Prestes a visitar o hemisfério norte (mais gelado do que nunca -Thanks Siberia!), filosofo sobre como o que visto transcende do “status” de ornamento para apetrecho de proteção. Inevitavelmente na escolha das peças, me deparo com muitas tramas, lãs, crochets e tricots pra ficar bem quentinha. Estas fazem parte de um “universo manual” pouco explorado por aqueles que moram da linha do equador pra baixo. A designer Helen Rödel se destaca exclusivamente pela utilização de técnicas manuais tais como o crochet e o tricot como suporte de suas criações.
A estilista tem um documentário belíssimo no qual discorre sobre a técnica que emprega na criação de suas coleções, sobre o carinho de suas peças e a individualidade dos seus sentimentos. É dela umas das minhas citações favoritas: “A alma é o que há de mais caro e precioso, mas o corpo é o que há de mais belo. É o espírito manifestado em algo concreto e a minha elegia ao corpo é vesti-lo“. Lindo né? Vale os 8 minutinhos.
Cinza não é, definitivamente, mais bonito ou excitante que azul, mas um céu nublado também tem o seu charme. Alivia a luz direta e agonizante. Traz aconchego. Limita o suor e torna infinita a capacidade de autoclemência em casos de atraso matutino. Faz pensar: por que logo eu, que sou doida por praia, gosto tanto de chuva assim?
Gosto do som da água e da resposta da terra, em forma de perfume, como se agradecesse a batucada aquática que chegou de repente. Gosto de sentir o clima mudando e ficando delicadamente mais ameno. Gosto de botar um jazz lentinho e fazer tudo no mesmo compasso das gotinhas escorrendo na janela. Gosto do conforto que vem do céu, junto com uma sensação de proteção.
Primeiro, porque me faz lembrar com saudade de Vovó Dorinha, que está cuidando de mim lá de cima. Era Dona Doralice que, quando eu era bem pequenininha, antes do primeiro trovão me chamava pra perto e me aquecia lá, entre o colo macio dela e uma colcha de chenile. Depois, porque, pense comigo: qual é o ladrão que vai querer levar um monte de eletrodomésticos na cabeça debaixo de um toró? Chuva é pra quem tem mais o que fazer.
Chuva é o convite para um abraço, um beijo, um cheiro, um dengo em forma de frio no aumentativo só pra ganhar um calorzinho do outro. É também a desculpa perfeita para puxar o cobertor do par sem piedade e sem o desprazer (ou com o prazer, pra quem é sadômasô) de levar um safanão.
A chuva atrai, a chuva acolhe, a chuva basta. É o tempero preferido dos amantes, que podem até dispensar o ar-condicionado e o som. Olha, toca, alisa, lambe, mexe, enrosca, vem pra cá, fica aqui no quentinho, meu amor. De conchinha, até nem perceber que o céu já mudou de cor.
Modelos são criaturas quase étereas. Seres esguios e muito belos (alguns até “bizarros”) representam 0,00001% da população mundial e no entanto são o sonho de 10 entre 10 meninas world wide. Toda ala feminina, pelo menos uma vez na vidinha, sonhou com isso e muita gente adulta até hoje paga de “modela”.
Adequações à parte, modelos são a materialização de um esteriótipo muito divulgado e pouco abrangente. Figuras raras e de vida curta, o apogeu da carreira acontece lá pelos “velhos” 28 anos e daí pra frente é só queda. Resultado: migração das passarelas para as categorias de atriz/cantora/empresária/namorada famosa. Poucas são as que conseguem uma after-life bem sucedida. Boa parte vai fazer comercial de margarina, show-room de carros e aparecer na revista Quem tomando sol no posto 9 ao lado de um ator de malhação.
Para as que conseguem pensar outside the box ou beyond the runway, o futuro é bem promissor. Uma beldade que soube se destacar pelo talento (mais do que pela beleza) foi Karen Elson. A inglesa já começou desfilando para grandes grifes de haute couture com sua “cabilêra” vermelha. Yves Saint Laurent, Louis Vuitton, Gianni Versace, Christian Dior, Burberry e Chanel já escalaram a bela e inúmeras publicações já estamparam seu rostinho nas capas. É dela, plus Raquel Zimmermann, o divertidíssimo vídeo da Lanvin Fall Winter 2011/12 featuring Pitbull.
