta Kleber Mendonça Filho, conteve a mesma estrutura de dividir os filmes em sessões que criam laços estéticos ou temáticos parecidos. Esse ano dei uma maior atenção aos curtas-metragens nacionais. Além do presente oferecido a nós espectadores, a filmografia completa do cineasta Stanley Kubrick exibidos no belíssimo cinema São Luiz.
GRITOS PRIMAIS


De imediato, o curta-metragem Da Origem (2011), dirigido por Fabio Baldo, encanta pelo seu design de produção, retratando com muita competência o período da Pré-História, mas se tornando ao mesmo tempo atemporal no seu discurso. A análise do poder (aqui a descoberta do fogo) como elemento formador da sociedade é o mote ideal para deixá-lo atual e instigante.
Já em Avalons (2011), também trabalhado intensamente em um conceito estético, o discurso é vazio, focando claramente para o vislumbre visual. Retratando uma espécie de mundo medieval estilizado, o filme apela para gags infantis que soam na maioria das vezes idiotas e sem conteúdo. O roteiro nitidamente destoa da seriedade e compromisso da conceituação artística implantada na elaboração desse mundo fantástico.
Em Porcelana (2010), a câmera adquire, desde seus primeiros minutos, um compromisso de cumplicidade com a história. Apostando inicialmente na câmera estática, o nosso olhar é levado a procurar respostas por todo o cenário, tentando desesperadamente entender o que acontece em tela. Utilizando uma estrutura narrativa que lembra Aleksandr Sokurov, mais especificamente na sua obra O Sol (Solntse, 2005) o filme é bastante eficaz na sua proposta de sensações.
Cachoeira (2010) conta a história de jovens indígenas do alto do Rio Negro na Amazônia que praticam rituais suicidas após ingerirem a tal da “bebeiragem”, uma espécie de mistura de cachaça e fumo. O cineasta Sergio José de Andrade percebeu a importância dessa história, inspirada em fatos reais, e a contou de uma forma muita sensível, mas ao mesmo tempo bastante forte e crua. Abordando de uma forma alarmista, mas fugindo do tom assistencialista, o filme retrata a realidade dos jovens indígenas em se adaptar a novos paradigmas sociais, que consequentemente os levam aos mesmos problemas sociais do “homem branco”, como no caso em questão ao alcoolismo. As relações econômicas se misturam ao misticismo, nos levando a uma jornada sensível e ao mesmo tempo preocupante.
MEU ESPAÇO



