Chegou a hora da vingança dos velhinhos que ficam de pé no metrô. Depois de assistir a essa animação sensacional de SeanSoong, você certamente vai levantar essas perninhas jovens e descansadas e ceder seu lugar a alguém mais necessitado. A menos que você seja esse alguém. Aí vai ter que sacar o sabre de luz.
Quando Toy Story (1995) trouxe um mundo de brinquedos vivos, que apenas fingiam ser inanimados na presença de humanos, foi como uma fantasia mundial tornada realidade. Toda criança cresce imaginando seus bonecos com personalidade própria e tudo mais. Mesmo na idade adulta, parte desse imaginário fica lá guardado, em algum canto esquecido. Como não reagir da mesma forma então com os livros? Se tem algo que vive na nossa cabeça são as complexas personagens que nos fazem viajar e viver mais do que nosso cotidiano. Talvez por isso seja tão maravilhoso pensar que elas poderiam “fugir” de suas páginas enquanto dormimos. E, numa livraria então, quanta confusão e quanto amor improvável poderia rolar. É nesse universo que Spike Jonze e Simon Cahn nos trazem o curta To Die By Your Side (Mourir auprès de toi), uma animação safadinha com Macbeth, Mina (com voz da cantora francesa Soko) e Moby Dick. Não precisa ser amante da literatura para gostar, mas, se for, garanto que o sorriso no rosto será grande.
O cartunista argentino Liniers não é novidade por aqui. Especialmente porque, em 2010, Damião Santana fez um post lindo na Grenf! Grenf! sobre uma das séries do artista, intitulada Macanudo.
Com base nos desenhos das séries Macanudo e Bonjour, as produtoras argentinas La Doble A e a especializada em animação, Gazz, decidiram realizar uma série animada de curtas metragens de duração variável. É interessante ver os personagens tomando vida. O resultado ficou bem fiel aos quadrinhos. Tanto no traço como no conteúdo:
Elenita:
Misterio: Dónde:
Mais sobre Liniers animado no Vimeo e também no You Tube.
O quadro O Grito (The Scream), de Edvard Munch, é uma das melhores obras de arte que conheço. Simplesmente porque a pessoa pode entender bulhufas de arte, mas ela vai olhar para ele e vai perceber ali a tinta transformada em angústia e dor na tela. É batata, diria Nelson Rodrigues. É absolutamente importante que o que é arte seja algo repensado constantemente, um campo aberto de discussões, mas não acredito no tipo que só transmite algo com tecla SAP. E segundo declaração do próprio Munch, a visão dele era bem por aí:
“We want more than a mere photograph of nature. We do not want to paint pretty pictures to be hung on drawing-room walls. We want to create, or at least lay the foundations of, an art that gives something to humanity. An art that arrests and engages. An art created of one’s innermost heart.” (E.M.)
Lógico que a obra de 1893, que até hoje é impactante, não custou barato para o artista norueguês. É fruto de uma mente atormentada. Munch ainda criança viu a mãe e uma irmã morrerem, precisou se afastar de um pai rígido para explorar sua arte e sofreu com o diagnóstico de doença mental da outra irmã. O Grito tem como protagonista um ser andrógino e com aspecto doentio, que exala pavor debaixo de um céu vermelho. A sinuosidade presente em quase toda a cena é uma espécie de eco desse desespero.
Reproduzida ao extremo, a pintura se tornou parte da cultura pop, e com tanta banalização parecia improvável que uma animação conseguisse captar a complexidade angustiante que a gente encontra na tela. Mas o Sebastian Cosor se inspirou nas palavras do artista e conseguiu:
“I was walking along a path with two friends – the sun was setting – suddenly the sky turned blood red – I paused, feeling exhausted, and leaned on the fence – there was blood and tongues of fire above the blue-black fjord and the city – my friends walked on, and I stood there trembling with anxiety – and I sensed an infinite scream passing through nature.”
O filme, que vi no Brainstorm9, recria a atmosfera do quadro ao som da música The Great Gig in the Sky, do Pink Floyd. Ficou perfeito. São três minutos que, 119 anos depois, conseguem acrescentar à criação de Munch.
Tudo bem que depois o Cosor começou a avacalhar e fez uma versão “inverno” da animação, mas isso a gente deixa pra lá.
O coletivo The DMC Initiative criou uma série de vinhetas animadas para o canal australiano Fox Classics. As animações, aqui reunidas em um único vídeo, revisitam alguns dos maiores clássicos do cinema, como Psicose (1960), Ben-Hur (1959), Lawrence da Arábia (1962), Intriga Internacional (1959), O Bebê de Rosemary (1968), Disque M para Matar (1954), Cantando na Chuva (1952), Um Golpe à Italiana (1969) e Os Pássaros (1963). Confesso que, apesar de quase tudo parecer familiar, não reconheci todos os filmes. Alguém se arrisca aí numa lista?