O ano chega ao fim e claro que este colunista viciado em listas tinha que fazer a de Melhores Filmes de 2011. Diferentemente de anos anteriores (2009 e 2010), os filmes elegíveis são apenas aqueles que foram lançados no Brasil em 2011, pelo circuito comercial, por festivais, ou os diretos em home video. Então vamos a eles:

1. Árvore da Vida (The Tree Of Life, 2011)
Contemplação é a palavra de ordem ao assistir à mais nova obra do cineasta Terrence Malick. Conhecido por sempre nos entregar obras que buscam a análise e o reconhecimento dos símbolos, em que a impassividade do espectador não tem vez, Malick vai além e conta a história do universo das relações interpessoais dos seus indivíduos. Escolhendo a vida de uma família, como se um escopo da sociedade, para retratar a relação dos seres humanos diante dos elementos da natureza e da graça. A vida pré-moldada e determinista versus os caminhos naturais dessa passagem. Uma experiência inigualável onde o silêncio e visual são grande parte da estrutura narrativa do filme. O universo se iguala ao ciclo do homem na Terra, onde o nascimento e a morte se unem pela complexidade da vida.

2. Cisne Negro (Black Swan, 2010)
A obsessão sempre foi a temática principal do cineasta Darren Aronofsky, já ilustrada em obras como “Pi”, “Réquiem para um Sonho”, “Fonte da Vida” e “Um Lutador”. Em “Cisne Negro”, a busca pela perfeição é o mote a ser alcançado, e sua personagem através de uma luta obscura e psíquica nos entrega o ápice de uma obra artística, nos deixando batendo palmas de pé, inebriados por tanta beleza. Possivelmente um dos momentos cinematográficos mais sensoriais e impactantes de 2011.

3. Melancolia (Melancholia, 2011)
Lars Von Trier retrata o fim do mundo, mas revela as feridas da sociedade e nos entrega a angústia e o medo em forma de película. Mais aqui.

4. O Garoto da Bicicleta (Le Gamin au Vélo, 2011)
Os irmãos Dardenne mais uma vez retratam a sociedade francesa decadente através da infância. O garoto em questão sempre aparece trajando roupas com as cores azul, branca e vermelha, clara referência à bandeira da França e do seu lema mór: liberdade, igualdade e fraternidade. Analisando a realidade da juventude francesa e escancarando a sua falibilidade, o filme é um estudo sobre a infância e a esperança, e se conectarmos a outras obras dos cineastas, como O Filho (Le Fils, 2002) e A Criança (L’enfant, 2005), percebemos o caminho torto, mas ao mesmo tempo esperançoso de uma geração.

5. Another Earth (Another Earth, 2011)
Utilizando um recurso parecido com Melancolia de Lars Von Trier, o filme desenvolve o interesse social e também a paranóia com a possibilidade da aparição de um novo planeta. Nesse caso, o apocalipse é deixado de lado, e a novidade é que pelo planeta possuir características idênticas ao nosso, desenvolve-se a teoria da existência de uma realidade alternativa, onde neste planeta, ou melhor, na Terra 2, vivemos uma vida quase espelhada, em que existe um outro “você”. Uma ficção científica que fala de escolhas e consequências e que retrata a possibilidade de um novo começo.

6. Toda Forma de Amor (Beginners, 2010)
Um filme autobiográfico sobre a vida do cineasta Mike Mills, que após a morte de sua mãe vê seu pai se assumindo homossexual. O que poderia ser um drama sobre a vida do personagem interpretado maravilhosamente pelo ator Christopher Plummer, se torna um lindo retrato sobre a busca do amor e da nossa teimosia quase latente em boicotá-lo. Um exemplo maravilhoso que o cinema independente norte-americano ainda possui sobrevida além daqueles personagens vazios, estranhos e deslocados.

7. Inverno da Alma (Winter’s Bone, 2010)
O filme retrata uma realidade norte-americana pouco explorada, sobre uma parcela da população esquecida, marginalizada, que cria suas próprias regras e vivem a mercê do comércio local: a produção da metanfetamina. Estruturado como “walk movie” (já que passamos durante toda a projeção acompanhando a personagem andando), o filme conta a história de Ree – uma garota que teve o amadurecimento forçado pelas circunstâncias – a procura pelo seu pai e a tentativa de impedir que tomem sua casa. O filme nos leva a um mundo frio, como determina a fotografia cinzenta, onde suas ações possuem consequências imediatas.

8. Meia Noite em Paris (Midnight in Paris, 2011)
Woody Allen recria uma Paris que tanto nos encanta, mas que conhecemos apenas através dos livros e filmes, e nos entrega um filme leve, que não se esforça em ser outra coisa além de uma ode às artes. Hemingway, Fitzgerald, Buñuel, Dalí, são apenas alguns dos motivos para esse filme entrar nessa lista.

9. X-Men – Primeira Classe (X-Men – First Class, 2011)
Os mutantes são a alegoria perfeita sobre a realidade discriminatória que a sociedade vive. Nessa “prequência”, é contada a origem de Charles Xavier e Eric Lehnsherr, ou melhor, Professor Xavier e Magneto. E o filme deixa cada vez mais claro que os criadores dos personagens se influenciaram muito da dicotomia Martin Luther King e Malcom X. Mais aqui.

10. Rango (Rango, 2011)
Essa animação não é apenas uma maravilhosa homenagem aos filmes de Western, cheia de referências como a do Pistoleiro Sem Nome (personagem de Clint Eastwood em vários filmes), como se sustenta perfeitamente bem como um filme do próprio gênero. Em ano que a Pixar desaponta, é de grande felicidade termos uma obra desse porte, e tão bem realizada. Possivelmente, a melhor interpretação de Johnny Depp em anos.