Monja (2011) é aquele típico curta-metragem que versa sobre o minimalismo de suas imagens e o estranhismo de seus personagens. Utilizando uma câmera quase estática, o filme demonstra a inadequação de sua personagem principal em seu ambiente e a dificuldade de interagir com os mais simples dos objetos. Durante boa parte do filme comecei a idealizar uma espécie de síndrome do pânico e relacionar as ações da personagem com a doença, até que ela decide parar de agir como uma idiota que não sabe mexer no ventilador e ir ao shopping. Um filme vazio e sem propósito que tenta ser diferente, mas que consegue ser igual a todos os que propõem esse “pseudo-minimalismo”.
Os Sapos (2011) é um ótimo e bem humorado estudo de personagens. O filme é engendrado quando um casal decide passar uns dias em uma rústica casa de campo e uma amiga de infância é convidada para o final de semana. O casal possui uma dinâmica bastante realista e leve, já que ambos chamam-se carinhosamente por patentes militares (o homem como sargento e a mulher como capitão) e durante todo o filme ficamos em dúvida sobre a verdadeira densidade do relacionamento. A amiga em questão vem para colocar esse relacionamento em xeque. No final das contas, percebe-se que a hierarquia das patentes se mostrou inverso da realidade, que a capitã era submissa ao sargento e que, às vezes, as pessoas são felizes mesmo engolindo “sapos”.
A Janela (ou Vesúvio) (2010) tenta ilustrar uma crítica ao aprisionamento da família brasileira devido à violência, mas se torna óbvia e um tanto simplista utilizando a TV e seus programas policiais como motor principal de sua mensagem. O filme chega ao rasteiro quando diante de um travelling muito mal realizado, utiliza uma grade e relaciona a sensação de estar protegido com a de aprisionado. Ao final, vemos toda uma família unida e sitiada dentro de um quarto assistindo a realidade através da TV, ou “janela”.
O Hóspede (2011) conta a história de uma pousada no interior da Paraíba que recebe um “viajante” misterioso, e combinado a estranhos eventos narrados pelo rádio, o proprietário começa a investigar esse enigmático hospedeiro. Fazendo um paralelo da transmissão de Orson Welles da obra “Guerra dos Mundos” de H.G. Wells, com a filmografia dos cineastas de terror da década de 50, o curta torna-se uma verdadeira espécime de um filme de gênero. Apostando no preto e branco, realça a importância das sombras no gênero e na trilha estridente, captando o tom ideal para o suspense. O humor também está muito presente durante todo o curta, tanto do casal dono da pousada, quanto do próprio hóspede e das situações absurdas. Também deixa transparecer homenagens ao cinema da parceria Ed Wood e Bela Lugosi. Infelizmente, quando o tema foi colocado em discussão, os realizadores foram bastante defensivos sobre essa temática trash, rebatendo a comicidade do projeto e deixando claro que a intenção nunca foi fazer humor e sim um terror. Sinto informá-los, mas ao lançarem um filme, a única interpretação que conta é a do espectador.
Acercadacana (2010) é um documentário que denuncia a realidade de algumas famílias – especificamente Dona Maria Francisca – na área canavial da Zona da Mata de Pernambuco. Ao iniciar, o filme mostra-se muito inteligente em sua estrutura narrativa quando, para situar o espectador, opta por ter o motorista que levará a equipe de produção ao encontro de Dona Maria explicando toda a história envolvendo interesses do Grupo Petribu e moradores da região. Infelizmente, por causa de um problema de áudio ficamos sem metade da explicação da história. Mas o que realmente importa é que famílias foram retiradas, muitas vezes forçadas a saírem de suas casas para apropriação de seus terrenos e assim terem explorados a cana de açúcar e consequentemente o etanol. O filme retrata a obstinação de Dona Maria em permanecer na casa em que morou durante 40 anos, contra os interesses de uma empresa política e economicamente forte.
SALVAR ARQUIVO



Raimundo dos Queijos (2011), propõe uma mixagem de elementos documentais e ficcionais, retratando o tal Raimundo dos Queijos, mercearia durante a semana, e bodega aos finais de semana. Um filme bastante eficaz ao demonstrar o ambiente popular e diversificado do espaço. Busca observar a interação dos habitués do local, regado a muita cerveja, música e pessoas felizes. O filme rapidamente consegue apresentar os personagens, mesmo que de longe, como se fosse apenas uma espiada, e dar personalidade a todas aquelas pessoas tão diferentes, mas que interagem tão bem juntas. Além disso, muito acertada a escolha de incluir um personagem fictício na história, como se nós estivéssemos lá, também tomando uma gelada.
Ovos de Dinossauro na Sala de Estar (2011) é um daqueles filmes que ficam com você ao sair da sala, que nos traz uma nostalgia, mesmo de uma história que nunca vivemos. Um documentário sobre Guido Borgomanero, o maior colecionador de fósseis da America Latina, mas o que o difere de tantos outros documentários é que conhecemos sua historia através de sua esposa, Ragnhil. Carismática e bastante engraçada – mesmo que involuntariamente -, ela consegue transmitir o amor pelo marido através de imagens do passado e ao mesmo tempo combater a solidão que claramente a persegue.
La Lira de Maurilia (2011) é um filme singelo que depende exclusivamente de sua protagonista, Maurilia. Claramente um desvio de produção do verdadeiro projeto fílmico. A equipe encontrou graciosidade naquela menina recitando Cecília Meirelles, no melhor estilo trava-língua. Utilizando a repetição das imagens como rima narrativa com o próprio texto recitado da garota, o filme não passa de um segmento de história.
Calma Monga, Calma (2011) é daqueles filmes que nascem derivados de outras obras. Visivelmente uma cria de Recife Frio, curta-metragem de Kleber Mendonça Filho, o filme utiliza a mesma estrutura narrativa de mockumentary, contudo iguala-se esteticamente em qualidade. O filme narra a história de uma criatura “simiesca”, “balduína”, ou Monga, que apavora a cidade do Recife, inclusive em seus lugares mais “inóspitos”, como cinemas pornôs ou os clássicos bacurais. Utilizando o programa policial “Isto é Remoso” – referência ao “Sem Meias Palavras” – como condutor desse terror “lendoso”, o filme possui uma construção de humor regional e que não abandona a crítica social – vide a cena da mesa redonda de Samir Abou Hana e seus convidados fantásticos. Referenciando as lendas urbanas recifenses como Galeguinho do Coque e Biu do Olho Verde, o curta nos entrega momentos cômicos tão simples e bem elaborados como “foi pro cinema e acabou sendo comido pela macaca”, e “é uma mistura de Tony Ramos com Wolverine” que obrigatoriamente já virou parte da cultura recifense.
FILMADOS EM LOCAÇÃO


