Recife é uma cidade peculiar, uma das poucas em que o esquema social, de vivência e não apenas de convivência, é um emaranhado, uma mistura completamente desordenada. A classe rica mora ao lado da classe média que mora ao lado da classe pobre que mora ao lado da classe miserável. E mesmo sendo um dos elementos que possivelmente a tornasse uma cidade mais interessante, parece também ser o motivo de sua segregação intuitiva. Moramos próximos, mas não convivemos. Convivemos, mas não confraternizamos. E essa relação social está intrinsecamente ligada à nossa realidade urbanística, como a verticalização, o engradamento e a carrocracia. É a sociedade deixando clara a delimitação social que não conseguiu “naturalmente”. Logo, nos escondemos. Um dos outros elementos que determina a cidade do Recife é o sentimento do seu cidadão, a sua postura valorativa e seletiva, de gostar de ser único, de sofrer poucas influências externas, de criar diante das adversidades, de se posicionar como transformador do seu próprio meio. O que obviamente inicia-se como um processo interessante de autoconfiança, se deteriora através da inabilidade da autocrítica, transformando-a em arrogância.
E é através desse prisma que o filme O Som ao Redor permeia tão bem. Utilizando uma estrutura narrativa muito segura, o cineasta Kleber Mendonça Filho cria uma atmosfera de observação, onde o cotidiano e as ações mundanas – ou não – dos seus personagens tornam-se o mote principal da história. Utilizando a cidade não apenas como pano de fundo e sim como um elemento vivo e reativo, o filme cria uma dinâmica com seus personagens que difere do mosaico de Robert Altman, Paul Thomas Anderson e Iñarritu – onde os personagens desconhecidos entre si se encontram em um determinado momento –, e aposta mais na interação e comunhão entre eles naquele espaço. O filme tem uma relação mais estreita com Código Desconhecido (Code Inconnu, 2000) e Caché (Idem, 2005) do Michael Haneke, e também com O Pântano (La Cienaga, 2001) da Lucrécia Martel. Ambos possuem essa aura de observação e análise de comportamento, imersos em um ambiente cheio de tensão e suspense, como se algo ruim estivesse sempre à iminência de acontecer.
Fazendo uso de um excelente plano-sequência – em que acompanha uma garota em patins -, o filme logo de início recria um exemplar dessa composição social, onde crianças brincando no parquinho do prédio são “vigiadas” por suas babás e câmeras de seguranças diante de um imenso muro, protegendo-as de um perigo que logo cedo já faz parte do nosso cotidiano. Mas antes dessa cena, fotografias antigas são postas em tela lembrando um passado não tão distante de Pernambuco. Nossa influência colonial, de engenho, é ainda uma grande pedra nos sapatos da nossa sociedade. Essa postura Casa Grande & Senzala perpassa durante toda a projeção, mostrando nossas feridas e as consequências desse passado senhorio. Em um dos núcleos de personagens, vemos uma típica família de classe média, composta por um marido, uma esposa e dois filhos… Ah! E uma empregada doméstica. Mesmo sendo retratada como uma família liberal e intelectualizada, as atitudes perante a “secretária do lar” (termo babaca repleto de sentimento de culpa) são incoerentes com os seus “ideais”. E até a própria existência dela no lar – já que a mulher em nenhum momento aparece trabalhando OU mesmo fazendo algo – poderia ser classificada como um desses resquícios. E para não se tornar apenas uma alegoria pontuada, um dos personagens, Seu Francisco (W.J. Solha), é a representação fidedigna dessa aristocracia rural. “Aqui eu só moro, minha vida mesmo é lá nas minhas terras” diz em um momento o senhor de engenho por natureza. Proprietário de quase todos os imóveis da rua, o roteiro o apresenta como um cara sisudo e dono da situação. Sempre ditando as regras, Seu Francisco é possivelmente o melhor retrato dessa ligação passado, presente e futuro que o filme aborda.
