

O Post Secret começou como um projeto de mail art voltado para a web, no qual o intuito era estimular indivíduos comuns a revelarem seus segredos, a partir da customização de cartões postais. Assim que conheci o blog, minha relação era apenas de curiosidade, quase fetichista, o que me importava era saber a quantidade de comportamentos e pensamentos absurdos de pessoas mundo afora.
Inevitavelmente, ao passo que a leitura dominical de segredos torna-se um hábito, se dá início a um segundo estágio de apreciação do projeto artístico, o da identificação. De alguma forma, o leitor do blog começa a humanizar aqueles textos e imagens, imaginando como é a vida da pessoa, por que tipo de experiências passou, quais são seus medos, anseios e angústias. Nesse processo de abstração, não é incomum você projetar nesses indivíduos tão distantes experiências da sua própria vivência.
Questões morais e éticas escarnecidas pelos postais fazem você questionar sua própria moralidade e o politicamente correto, uma vez que a premissa primordial do espaço de discussão é o total anonimato. Nessa “galeria virtual”, ninguém irá perceber se você passou mais tempo apreciando esta ou aquela obra, tampouco lhe julgar pelo tipo de conteúdo que lhe apetece. A discussão promovida pelo Post Secret é de você consigo mesmo, e essa é sua faceta mais cruel, pois mentir para si mesmo é tarefa das mais complicadas.



A parte mais instigante do projeto desenvolvido por Frank Warren é que o questionamento e a identificação advindas da leitura do blog criam uma comunidade imaterial de aceitação, reunindo pessoas do mundo inteiro, com os mais diversificados estilos de vida. Dessa forma, acompanhar o blog ajuda os leitores a lidar com seus próprios medos, anseios e angústias, extrapolando o espaço virtual e a apreciação estética tradicional.
O apelo social do blog é tanto que o Post Secret está associado a causas ativistas, como o apoio à comunidade LGBT e até mesmo uma rede internacional de prevenção de suicídios. São promovidos, inclusive, encontros de leitores e colaboradores, além da venda de livros editados com os postais publicados. De qualquer forma, essa vertente mais militante não faz parte do conteúdo artístico do blog, o maior do mundo que se mantém sem venda de espaço publicitário.














Que MASSA =O vou viciar hahaha =]