Com Vista para o Céu (2011), filme dirigido pelo ótimo Allan Ribeiro, retrata a realidade dos conjuntos de edifícios populosos, onde a relação entre moradores é um tanto transitória, e que consequentemente torna-se sem proximidade, mas que através de simples gestos busca-se essa interatividade entre os seus próximos. É o caso desse interessantíssimo curta que diante da incomunicabilidade utiliza-se da música para a comunhão e quem sabe deixar mais próximo os personagens e suas idiossincrasias. Ao final, o elevador é o personagem comum, os olhos de todo aquele mundo.
Dia Estrelado (2011) é uma animação em Stop Motion que preza intensamente pela qualidade técnica e narrativa. Apostando na mistura do real e do cru ao caricato, o filme toma uma densidade de conteúdo digna de palmas. Retratando a difícil realidade do sertanejo nordestino, abraça a rotina de uma família na árdua tarefa de sobreviver às diversidades. A sensação de calor está sempre presente, optando pelo céu como uma grande paleta de vermelho e amarelo, contudo o design artístico da produção também alivia essa secura através de elementos mais leves e bem humorados, como a composição característica dos personagens. Um frescor para animação brasileira.
Praça Walt Disney (2011) é mais um exemplar da atual cena cinematográfica recifense que busca retratar a realidade urbanística da nossa cidade. Sendo desde o inicio um documentário de percepção, utiliza como ponto de partida a Praça Walt Disney em Boa Viagem e com isso passeia pelos elementos que formam a nossa cidade e seus moradores. Pontual na sua critica à verticalização da cidade, o filme se beneficia pela sua graciosidade em misturar elementos do filme Fantasia (1940) com as peculiaridades dos personagens daquele bairro. Infelizmente, a crítica às vezes perde o foco, desviando a discussão na utilização de outras estruturas narrativas.
É isso mesmo, pessoal. Este ano vamos marcar presença pela primeira vez na feirinha do Coquetel Molotov, com um stand cheio de ação.
E vamos começar logo com uma promoção muito legal do Bling Bling. Os sempre caprichados looks do público do festival vão receber merecido destaque este ano, pois vamos promover um concurso de moda, ao lado das marcas Calma Monga! e Trocando em Miúdos, com prêmio para o look mais legal de cada dia.
De câmera em punho, vamos fotografar e compartilhar na fan page do blog os visuais mais interessantes, e ao final da noite, o mais curtido será premiado.
Nossa competição “Qual é o filme?”, sucesso aqui no blog, também será levada para o stand e os cinéfilos de plantão vão poder responder e concorrer a prêmios exclusivos, criados por nós.
O espaço vai contar ainda com uma exposição dos cartazes do coletivo Golarrolê, aqueles lindíssimos das festas Putz!, Brega Naite, Neon Rocks e Maledita.
Artistas foram convidados para customizar pranchetas no local, que poderão ser compradas pelo público, assim como as serigrafias de Heitor Pontes (que está no nosso header há meses).
Literatura também vai ter lugar garantido, por meio de um troca-troca de livros usados para estimular o público do Coquetel Molotov a compartilhar boas leituras. Quem levar um livro para o espaço terá direito a pegar outro que tenha sido disponibilizado para troca. Não serão aceitos livros rasgados, didáticos ou técnicos.
Não vou contar tudo aqui, tem mais surpresas pra quem for conferir o festival, mas dá pra vocês terem uma ideia. Nos vemos em breve.

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