
Ontem revi O Cão e a Raposa (The Fox and the Hound, 1981), graças ao meu sobrinho de 3 anos, e me surpreendi com o filme. Esse foi um dos desenhos da Disney que mais assisti quando era bem pequeno e confesso que não lembrava dos detalhes, apenas do enredo de um modo geral.
Levemente baseado no livro homônimo de Daniel Pratt Mannix IV, o filme conta a história de uma raposa e um cão de caça que tornam-se melhores amigos e fazem de tudo para permanecer juntos, embora todos tentem lembrá-los de que têm papéis opostos e não podem conviver. Esse é o principal conflito do filme, que mostra como a sociedade nos obriga a seguir caminhos pré-determinados, mesmo que lutemos contra. A maneira como a amizade é abordada também é belíssima: frágil e forte ao mesmo tempo, inocente e sujeita à nossa natureza e aos nossos instintos. Uma verdadeira lição de vida.

Dodó (a raposa, que no original é Tod) fica orfã e é adotada por uma velhinha e Toby (o cão, que no original é Copper) chega ainda filhote à casa do vizinho caçador. Os dois ficam amigos rapidamente e encontram-se sempre às escondidas. No inverno, Toby é levado por seu dono, juntamente com o cão Chefe, para uma montanha onde cresce aprendendo a caçar. Nesse período ele se torna um excelente farejador e garante ao seu dono muitas peles de raposa. Quando regressa à casa, é procurado por Dodó e apesar de feliz em rever o amigo, pede que ele se afaste para não criar problemas. Dodó insiste em visitá-lo e acaba acordando Chefe, que persegue a raposa até quase morrer atropelado por um trem. Vendo Chefe seriamente ferido, Toby promete caçar Dodó nem que seja a última coisa que faça na vida.
Assustada com as ameaças do vizinho, a dona de Dodó o abandona numa reserva florestal, onde ele mais uma vez é perseguido pelo caçador e Toby, mas consegue fugir. Vendo um urso atacar o cão, a raposa volta em seu auxílio e quase morre. No momento final em que o caçador vai executar Dodó, Toby fica no caminho e ele decide voltar pra casa. No fim, todos ficam bem, cada um em seu canto.
Apesar do “final feliz”, o filme mostra que só existe harmonia e paz com a distância entre os dois. É, talvez, o final feliz mais triste dos clássicos da Disney.


No livro original, a história não tem muito a ver com o desenho. Os animais não falam e não são amigos, são apenas um cão e uma raposa. No livro a raposa não se adapta à vida doméstica e foge, atraindo Chefe e causando a morte dele num trilho de trem. O cão e seu dono a caçam durante vários anos buscando vingança até que ela morre após uma noite e um dia de perseguição. Velho e cansado, o cão também morre, sacrificado pelo caçador. A história é contada através da visão de Tod e Copper. Dos dez capítulos do livro, quatro são da perspectiva do cão e seis da raposa. Infelizmente não o encontrei para vender.
















duda, belissimo post. divino. realmente a natureza do filme nos alimenta. E dá muita raiva em aceitar esse ”final feliz”. parabens.