Utilizando o som como um fio condutor da história, apresentando-o em uma atmosfera quase dantesca, mas misturado a elementos naturais e vivos do cotidiano daquelas pessoas, o filme vai construindo uma trama que diante de todo esse estudo antropológico, passava despercebida, mas que se resolve dentro do tema já proposto logo de início. O que parece, em uma primeira análise, desconexo, se torna fundamental para entendermos a intenção do artista. Mas é na observação que o filme tem o seu maior mérito. Kleber deixa a câmera contar a história, não tem pressa, aguarda, espreita, permite aos seus personagens se revelarem, contarem seus segredos. E ao final da projeção, todos aqueles personagens estão a sua volta, na sua rua, na sua esquina, na sua casa, e a reflexão proposta pelo filme se torna tão pessoal quanto à do realizador.
O V Janela Internacional de Cinema do Recife reservou espaço na grade para exibição de filmes que durante o ano de 2012 foram produzidos e veiculados no YouTube. Todos, independentes entre si, debatem o problema do crescimento desordenado da cidade.
Em “Velho Recife Novo”(Luiz Henrique Leal, Caio Zatti, Cristiano Borba e Lívia Nóbrega), possivelmente o filme com melhor consistência de argumentos, escuta especialistas em arquitetura e urbanismo e deixa claro desde o inicio a desfiguração que ocorreu na cidade e, o pior, a que ainda está por vir. Focado e bem estruturado, alternando entre argumentos técnicos e sociológicos, o filme se mantém em seu discurso principal, que é o debate sobre a “privatização” dos espaços públicos, e demonstra com grande eficácia as consequências desse enclausuramento das pessoas em compartimentos, como prédios, condomínios fechados e seus carros. Na cidade não há mais integração entre as pessoas, nem delas com a cidade. O filme ainda vai além e demonstra como os interesses de terceiros (corporações) buscam esse cerceamento do espaço público transfigurado de progresso.
“A Praça é pra Quem?”(Amanda Beça, Bruna Monteiro) é um exemplo de ativismo social, que, com cerca de 2 minutos, deixa clara a apropriação do público pelo privado, como foi citado acima. Utilizando de uma personagem, Juliana Duarte, estudante de jornalismo, cadeirante, moradora do bairro e cidadã, o filme é extremamente eficaz na sua essência, ser um meio de transformação social. O curta registrou o absurdo da apropriação de uma praça pública por dois estabelecimentos no intuito de torná-la estacionamento para seus clientes. A inteligência da direção do curta-denúncia foi colocar a personagem na tentativa de usufruir o bem público, o que se demonstrou um fracasso imediato. Alcançando as redes sociais, o vídeo fez barulho e, dias após sua viralização, a praça foi devolvida aos cidadãos.
“Descontrução Civil”(Felipe Peres Calheiros) é o registro da Assembleia Pública realizado no ano de 2012 sobre o “Projeto Novo Recife”, que visa a construção de complexos empresariais, novos pólos residenciais e um redesenho nas avenidas, pontes e viadutos. Diferentemente dos demais, o vídeo se torna apenas um registro do acontecido. Mas faz uma rima interessante: enquanto os argumentos das empresas e corporações são dados através de uma apresentação de vídeo – extremamente frio e falso –, o outro lado coloca seus pontos de vista através do discurso verbal, que se torna mais humano e verdadeiro.
Depois desses três vídeos que debatem a situação urbanística da cidade, a sessão Câmera Cidadã No Recife deu espaço a quatro vídeos com outra proposta. Enquanto, uns discutem, outros agem. É baseado na força da ação, da prática das ideias, em que o grupo sem nome, anônimo por natureza, busca a mudança através da ação e não apenas no campo das ideias. O primeiro, “O Diabo aplica multa cidadã em frente à Igreja”(anônimo), é o único a utilizar a estrutura cênica para suas ações, quando um Diabo aparece distribuindo adesivos em carros estacionados ilegalmente na frente de uma igreja localizada na Avenida Rosa e Silva, no bairro dos Aflitos, no Recife. Acompanhado pela trilha de Zeca Baleiro “Heavy Metal do Senhor”, o vídeo utiliza de humor para suas ações, principalmente quando abdica um pouco do seu lado marginal e entra em contato com a CTTU (Companhia e Trânsito e Transportes) denunciando os infratores em frente à “Casa do Senhor”.
