No final dos anos noventa fiz uma lista de 20 filmes que melhor definiram a década. Aqueles filmes que revolucionaram conceitos cinematográficos ou que mostravam elementos formadores de uma geração. A lista tentava ser a mais abrangente possível, buscava representação em quase todos os gêneros e estruturas narrativas. “Matrix”, com certeza, se encaixava nessa proposta, não apenas pela sua inovação tecnológica (Bullet Time) mas também por nos deixar próximos ao tema cibernético sem que tivéssemos que ir lá atrás em “Blade Runner” para que pudéssemos ter uma discussão exemplificativa. “Cães de Aluguel” nos apresentou Quentin Tarantino e só isso bastaria para ter presença garantida na lista, mas o filme possui uma atitude “faça você mesmo” tão gritante que suas conseqüências caem nos nossos colos até hoje. “A Bruxa de Blair” entrou na lista basicamente porque representava tudo aquilo que um garoto no final dos anos 90 estava vivendo: a internet. Foi o primeiro a utilizar a ferramenta para ter seu filme divulgado, e pelo que eu me lembro, foi um frenesi. “Trainspotting” foi outro, nos mostrou um cinema sujo, sem alívios visuais, jogou nas nossas caras o que acontecia. E o mesmo aconteceu com “Clube da Luta” e o seu discurso anticonsumista, e sua narrativa picotada, e seus floreios visuais, e suas atuações anárquicas…
Ao rever a lista, um filme se destacou claramente, me deixando até surpreso, não por sua participação neste rol, mas exatamente porque não lembrava que o tinha incluído. Lembro que a sua inclusão na lista era claramente por motivos técnicos e mesmo entendendo que revolucionara o seu gênero, não imaginava que seria o padrão desse cinema atualmente. O filme em questão é Toy Story.

De imediato tentei buscar na minha memória os meus sentimentos da época, como foi ver pela primeira vez as aventuras de Woody e Buzz Lightyear, e o mais impactante, como foi ver pela primeira vez um longa de animação feito todo em computação gráfica. Com exceção do estúdio japonês Studio Ghibli, a indústria da animação, pelo menos a de longas metragens é praticamente toda dominada pelo processo digital, e isso teve inicio exatamente em 1995 com o lançamento de Toy Story. Mais do que um filme, se teve início a uma das mais bem sucedidas e brilhantes companhias cinematográficas do mundo: a Pixar.
Com isso, fiquei quase intimado a ver ao terceiro e último filme dessa maravilhosa história sobre a infância. Em Toy Story 3, Woody, Buzz, Jessie, Slinky, Rex, Sr. Cabeça de Batata, Porquinho e outros, enfrentam, o que imagino ser, o maior pesadelo de um brinquedo: o seu dono crescer. E é isso o que acontece com Andy, ele cresce. E aí que começam as aventuras. Mas dessa vez, me parece que o filme quis que aqueles espectadores de 15 anos atrás também fizessem parte dessa despedida. O filme possui uma capacidade analítica muito interessante sobre a infância, os percalços da vida, sobre a sensação de abandono, e isso deixa o filme bem construído e bastante ambicioso no que se refere a sua estrutura narrativa.


No final das contas, a saga trata sobre a importância da infância, em não pular etapas e vivenciar ao máximo todas essas sensações. E o mais importante, repassar para futuras gerações esse conhecimento. Coincidentemente, o primeiro presente que eu dei a Julia, filha da minha namorada, foi um DVD de Toy Story. Vai ver tentei me redimir dos tantos “Comandos em Ação” que joguei fora.

















Sou fã incondicional da série. Adoro a proposta, o enredo e os personagens. Tb conferi o terceiro filme. Adorei e, confesso, chorei horrores! Acho que não é tão legal quanto os anteriores, mas é emocionante.