Ok, ritmo não é o forte. Meio andrógina e muito branquela, a linda ganhou notoriedade quando se casou com Jack White numa canoa ali no rio Amazonas. Sim, pessoas: ser tupiniquim é style. Karen e Jack se conheceram quando a modelo apareceu no vídeo de “The Blue Orchid” do White Stripes e a modelo, além de roubar a cena, roubou o marido de Meg White. Mas veja só a modernindade do ex-casal: quando Jack resolveu se casar com Karen, convidou a ex-mulher pra ser Dama de Honra.
Da união, nasceu o melódico folk-gótico “The Ghost Who Walks” – primeiro álbum solo produzido pelo maridón hype. O disco recebeu excelentes críticas e Karen foi bastante elogiada por suas composições e arranjos. Apesar de já ser vocalista e produtora da banda nova-iorquina The Citizens Band, Karen se consagrou mesmo com o lançamento do “filho solo”. As canções navegam do folk ao bluegrass com pitadinhas de indie rock e country. Selecionei as minhas 3 favoritas e espero muito que vocês gostem. Sonzinho de primeira qualidade vindo de alguém que soube explorar melhor o conteúdo à forma.
Aqui começa a linha do tempo do ano novo.
E você, começa por onde?
”Pelos sonhos”, diria um visionário.
”Pelas metas”, diria um pragmático.
”Pra quê começar?”, diria um cético.
”Que tal pela faxina da festa de Reveillon?”, diria Dona Creuza.
A gente sempre tende a priorizar uma área da vida, seguir afobado por ali e esquecer do restante. E o que a gente esquece é que o tempo já vem fracionado em anos, meses, semanas, dias, horas, minutos e segundos exatamente para nos ensinar a dividir. A partilhar a nossa atenção entre tudo o que é importante de verdade e a separar em etapas a dedicação para alcançar cada objetivo. E também a tensionar e distender. Cansar e relaxar. Terminar e recomeçar.
Se fosse receita de bolo assim, até que era fácil, né? Aí vem a vida e desmantela geral, e lá vamos nós tentar arrumar tudo e correr atrás do prejuízo, velocidade The Flash. Mas muita calma nessa hora, meu amigo, que o negócio é tentar se achar na bagunça pra conseguir se levantar e andar de novo, um passinho de cada vez.
É o uso do tempo com maestria que faz com que a gente chegue mais rápido onde se quer chegar. Seja mais perto de um amor, da família, dos amigos, de um emprego novo ou de qualquer outro lugar onde ainda não se foi, mas é só uma questão de tempo. O tempo, essa espécie rara em extinção, esse recurso natural
não-renovável. Preserve o seu.
O tempo é como ticket de estacionamento: facinho de se perder. O tempo parece táxi naquele dia em que você está atrasado: nunca para. O tempo não se apaga, a não ser que você capriche no botox. O tempo traz consigo o benefício da dúvida e da surpresa, mas uma coisa é certa: toda realização pressupõe partida e chegada. É só ter paciência com o tempo da viagem.
Prepare-se para vomitar. Eu quase, duas vezes. Acabei de me arrepender de ter aceito escrever sobre Halloween… Se você não tem estômago forte ou simplesmente acha que o mundo é perfeito e as pessoas são, ou pelo menos tentam ficar lindas, pare AGORA de ler esse post. Vamos falar de um tipo de gente, que nem devia ser considerada mais gente de tanta subversão. Vou comecar de leve, mostrando, na verdade, o único caso que melhorou depois das transformações. Depois vou piorando, gradativamente, que nem aquela musica do Créu. Preparados?