Em “Ciclistas Invisíveis de Casa Amarela”(anônimo), o grupo utiliza a estrutura de documentário para ouvir ciclistas e obterem opiniões sobre o papel das ciclovias para o trânsito da cidade. As opiniões são bem homogêneas, onde se percebe que o respeito à segurança dos pedestres e dos ciclistas é sempre colocada em questão quando se pensa em restringir direitos dos usuários dos carros.
Mas é através dos vídeos “Ciclofaixa Cidadã”(anônimo) e “A Praça é do Povo”(anônimo) que vê-se a marginalização das ações do grupo, apoiado pela simples ideia do espaço público como bem inerente e inalienável do cidadão. Em ambos os vídeos, os anônimos, mascarados, realizam ações que são responsabilidades do poder público, pois o sentimento cidadão se torna tão intrínseco que a espera apenas os tornariam cúmplices desses desrespeitos. Pintam eles mesmos faixas de pedestre e ciclofaixas, no intuito de exercerem os direitos de locomoção instituídos pela Constituição Federal.
Após algumas trocas de mensagens, consegui entrar em contato com dois membros do grupo e pude fazer algumas perguntas e obter respostas esclarecedoras.
ENTREVISTA
1. Para que não haja uma superinterpretação diante destas atividades, não seria interessante deixar claro para pessoas qual o objetivo principal desse ativismo?
O principal das ações é debater, provocar e convocar.
Debater o estilo de vida que estamos adotando na sociedade, com a carrocracia como elemento intrínseco à cidade. A entrega do espaço urbano aos carros e à sociedade motorizada.
Provocar a sociedade e o poder público para que enxerguem a realidade carrocrata da cidade.
Convocar a sociedade a participar mais ativamente de sua cidade.
A reclamação tem que sair da mesa do bar e das redes sociais e ganhar o mundo. Não é possível que a cidade tenha uma péssima qualidade de vida e isso não traga respostas de insatisfação da sociedade. Há ações acontecendo nos mais diversos planos: legal, educativo, midiático e ações práticas. Às vezes são ações, mas muitas vezes são REações. Mas, o interessante é quando algumas ações têm efeitos práticos, como a pintura da faixa de pedestres que acaba sendo utilizada pelos transeuntes e respeitada pelos motoristas.
2. Por que ser anônimo?
O anonimato tem pelo menos dois viés, igualmente importantes.
O primeiro é a preservação do indivíduo que realiza a ação, protegendo contra quaisquer eventualidades que possam acontecer, e de qualquer um que se incomode com a ação. Temos um discurso de legalidade extrema, principalmente no trânsito, que infelizmente não é usado amplamente na prática. Pintar uma faixa de pedestre, por exemplo, pode ser considerado dano ao patrimônio público. Então aplica-se a legalidade extrema. Enquanto isso, o pedestre não tem prioridade de verdade nas faixas de pedestre ou mesmo onde elas não existem, e o ciclista é ameaçado constantemente no trânsito. A justiça é cega de um olho só. Infelizmente faz-se necessário o anonimato, por esta bipolaridade das autoridades na aplicação da lei.
O segundo motivo é se evitar o surgimento de heróis. Não há heróis. Não há um que vá fazer isso sempre, qualquer um pode realizar uma ação e divulgá-la ou não. A ideia é que as pessoas se instiguem com a ideia e saiam de seus sofás e venha clamar por seus direitos. Um herói só deixa as coisas mais cômodas, pois, acabamos por esperar pela ação deles.
