Parece meio óbvio, mas foi por esses dias que percebi a proximidade da Arte com a História, no que se refere a “sentido do presente”. O que quero dizer com isso é: em vários momentos não percebemos ou não damos importância a movimentos, conflitos, personagens que habitam o presente. Mas precisamos que estes virem história, documento para que notemos a existência deles. Isso é natural, não mero descaso ou desinteresse nosso enquanto seres humanos muito ocupados, pois todos esses agentes precisam de tempo para maturar e principalmente (ou consequentemente) se tornar referência.
Digo isso porque de um tempo para cá tenho me deparado com trabalhos e livros sobre artistas contemporâneos que sempre me chamavam a atenção e que até conhecia seus trabalhos, mas não conhecia um rótulo ou os tinha visto como grupo de estética recorrente. Me refiro a arte Lowbrow.
A palavra Lowbrow vem do contrário para a highbrow, que significa chique, sofisticado, elitista. Diz-se ter iniciado na década de 70 nos EUA. Uma época em que muito de arte underground surgiu como uma reação para a demagogia da Guerra Fria e o movimento de Contracultura. Desta época consigo perceber o início da estética utilizada em artistas atuais, em desenhos como Rat Fink ou nos quadrinhos do Tales From the Crypt.


Há alguns anos conheci um artista chamado Mark Ryden e que me fascinou na ocasião. Primeiro por ter referências pop tão fortes como a Barbie, Teletubbies e Björk. Segundo por possuir uma técnica ímpar de pintura a óleo figurativa. E terceiro por ser tão irônico, controverso e corajoso em retratar um tema muito delicado, as crianças. Caso não saibam, a capa do álbum Dangerous do Michael Jackson é de autoria de Ryden.




Crianças parecem ser uma das mais fortes personagens do Lowbrow, figuras infantis pintadas de forma bizarra, ora com tentáculos, ora amordaçadas, ora maldosinhas. É fácil notar que muitos artistas utilizam técnicas parecidas para retratá-los. Se não são crianças retratadas, temas que as interessam, Disneyworld, bichinhos de pelúcia. Abaixo trabalhos de Kathie Olivas com três bebês fantasiados, a criança-peixe gótica de Scott Radke, a juvenil e sua pulga de estimação de Ray Ceaser e a batgirl de Lisa Petrucci.

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Outras características são facilmente vistas em Lowbrow art tal como as histórias em quadrinhos, graffiti, influencias góticas, pop e kitsch. Vários deles não são vistos com bons olhos pelo mercado de arte. Acredito que este impasse exista pelo fato de seus trabalhos serem intimamente ligados a street art e por terem temas próximos a ilustração digital, não sendo reconhecidos como artistas (no sentido clássico) mas sim como ilustradores.





Sendo alheios a obediência pelo formalismo, em muitos casos trabalham fora do mercado de arte e expõem em galerias exclusivas desse tipo. Não é novidade artistas como Liz McGrath e Tara Macpherson venderem seus trabalhos de toy art ou gravuras pela internet e não ter espaço para expor.

Um termo que considero definir bem esses artistas é Pop Surrealismo. As idéias postas em tela tantas vezes é tão fora do que se vê no circuito de arte que fica difícil vê-la como tal. Em alguns trabalhos as imagens parecem ser frívolas ou feitas ao acaso, mas em outros é claro o comprometimento com uma trabalho único, de identidade e de técnicas bem exploradas.
ARTE DA VIDA
No último post, publiquei uma foto da Julianne Moore encenando um quadro do John Currin. Mais uma vez trazendo a arte para a vida, neste defile da Karla Girotto de alguns anos atrás, esta modelo estava vestida muito parecida com uma das meninas de Ray Caesar, não acham?















Engraçado esse teu post hoje porque há dois dias Ângela Prysthon tava falando de Highbrow, Lowbrow e Midcult na pós em Jornalismo e Crítica Cultural e, hoje, durante uma aula sobre o grotesco na arte, falou muito de Mark Ryden. Coincidência incrível.