Todo mundo já deve ter ouvido falar no Zombie Boy. Antes de virar uma caveira ambulante FASHION ele era um caveira ambulante SEM TETO. Morria de fome e de frio pelas ruas do Canadá. Lógico, quem é que vai alugar um apartamento para um cidadão que tem uma mosca pregada na massa encefálica? Quem é que vai dar um emprego a um doido que sorri de boca fechada? NINGUÉM. Sorte dele ter sido achado por Nicola Formichetti (cabeça pensante de Lady Gaga e Fashion Director da Mugler… uiaaaaa). Rick Genest (nome verdadeiro do moço) fez a Griselda, ganhou na Loto e agora está todo metido.
A história que eu li era que ele devia mais de 20 mil dólares. O tal do Nicola pagou todas as dívidas dele e botou o menino para modelar pela Mugler e fazer carão com Lady Gaga. Mas olhe, verdade seja dita, não sei se é esse Nicola que opera milagres, mas ele ficou mais bonito depois das tatuagens. Olha essa propaganda de uma linha de maquiagens para cinema:
Bem normalzinho, né?! Não causa nenhuma comoção, chega dá pena, rapaz. Ia passar por você na boate e você nem tchum.
Passado o único bom exemplo do dia, vamos ao que interessa: assustar. Maria Jose Cristerna: com esse nome ninguém acha nada demais… Advogada, mãe de 4 filhos, ia passar despercebida, não era? QUE PENA! Essa moça, de uma família extremamente religiosa, chegou um dia em casa assim:
LINDA E GÓTICA. Lógico que foi excomungada, tendo que assumir o nome de Mujer Vampiro (mode sua origem mexicana). Nada que vocês estão vendo é fake. Ela, realmente, tem esses chifres de titanium na cabeça, mandou mudar a cor do olho (não é lente não, viu Luaninha? É operação de pigmentação de íris) e fez a Lindsay Lohan ao contrário no dentista. Ela removeu totalmente a sobrancelha e usa essa maquiagem (na boca e no contorno dos olhos), que já poderia ter sido tatuada há muito tempo. Sei lá, né?! Vai ver ela não gosta de maquiagem. Talvez para não enjoar… Na minha terra, aprendi que vampiros são sexys e envolventes. Tem alguma coisa muito estranha com as fábulas mexicanas. Eu juro que vou ter pesadelo. Não aguento mais olhar para essa foto. Próximo.
Falando na minha terra, achei uma brasileira nesse show de horrores. Ela levou a frase “brasileiro não desiste nunca” to a whole new level. Só vai desistir quando a cara dela cair ou quando enferrujar… Estou falando de Elaine Davidson. A mulher com a maior quantidade de piercings no mundo (não fui eu quem disse não, foi o Guinness World Records mesmo). Da última vez que contaram ela tinha 6.925 espalhados pelo corpo todo. Eu disse, PELO CORPO TODO. Sim, é lá mesmo que eu estou falando… De acordo com o Wikipedia, ela é casada (WHAT!? Quem quis, meu Deus?), tem uma loja de aromaterapia e mora na Escócia. Eu tenho para mim que é tudo fachada. Ela deve ser algum tipo de Pokémon evoluído daquelas ciganas do Mercado Modelo de Salvador. Olha ela aqui querendo ler tua mão:
Vocês já ouviram falar em escarificação? Pois é, voltou com tudo! É chique e tá na moda. Os índios africanos, pobrinhos que só eles, sem dinheiro para comprar tinta se cortavam e se queimavam para que a cicatriz ficasse como uma tatuagem. O nome disso agora é Human Branding (uiaaaaaa) e tá bombando, olha só:
Minha tia tem uma brilhante teoria. Isso tudo é coisa de gente sem autoestima. Eles preferem se enfeiar para trocar a palavra feio por excêntrico. Depois de tudo isso achei lá no Vice, um bando de japa que acha legal injetar soro fisiológico na testa para ficar mais bonito, nos termos desse post… Olha como fica O DEZ, como diria minha mãe:
Bom, pelo menos esse não é permanente, né?! Boa noite crianças. Durmam com os anjos. Duvideodó! Hahahahhaha