3. Qual o alcance que o grupo, aparentemente independente entre si, busca com essas manifestações? O fato de serem anônimos atrapalha as realizações práticas perante as instituições governamentais?
Até queremos que os governantes ajam corretamente, que olhem pelos cidadãos, motorizados ou não. Mas hoje isso é um sonho, e sabemos que nossas ações vão mudar muito pouco quanto a isso. Mas se vários outros se instigam a fazer o mesmo, dezenas, centenas de pessoas, a insatisfação com gestões carrocratas se legitima como uma demanda da sociedade, e não de poucos. E mesmo que fosse de poucos, como é o caso dos portadores de necessidades especiais, é função do Estado governar também para as minorias. Tratar de forma desigual os desiguais é simplesmente trazer um equilíbrio ao direito de usar as ruas e a cidade, no caso.
4. As manifestações deixam clara a busca por espaços públicos para o público, e consequentemente atingem direta ou indiretamente o interesse privado como fator predominante. Até onde o discurso consegue ser coerente, já que possivelmente, alguns membros moram em prédios e possuem carros?
As condições de vida na cidade trazem certas deturpações quanto à esse tipo de provocação. Não há incoerência em morar em um apartamento ou possuir um carro. Não se trata de utopia querer uma cidade em que se possa transitar ou viver dignamente no espaço urbano público. Almejar um espaço urbano de melhor qualidade é uma demanda de todos. Os cidadãos querem, na medida do possível e realizável, viver suas pequenas utopias internas para possibilitar a construção de um espaço maior de convivência. Vivemos uma heterotopia e, boa parte dessas pessoas, já se entrega ao mundo não motorizado.
5. Quanto o “Novo Recife” pode ser prejudicial para o equilíbrio urbanístico da cidade?
O projeto no Cais José Estelita? Certamente será. Despejar centenas de carros no cais José Estelita não é solução urbanística. Construir alças, Via Mangue, é claramente uma tentativa – certamente sem sucesso – de resolver o problema da mobilidade para poucos. Está sendo construída uma cidade de classe média alta dentro de Recife. Vindo do Evolution, Le Parc, Via Mangue, Shopping RioMar, “Novo Recife”, Torres gêmeas até o Porto Novo. Descaradamente, a Via Mangue, obra mais cara de mobilidade das últimas gestões, é feita para carros, e não permitirá o trânsito de ônibus. Terá uma ciclovia por uma obrigação moral e legal, mas tirando o ciclista do meio da cidade, que é onde mais se vislumbra o uso da bicicleta. Uma tentativa de transformar o ciclista em alguém que não vive a cidade, mas apenas transita, vai de um ponto a outro.
Voltando ao Novo Recife – não dá pra falar neste megaprojeto sem falar na Via Mangue – teremos este novo bairro, com novos carros, e o pedestre continua sendo um ser isolado. De um lado, o Cais José Mariano, com uma grande avenida, do outro o Viaduto Capitão Temudo e a Ponte Paulo Guerra, sem estrutura para o pedestre e o ciclista. Surge a ilusão de que os não motorizados têm vez, mas o que temos é uma ilha da fantasia cercada de concreto por todos os lados.
Acho importante o uso da área com fins de ocupação mista – residencial e comercial e para diferentes classes – para que haja uma recuperação daquele espaço e a criação de uma área de convivência. O que não pode é ser repetido o mesmo modelo de ocupação com prédios segregadores dos indivíduos, que criam um espaço de arquitetura do medo, em que só se torna “possível” sair de casa em sua bolhas de vidro e metal. É preciso a criação de um espaço em que haja vida circulando, para que haja segurança e convivência.
6. A cidade do Recife possui inúmeros problemas estruturais, principalmente nas áreas periféricas, saneamento básico sendo um dos maiores. Como demonstrar que os problemas propostos por vocês não passam de “problemas da classe média”?
