

Ao longo dos anos, no colégio, na faculdade, estudamos várias obras importantes na história da arte da humanidade, ouvindo explicações parecidas de professores diferentes. Há pouco, tive oportunidade de conhecer Paris e alguns de seus museus, onde examinei pinturas e esculturas que cansei de ver em fotografias.
Diante das criações de nomes tão familiares, Rodin, Cézanne, Renoir, Leonardo Da Vinci, tirei meu tempo contemplando e imaginando o sentido que aquilo fez na época, como mexeram com as pessoas. São obras, no entanto, com as quais consigo manter apenas uma relação racional. Não me sinto representada por elas. E sensorialmente pouco me tocam, por mais que eu as respeite.
Por outro lado, estou navegando pelo Likecool, e me deparo com a fotografia de uma escultura que me tira da rotina. Em vez de gastar poucos segundos, como é normal com as imagens da internet, paro uns minutos porque me intriga. De uma forma estranha, essa escultura de uma mulher com metade da pele arrancada me representa, ao meu tempo, à minha geração. É uma obra que me chama para conversar. E a você?
A obra é a Anatomia de um Anjo, de Damien Steven Hirst. E, apesar das divagações iniciais, o assunto aqui é ele. Imagina que essa escultura aí é fichinha para um cara que pegou um tubarão-tigre morto, em 1990, colocou dentro de um aquário enorme com formol, e chamou a obra de O Reino. Virou ícone da pop arte britânica e foi comprada por 17,2 milhões de dólares. O mais tosco é que a obra precisou de retoques, pois ainda o processo de putrefação aconteceu.

Quase 18 anos depois, em 2008, alguém gastou uns bons 10 milhões de dólares no Bezerro de Ouro, o animal morto conservado com o metal precioso nos chifres, nos cascos e em forma de disco sobre a cabeça. E que tal um crânio humano do século 18 cravado com 8,6 mil diamantes? “For the love of god” arrecadou 100 milhões de dólares num leilão em 2007, onde foi vendida.

São obras bizarras e bem questionáveis do ponto de vista ético. Mas é difícil alguém passar por elas como quem passa pela farmácia da esquina. É como se a arte estivesse ultrapassando os mais diversos tipos de limites para nos alcançar em meio à própria bizarrice dos atos humanos. Então, em tempos em que zumbis estão entre os ícones mais significativos da cultura pop, restaria a um artista usar cadáveres para falar sobre a nossa relação com a morte, com as riquezas, com os animais? Só sei que comigo funcionou.














Adorei o filme a árvore da vida e recomendo.