
Eu sei que estou quieto por aqui já há algum tempo, mas não poderia deixar de postar sobre a exposição que agora está em Brasília, cidade em que resido. “Hélio Oiticica – Museu é o Mundo”, após ter passado por Rio, São Paulo e ainda terá Belém como cidade a receber as obras deste comentado artista plástico, traz esculturas, quadros, vídeos e muitos deles interativos. Uma ação recorrente de suas obras é justamente o contato direto dos visitantes com seus trabalhos. Pode-se vestir Oiticica, tocar Oiticica, pisar em Oiticica. Ele acreditava que as pessoas fazem parte da arte se quiserem. Suas intenções e movimentos podem ser vistas por um viés de arte. Esse olhar da arte contemporânea em que traz as linguagens do teatro, dança e moda conectados ao fato da temporalidade da obra (a arte existe naquele momento em que é executada) se aproxima do que são mais comumente chamados de instalações e happenings. Pelo que li e ouvi na exposição, o título é justamente por isso. As obras estão caminhando por aí. Personagens de um grande museu, que acreditava Oiticica ser o mundo.
“A obra nasce de apenas um toque na matéria. Quero que a matéria de que é feita minha obra permaneça tal como é; o que a transforma em expressão é nada mais que um sopro: um sopro interior, de plenitude cósmica. Fora disso não há obra. Basta um toque, nada mais” (Hélio Oiticica)

Das obras que mais gostei com certeza são os móbiles suspensos no teto do museu em vários pontos. Imagens geométricas traduzindo a época em que se comprometeu com a arte neoconcreta.
Não tendo me agradado tanto quanto as esculturas menores, há uma estrutura imensa com chão de areia e brita que contém uma gaiola com alguns papagaios (que piam muuuuito alto). Claramente, um convite ao espectador para um mundo criando as sensações. Dentro de lá há uma tenda de camping escura, um chão de cascalho, outro coberto com folhas. É entrar, experimentar e sentir da sua forma. Tudo o que Oiticica queria.
Para Brasília foi feita a montagem da obra “Invenção da luz”, pensada especificamente para a capital federal. Como nunca havia tido uma exposição do artista por aqui, é a primeira vez em que a obra chega à cidade após 30 anos de sua concepção.


Em outubro de 2009 um galpão onde estavam guardadas muitas da Obras de Oiticica pegou fogo. No momento achava-se que não teria como recuperar, mas o Ministério da Cultura tem se empenhado em restaurar estas obras e há um programa do Minc de divulgação dos trabalhos de Hélio para este ano de 2011.
Não gosto, nem desgosto de Oiticica. Mas ele é um artista que me intriga e isso eu amo!
A exposição está por aqui até o dia 20 de fevereiro, das 09h às 18h. No Museu da República. O “museu da bola”.














O Museu da República fica no Rio. O nome desse é Museu Nacional Honestino Guimarães.