O problema atacado está mais voltado à mobilidade. A resposta vem com a democratização do espaço e a humanização do trânsito. O uso do espaço democraticamente já se pressupõe que haja acesso por toda a sociedade, independente de classe. A humanização do trânsito vem para possibilitar que todos transitem com segurança pelo espaço, independente do modal utilizado.
Hoje, o que vemos é uma classe dominante em cima de motores que se transformam em armas, matando indiscriminadamente, mas atingindo àqueles que não têm opção de modo de transitar, os que andam ou pedalam todos os dias. O que vemos são engarrafamentos constantes, provocados pelo excesso de automóveis e a população presa dentro de ônibus como sardinhas. Busca-se a libertação nesses dois aspectos. No mais, as velocidades motorizadas permitem que aumentemos nossas periferias e joguemos a população mais pobre para longe das cidades, obrigando estas a usar esses transportes coletivos, pois não há mais possibilidade de se chegar ao trabalho com suas próprias pernas. A imobilidade atinge a todos, mas não igualmente.
As propostas de se olhar pelo menor primeiro, inclusive, se demonstram economicamente favoráveis e viáveis às cidades. Essa economia pode ser usada para solucionar os problemas estruturais citados.
Livros sempre foram grandes inspirações para filmes, mas é como se agora estivesse tudo mais sistemático. Tem livro com jeitão de ter sido criado para o cinema, o que é meio estranho. Regra geral, os leitores reclamam das adaptações das grandes obras, que não ficam à altura dos seus livros favoritos. Um embate histórico.
No fluxo natural das coisas, um livro bom se torna um filme ruim. Como na lei da internet, toda regra merece um infográfico, o bem humorado Como Hollywood Transforma Romances em Filmes indica a privada para o destino final. Mas o legal é que toda regra tem mais graça quando tem exceções, e então o site Complex listou os 50 filmes que são melhores que os livros.
Tenho poucas experiências do tipo “leia o livro, veja o filme” para atestar. O que posso avaliar é que a lista abraça filmes absurdamente bons, de forma que é até esperado que tenham se tornado a obra maior. É o caso de Drive, Let me in, Gone Baby Gone, The Talented Mr. Ripley, One Flew Over The Cuckoo’s Nest, Fight Club, Requiem for a Dream, The Shining, Psycho, Blade Runner, The Silence Of The Lambs, The Exorcist, The Godfather, A Clockwork Orange. Só posso suspeitar que ela seja bem justa.
Nesse feriadão eu fui assistir The Amazing Spider-Man. Gostei muito do filme, achei legal mesmo. Sorry, Tobey Maguire, mas Andrew Garfield arrasa muito mais. #PagaPau :)))
Além de me espantar com a boa “atuação” de Andrew, um homem-aranha mais humano e menos abobalhado, eu me encantei mesmo foi pelo estilo de Gwen Stacy, a belíssima Emma Stone.
Aproveitando o gancho do filme, resolvi me inspirar na coluna ‘Living In’ do Design Sponge e criei a seção “Feelings”, trazendo um pouco dos nossos filmes queridos pra vida real. A ideia é simples: eu mergulho no universo de filme e trago objetos, roupas e outras coisinhas acessíveis para você entrar na onda.
Há alguns dias, o acaso me levou à designer Niege Borges e suas ótimas ilustrações regadas à muita cultura pop. Durante o processo cheguei a série sobre dança que aborda performances marcantes de filmes, animações e seriados de TV.
Sobre ela: “Niege Borges é designer, ilustradora e entusiasta de infográficos. Seus trabalhos cobrem assuntos como as danças da TV e cinema, a rotina de pessoas da Turquia ao interior gaúcho e a vida de Danton Mello. Atualmente trabalha na Box 1824 e também realiza trabalhos como freelancer. Além disso, é a misteriosa chefe de três belas e perigosas mulheres que atendem por As Panteras.”